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O governo do México condenou "energicamente" a intervenção militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela neste sábado (3), classificando-a como uma "clara violação do direito internacional" e da Carta das Nações Unidas. Em um comunicado oficial, a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) fez um "chamado urgente" para que se respeitem os princípios da ONU e se cesse "qualquer ato de agressão" contra o governo e o povo venezuelano.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, compartilhou pessoalmente a nota oficial, que aponta especificamente a violação do Artigo 2 da Carta da ONU — que trata da igualdade soberana entre os Estados e da proibição do uso da força. A posição mexicana ressalta que a "América Latina e o Caribe é uma zona de paz" e que ações militares unilaterais representam um risco extremo à estabilidade regional.
Além da condenação, o México tomou uma postura ativa ao exigir uma resposta multilateral. A chancelaria mexicana "urgiu a Organização das Nações Unidas a agir imediatamente" para contribuir com a desescalada das tensões, facilitar o diálogo e buscar uma solução pacífica em conformidade com o direito internacional.
Esta não é a primeira vez que o governo Sheinbaum se posiciona sobre a crise. Já em dezembro, a presidente havia oferecido o território mexicano como possível sede para negociações entre os Estados Unidos e a Venezuela, em uma tentativa de evitar a escalada que culminou no ataque de hoje. A oferta foi reiterada nas últimas semanas, com Sheinbaum defendendo que "o diálogo e a negociação são as únicas vias legítimas e eficazes".
A reação mexicana foi provocada por um evento de grande magnitude. Na madrugada deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a realização de um "ataque de grande escala" contra a Venezuela. A operação resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
De acordo com fontes, a captura foi realizada pela força de elite Delta Force do Exército americano, que retirou Maduro e Flores à força de seu dormitório enquanto dormiam. A procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, anunciou que o casal foi indiciado por um tribunal federal em Nova York, acusado de crimes como conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína, e será julgado em solo americano.
O ataque militar é o ponto mais alto de uma campanha de pressão que se intensificou nos últimos meses, motivada por uma convergência de interesses da política interna americana. De acordo com investigações jornalísticas, três agendas principais impulsionaram a escalada sob o governo Trump:
Esta estratégia já havia se manifestado anteriormente em uma série de ataques navais contra embarcações suspeitas no Caribe e em um quase bloqueio a petroleiros que entravam e saíam de portos venezuelanos.
A condenação do México se soma a outras vozes críticas, mas também evidencia a divisão global frente ao acontecimento. As principais reações incluem:
A ação militar americana, qualificada pelo México como um grave retrocesso, coloca a região diante de um cenário de extrema incerteza. O governo mexicano, ao insistir na via diplomática e no papel central da ONU, posiciona-se como defensor de uma ordem internacional baseada em regras, em contraste direto com a ação unilateral.
Com Maduro capturado e o governo venezuelano liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez — que descreve a ação como uma "gravíssima agressão militar" e exige provas de vida do casal preso —, o futuro imediato do país e da estabilidade regional dependerá da resposta da comunidade internacional ao apelo urgente feito pelo México e outras nações.
Com informações de: El País, Sapo.pt, El Financiero, O Globo, Yahoo Noticias, Swissinfo, CNN Español, Revista Fórum ■