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A retórica "America First" da administração Trump, traduzida em política externa e militar, consolidou uma doutrina de intervenção explicitamente vinculada ao acesso e controle de recursos naturais estratégicos. Longe de ser um retorno ao isolacionismo, esta abordagem representou um intervencionismo sui generis, frequentemente desvinculado de alianças tradicionais e justificativas multilaterais, e focado em garantir vantagem energética e tecnológica para os Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump foi direto ao ponto em 2022: "Temos que ir pegar o petróleo... por que os soldados americanos morreram no Oriente Médio se não foi para pegar o petróleo?".
Esta visão instrumental da projeção de poder não se limitou à retórica. Na prática, transformou segmentos das forças armadas dos EUA em instrumentos de execução de uma política econômica predatoria. A Operação Southern Spear, iniciada em dezembro de 2025 para estrangular as exportações de petróleo da Venezuela, é um caso emblemático: uma frota liderada pelo porta-aviões USS Gerald R. Ford realizou uma série de apreensões de navios-tanque no Caribe e em águas distantes como o Atlântico Norte e o Oceano Índico. Um porta-voz do Departamento de Defesa descreveu a missão como "assumir o controle da produção, refino e distribuição global do petróleo venezuelano", um objetivo inédito em clareza para uma operação militar.
O alvo não era apenas o petróleo. A segurança da cadeia de suprimentos de terras raras — minerais essenciais para ímãs de alta potência, baterias, lasers e equipamentos militares de ponta — tornou-se uma questão de segurança nacional. A China domina cerca de 60% da produção mundial e quase 90% do processamento, criando uma vulnerabilidade estratégica que a administinação Trump buscou corrigir por meio de pressão diplomática e militar. Em 2020, Trump assinou uma ordem executiva declarando emergência nacional na mineração, visando reduzir a dependência dos EUA e apoiar a mineração doméstica e de aliados.
Do Petróleo aos Minerais: A Estratégia de Duas Frentes
A política de recursos pode ser analisada em dois eixos principais, ambos com profundas implicações militares e geopolíticas:
O Custo Estratégico: Soberania, Alianças e Legitimidade
Esta abordagem gerou custos significativos e redefiniu percepções sobre o papel dos EUA no mundo:
A administração Trump legou uma doutrina onde a força militar é um braço da política econômica de recursos. Embora eficaz em interromper fluxos de petróleo de regimes adversários no curto prazo, essa estratégia sacrificou capital diplomático, alimentou acusações de neocolonialismo e estabeleceu instrumentos de poder — como o bloqueio naval baseado em sanções unilaterais — que podem ser replicados por outros atores globais, potencialmente contra os interesses dos próprios Estados Unidos. O desafio para administrações futuras será desfazer este entrelaçamento entre poder militar e apropriação de recursos sem criar novas vulnerabilidades estratégicas.
Com informações de: Anadolu Agency, BBC, Reuters, Foreign Affairs, Council on Foreign Relations, The Guardian, U.S. Department of Defense ■