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México condena "clara violação" da soberania venezuelana e convoca ONU após ataque dos EUA
Governo de Claudia Sheinbaum qualifica intervenção militar que capturou Maduro como ação unilateral que põe em "grave risco" a estabilidade regional e pede ação imediata das Nações Unidas
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 03/01/2026

O governo do México condenou "energicamente" a intervenção militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela neste sábado (3), classificando-a como uma "clara violação do direito internacional" e da Carta das Nações Unidas. Em um comunicado oficial, a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) fez um "chamado urgente" para que se respeitem os princípios da ONU e se cesse "qualquer ato de agressão" contra o governo e o povo venezuelano.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, compartilhou pessoalmente a nota oficial, que aponta especificamente a violação do Artigo 2 da Carta da ONU — que trata da igualdade soberana entre os Estados e da proibição do uso da força. A posição mexicana ressalta que a "América Latina e o Caribe é uma zona de paz" e que ações militares unilaterais representam um risco extremo à estabilidade regional.

O Chamado à ONU e a Oferta de Mediação

Além da condenação, o México tomou uma postura ativa ao exigir uma resposta multilateral. A chancelaria mexicana "urgiu a Organização das Nações Unidas a agir imediatamente" para contribuir com a desescalada das tensões, facilitar o diálogo e buscar uma solução pacífica em conformidade com o direito internacional.

Esta não é a primeira vez que o governo Sheinbaum se posiciona sobre a crise. Já em dezembro, a presidente havia oferecido o território mexicano como possível sede para negociações entre os Estados Unidos e a Venezuela, em uma tentativa de evitar a escalada que culminou no ataque de hoje. A oferta foi reiterada nas últimas semanas, com Sheinbaum defendendo que "o diálogo e a negociação são as únicas vias legítimas e eficazes".

O Ataque que Desencadeou a Crise

A reação mexicana foi provocada por um evento de grande magnitude. Na madrugada deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a realização de um "ataque de grande escala" contra a Venezuela. A operação resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.

De acordo com fontes, a captura foi realizada pela força de elite Delta Force do Exército americano, que retirou Maduro e Flores à força de seu dormitório enquanto dormiam. A procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, anunciou que o casal foi indiciado por um tribunal federal em Nova York, acusado de crimes como conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína, e será julgado em solo americano.

Contexto de Escalada e Interesses em Conflito

O ataque militar é o ponto mais alto de uma campanha de pressão que se intensificou nos últimos meses, motivada por uma convergência de interesses da política interna americana. De acordo com investigações jornalísticas, três agendas principais impulsionaram a escalada sob o governo Trump:

  1. Petróleo: O interesse em acessar as vastas reservas de petróleo venezuelano e limitar a influência chinesa no setor energético do país.
  2. Combate às Drogas: A vontade de cumprir promessas de campanha de agir militarmente contra cartéis de drogas, redirecionando o foco para a Venezuela.
  3. Imigração: O desejo de utilizar um estado de conflito para justificar a deportação em massa de venezuelanos sob a antiga "Lei dos Inimigos Estrangeiros".

Esta estratégia já havia se manifestado anteriormente em uma série de ataques navais contra embarcações suspeitas no Caribe e em um quase bloqueio a petroleiros que entravam e saíam de portos venezuelanos.

Reações Internacionais Divididas

A condenação do México se soma a outras vozes críticas, mas também evidencia a divisão global frente ao acontecimento. As principais reações incluem:

  • Condenações Fortes:
    • Brasil: O presidente Lula classificou o ataque como "uma afronta gravíssima à soberania" e um "precedente perigoso".
    • Rússia: Condenou o que chamou de "ato de agressão armada".
    • Cuba: Qualificou os ataques como "criminosos".
    • Chile: O presidente Gabriel Boric também condenou a ação e pediu uma saída pacífica pela via do diálogo.
  • Posições de Cautela:
    • União Europeia: A chefe da diplomacia, Kaja Kallas, pediu moderação e respeito ao direito internacional, reiterando que Maduro "carece de legitimidade".
  • Apoio:
    • Argentina: O governo de Javier Milei "valorizou a decisão e a determinação" dos EUA, vendo no ataque um avanço contra o narcoterrorismo.
    • Porto Rico: A governadora Jenniffer González saudou a captura de Maduro e falou em "um novo dia para a Venezuela".

Um Futuro de Incerteza e a Defesa do Multilateralismo

A ação militar americana, qualificada pelo México como um grave retrocesso, coloca a região diante de um cenário de extrema incerteza. O governo mexicano, ao insistir na via diplomática e no papel central da ONU, posiciona-se como defensor de uma ordem internacional baseada em regras, em contraste direto com a ação unilateral.

Com Maduro capturado e o governo venezuelano liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez — que descreve a ação como uma "gravíssima agressão militar" e exige provas de vida do casal preso —, o futuro imediato do país e da estabilidade regional dependerá da resposta da comunidade internacional ao apelo urgente feito pelo México e outras nações.

Com informações de: El País, Sapo.pt, El Financiero, O Globo, Yahoo Noticias, Swissinfo, CNN Español, Revista Fórum ■

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