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Trump sinaliza abertura para diálogo com Maduro
Presidente dos EUA mencionou possibilidade de conversas, mas não deu detalhes; contexto é marcado por grande mobilização militar americana na região e acusações de narcotráfico
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 17/11/2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (16) que seu governo pode estar aberto a negociações com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A afirmação ocorre em um momento de escalada militar sem precedentes na região do Caribe, com um massivo deslocamento de forças navais dos EUA próximo ao litoral venezuelano.

"Podemos ter algumas conversas com Maduro, e veremos como isso se desenrola", disse Trump a jornalistas em West Palm Beach, na Flórida. "Eles gostariam de conversar". Quando pressionado para dar mais detalhes sobre o que essa disposição para o diálogo significava, o presidente republicano foi evasivo: "Venezuela gostaria de conversar. O que isso significa? Você me diz, eu não sei... Eu converso com qualquer um".

Esta é uma das primeiras indicações de um possível caminho para desescalar a situação tensa na região, mas Trump ressaltou que manteria a pressão sobre Maduro. "Estamos impedindo que traficantes e drogas entrem em nosso país", afirmou.

Contexto de Tensão Militar

O comentário sobre possíveis discussões foi feito em um cenário de crescente pressão militar e diplomática sobre o governo de Caracas:

  • O Pentágono confirmou a chegada do porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior da Marinha dos EUA, ao Caribe. A embarcação traz 5.000 militares e dezenas de aviões de guerra, somando-se a outros oito navios de guerra, um submarino nuclear e caças F-35 já enviados anteriormente para a região.
  • Essa mobilização, batizada de Operação Lança do Sul (Operation Southern Spear), é a maior presença militar dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989.
  • Desde o início de setembro, forças americanas realizaram mais de 20 ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico oriental, operações que, segundo o Pentágono, resultaram na morte de mais de 80 pessoas.

Acusações e a Carta de Maduro

No mesmo domingo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou que o Departamento de Estado designaria o Cartel de Los Soles como uma "organização terrorista estrangeira". O governo Trump alega que o cartel é liderado pelo próprio Maduro e por altos funcionários venezuelanos, acusação que o governo venezuelano nega veementemente.

Em setembro, Maduro já havia tentado abrir um canal de diálogo direto. O governo venezuelano confirmou o envio de uma carta pessoal de Maduro a Trump, datada de 6 de setembro, entregue por meio do enviado especial de Trump, Richard Grenell. No documento, Maduro rejeitou as acusações de ligação com o narcotráfico como "completamente infundadas" e defendeu o histórico de seu país no combate às drogas, propondo um "diálogo direto e franco" entre os dois países.

Preparações e Reações

Enquanto isso, a Venezuela se prepara para um possível confronto. O governo Maduro ordenou um "deslocamento massivo" de tropas e milícias civis por todo o país, em exercícios militares de grande escala . Maduro também fez um apelo direto ao povo dos Estados Unidos, declarando em inglês: "Yes peace, yes peace" ("Sim paz, sim paz"), em um discurso televisionado.

Analistas militares questionam a capacidade real das forças venezuelanas de resistir a um ataque dos EUA, apontando problemas de manutenção e financiamento em meio à crise econômica persistente no país. Especialistas descrevem o exército venezuelano como "uma sombra do que já foi", apesar de contar com algum equipamento avançado, como caças Sukhoi e sistemas de mísseis antiaéreos.

Com informações de: France24, Anadolu Agency, CNN Brasil, Deutsche Welle, El Imparcial, G1, BBC, Euronews, Seeking Alpha. ■

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