Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O Rio de Janeiro tornou-se o palco de uma grave crise institucional que coloca o governador Cláudio Castro em rota de colisão com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O estopim foi a Operação Contenção, a maior ação policial da história do estado, realizada em 28 de outubro de 2025, que resultou na morte de pelo menos 132 pessoas, segundo a Defensoria Pública, nas favelas do Complexo do Alemão e da Penha. Em resposta, Moraes, com base na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, deu um prazo de 24 horas para que o governador prestasse explicações detalhadas sobre a operação. A reação de Castro foi de confronto, classificando o instrumento legal do STF de "canalha" – termo do português que significa "patife" ou "vilão" –, acendendo o estopim de um novo rito de guerra política da extrema direita contra a Corte Suprema.
A operação que desencadeou a crise foi de escala inédita. Envolvendo 2.500 policiais militares e civis e 32 veículos blindados, a ação foi dirigida contra a facção Comando Vermelho. Os confrontos foram intensos, com criminosos usando drones para lançar bombas contra as equipes de segurança e erguendo barricadas em chamas. O saldo foi o mais mortal já registrado em uma operação policial no Brasil, superando o massacre do Carandiru.
Enquanto o governador Cláudio Castro defendeu a ação, declarando que o Brasil "está firme no confronto ao narcoterrorismo" e inicialmente divulgando um número oficial de 58 mortos, a Defensoria Pública do estado contabilizou 132 vítimas fatais. No dia seguinte, moradores protestaram colocando dezenas de corpos em uma praça pública, em um ato de revolta e busca por informações. A operação também gerou:
Diante da gravidade dos fatos, o ministro Alexandre de Moraes, no exercício de suas funções no STF, determinou que o governador Cláudio Castro fornecesse informações completas sobre a operação no âmbito da ADPF das Favelas. A decisão judicial estabeleceu um prazo peremptório e marcou uma audiência com o governador e os comandantes das polícias Civil e Militar para a segunda-feira seguinte.
A resposta de Castro, no entanto, não foi de acatamento técnico, mas de confronto político direto. Ao chamar a ADPF – um instrumento jurídico criado para proteger direitos fundamentais – de "canalha", o governador adotou a mesma retórica utilizada pela extrema direita brasileira, que há tempos conduz uma campanha contra o STF e particularmente contra Moraes. Este contexto é marcado por sanções dos Estados Unidos contra o ministro, impostas sob a alegação de "perseguição política", um movimento amplamente criticado como interferência em assuntos soberanos do Brasil.
A postura agressiva de Castro não pode ser dissociada do cenário político e de suas ambições eleitorais. Membro do Partido Liberal (PL) e aliado de Jair Bolsonaro, o governador tem sua base eleitoral fortemente alinhada com o discurso de "tolerância zero" ao crime. No entanto, sua administração é marcada por polêmicas:
Além disso, Castro planeja seu futuro político. Ele considera concorrer ao Senado ou à Câmara dos Deputados em 2026, e o controle da narrativa sobre segurança pública é crucial para essa empreitada . O enfrentamento com o STF, nesse contexto, pode ser uma estratégia para se solidificar como liderança da extrema direita no estado.
O conflito entre o Governo do Rio e o STF representa mais do que um simples atrito entre poderes. Ele expõe as feridas profundas de um país dividido e coloca em jogo questões fundamentais para o Estado Democrático de Direito.
Enquanto o governador tem 24 horas para se explicar perante a lei, o país aguarda para ver se o caminho será o do diálogo institucional ou o do aprofundamento de uma guerra que já deixou centenas de mortos e agora ameaça as próprias estruturas democráticas.
Com informações de Al Jazeera, CNN, EL PAÍS English, Intercept Brasil, Wikipedia, Wiktionary e Reverso Context. ■