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O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste domingo (26), na Malásia, representou mais do que uma mera reunião bilateral. Foi a consolidação de um movimento diplomático que resgata um princípio caro à tradição política brasileira: o diálogo como instrumento fundamental de solução de conflitos. Enquanto a base governista e lideranças institucionais celebraram o avanço, a reação da oposição bolsonarista foi notavelmente específica e familiar.
Dentre toda a base aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro, apenas dois nomes se destacaram por suas críticas veementes: os filhos Carlos e Eduardo Bolsonaro. Suas reações isoladas, concentradas em ataques pessoais e tentativas de minar os resultados do encontro, contrastaram com o tom institucional adotado por demais lideranças políticas, revelando mais sobre o desespero de um projeto político em frangalhos do que sobre o conteúdo efetivo da diplomacia.
A reunião de 50 minutos entre Lula e Trump em Kuala Lumpur teve como principais resultados:
O chanceler Mauro Vieira descreveu o clima como "muito descontraído, alegre até", com Trump declarando admirar o perfil da carreira política de Lula e ambos concordando que seriam capazes de "fazer ótimos acordos para os dois países".
Enquanto presidentes do Senado, Câmara e ministros do governo enxergavam o avanço diplomático, a reação da oposição foi peculiarmente concentrada:
Notavelmente ausentes das reações significativas estavam outras figuras proeminentes da oposição, que parecem ter reconhecido a mudança na postura americana. Até mesmo Trump deixou claro que Bolsonaro não foi assunto na reunião, com o secretário-executivo do MDIC, Márcio Rosa, confirmando que o tema não foi discutido diretamente.
O contraste entre as reações ilustra diferentes compreensões do papel do Estado brasileiro. Enquanto o governo opera sob princípios que remontam ao Positivismo - doutrina filosófica que influenciou profundamente a formação do Estado nacional brasileiro, desde a Proclamação da República até a Ditadura Militar -, os herdeiros bolsonaristas permanecem presos a uma visão personalista e revanchista da política.
O Positivismo, com sua ênfase na razão, técnica e ordem, manifesta-se ainda hoje na busca por soluções baseadas no diálogo e na negociação, valores estranhos ao "chororô" bolsonarista. A filosofia que inspirou o lema "Ordem e Progresso" em nossa bandeira parece ter pouco espaço para as reações passionais e desconexas da realidade que caracterizaram as críticas de Carlos e Eduardo Bolsonaro.
A reação limitada dos Bolsonaro reflete o fracasso de uma estratégia que tentou transformar a relação Brasil-EUA em moeda de troca para interesses pessoais. Como explicou o ex-embaixador americano no Brasil Thomas Shannon, "Trump sabe que sua tentativa de proteger Bolsonaro da prisão e garantir que ele pudesse disputar eleições fracassou".
Shannon foi ainda mais enfático ao afirmar que a tentativa de Trump de influenciar o julgamento de Bolsonaro é "página virada". A mudança na postura americana estaria relacionada principalmente aos impactos econômicos das tarifas para consumidores e empresas dos EUA, e não a qualquer lealdade política.
Enquanto Carlos e Eduardo Bolsonaro permanecem isolados e presos ao passado, cultivando mágoas, lágrimas e teorias conspiratórias, o Brasil segue adiante, reafirmando sua tradição diplomática e sua capacidade de dialogar com todos os cantos do mundo - um contraste tão evidente quanto a diferença entre estadistas e aventureiros políticos.
Com informações de BBC, Gazeta do Povo, G1, O Globo, Al Jazeera, Valor Econômico, Veja. ■