Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira (20), o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou como "muito importante" a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as chamadas "tarifas recíprocas" impostas pelo governo de Donald Trump. Segundo Alckmin, a medida "abriu uma avenida ainda maior" para o fortalecimento da parceria comercial bilateral, especialmente por eliminar uma sobretaxa adicional de 40% que atingia produtos brasileiros de maior valor agregado.
O vice-presidente minimizou os efeitos da reação imediata de Trump, que, horas após o revés judicial, anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre todas as importações, com validade prevista de 150 dias. Para Alckmin, o impacto é neutro para o Brasil em termos de concorrência internacional. "Os 10% global é global, então é para todos. Nós não perdemos competitividade. O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de mais 40% que ninguém tinha. Esse é que era o problema. Aí sim, você efetivamente perdia competitividade", explicou.
Antes da decisão da Suprema Corte, que considerou ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) por Trump para instituir tarifas, cerca de 22% das exportações brasileiras aos EUA ainda estavam sujeitas a uma sobretaxa de 40%. Com a nova configuração, a alíquota adicional sobre a maioria dos produtos brasileiros cai para os 10% lineares que serão aplicados a todos os parceiros comerciais. Permanecem, no entanto, as tarifas de 50% sobre aço e alumínio, instituídas com base na Seção 232 da lei comercial americana, que não foram afetadas pela decisão judicial e também são globais, mantendo a isonomia competitiva.
Setores beneficiados e números do comércio
Alckmin destacou que a medida beneficia diretamente segmentos estratégicos das exportações nacionais. Entre os produtos que voltam a ter condições mais competitivas no mercado americano, estão:
O vice-presidente lembrou que os EUA são o terceiro maior destino das exportações brasileiras e, sobretudo, o principal comprador de manufaturados nacionais. "Com isso, a gente pode aumentar bastante agora a parceria comercial com os Estados Unidos, aumentar as trocas comerciais, a complementariedade econômica", afirmou. Em 2025, as exportações brasileiras para o país somaram US$ 37,7 bilhões, equivalentes a 10,8% do total vendido pelo Brasil ao exterior.
Agenda bilateral e temas não tarifários
Apesar de comemorar o novo cenário, Alckmin pregou cautela e reiterou que a negociação continua. O diálogo ganha ainda mais relevância com a reunião já agendada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em março, em Washington. "A disposição do Brasil sempre foi do diálogo. Tanto é que, independentemente dessa decisão, estava pré-agendado para o mês de março um encontro entre os presidentes Trump e Lula", disse.
Na avaliação do ministro, o novo patamar tarifário abre espaço para avançar em temas não tarifários de interesse mútuo. Entre os pontos que devem estar na pauta da reunião presidencial, Alckmin citou:
Reação de Trump
O presidente americano classificou a decisão da Suprema Corte como uma "vergonha" e "profundamente decepcionante", prometendo usar outros instrumentos legais para manter sua política de proteção à indústria local. A nova tarifa global de 10%, que entra em vigor na próxima terça-feira (24), é a primeira resposta concreta ao revés judicial e deve vigorar por 150 dias, prazo que pode ser usado pelo governo americano para estruturar novas medidas.
Alckmin, no entanto, mantém otimismo moderado. "Acho que a negociação continua, o diálogo continua. Abriu uma avenida ainda maior para a gente poder ter um comércio exterior mais pujante, o que significa emprego e renda", concluiu.
Com informações de Valor Econômico, Correio Braziliense, O TEMPO, G1, Jovem Pan, UOL, Estadão, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ■