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Vazamentos sistêmicos e lawfare midiático: quebra de sigilos alimentou pressão contra o STF
Operação da PF expõe esquema de acesso ilegal a dados de ministros e familiares; reportagens de O Globo, baseadas em fontes anônimas e informações vazadas, criaram fato político que isolou Dias Toffoli e forçou troca de relatoria no inquérito que atinge banqueiro do BTG
Analise
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■   Bernardo Cahue, 19/02/2026

A operação da Polícia Federal que nesta semana cumpriu mandados contra servidores da Receita Federal suspeitos de acessar ilegalmente dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares jogou luz sobre uma engrenagem complexa de vazamentos seletivos que, nos últimos meses, alimentou uma ofensiva midiática contra a Corte. O alvo principal da investida, revelam os bastidores, era constranger ministros e, no limite, alterar o curso de investigações sensíveis — como o inquérito que envolve o Banco Master e suas conexões com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.

O estopim da crise atual foi a revelação, pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, de que o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, mantinha um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A reportagem, baseada em "seis fontes" anônimas e em documentos que vieram a público por canais não identificados, desencadeou uma série de editoriais e artigos nos principais veículos da chamada "mídia liberal" — Globo, Folha e Estadão — questionando a conduta de ministros do STF e pedindo transparência.

Para críticos da cobertura, o modus operandi repete técnicas do que se convencionou chamar de "jornalismo lavajatista": a divulgação de informações sigilosas obtidas por meio de vazamentos criminosos, seguidas de uma pressão para que o acusado prove sua inocência. No centro da tempestade, Dias Toffoli, então relator do caso Master, viu-se enredado em notícias que destacavam sua relação com Vorcaro — incluindo a existência de seu nome no celular do banqueiro e sua participação em uma sociedade num resort no Paraná.

A sequência de eventos evidencia a sincronia entre os acessos ilegais a dados protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a publicação de reportagens com potencial de desestabilizar o tribunal:

  • Dezembro de 2025: Reportagens de O Globo, Folha e Estadão passam a destacar o contrato de Viviane Barci com o Master e supostas ligações de Alexandre de Moraes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, baseadas em "relatos de pessoas do meio jurídico e do mercado financeiro".
  • Janeiro de 2026: O ministro Alexandre de Moraes, ainda na presidência interina do STF, determina a abertura de investigação para apurar se houve vazamento de dados de ministros e familiares por parte da Receita Federal e do Coaf.
  • 12 de fevereiro de 2026: Em reunião fechada convocada por Edson Fachin, Toffoli é convencido a deixar a relatoria do caso Master, após pressão de colegas que viam desgaste institucional.
  • 13 de fevereiro de 2026: Detalhes da reunião sigilosa, incluindo supostas falas de ministros, são publicados pelo site Poder360. Toffoli nega ter gravado ou vazado o conteúdo, mas o episódio aprofunda a desconfiança na Corte.
  • 16 de fevereiro de 2026: PF deflagra operação contra servidores da Receita, com medidas cautelares que incluem tornozeleiras eletrônicas. Investiga-se o acesso ilegal a dados da esposa de Moraes e da enteada de Gilmar Mendes.

Para analistas, a sucessão de vazamentos — de dados fiscais e de conversas entre ministros — cumpriu um propósito claro: criar um factoide midiático que isolasse Toffoli e forçasse sua substituição no comando do inquérito que atinge interesses de setores poderosos do mercado financeiro. "A mídia liberal concentrou fogo nominalmente no ocupante do Planalto e nos ministros do STF, enquanto omitia a guerra na Faria Lima entre Vorcaro e André Esteves", observa análise da Revista Fórum, lembrando que o BTG sempre esteve próximo de colunistas influentes.

O resultado prático foi a mudança de relatoria: o caso Master, que agora tramita sob a condução de André Mendonça, teve todos os atos praticados por Toffoli mantidos, mas o desgaste político e a suspeição pública já estavam lançados. A Procuradoria-Geral da República, que acompanha as investigações sobre os vazamentos, classifica a situação como uma tentativa de criar "suspeitas artificiais" contra ministros da Corte.

A Receita Federal, em nota, afirmou que "não tolera desvios" e que seus sistemas são "totalmente rastreáveis", tendo identificado os acessos irregulares e repassado as informações à autoridade policial. No Congresso, já há quem peça uma investigação mais ampla sobre o uso de informações sigilosas para fins de lawfare, incluindo a possível participação de jornalistas que se beneficiaram de dados obtidos de forma criminosa.

Com informações de Estadão, UOL, GZH, Estado de Minas, CNN Brasil, Revista Fórum, Bem Paraná, Jovem Pan, Expresso222 ■

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