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Governo Trump anuncia retirada parcial de agentes do ICE de Minnesota
Medida retira 700 dos mais de 3.000 agentes federais enviados ao estado; anúncio ocorre em meio a distribuição de câmeras corporais e investigações sobre as fatalidades
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 04/02/2026

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (4) a retirada imediata de 700 agentes da Imigração e Alfândega (ICE) do estado de Minnesota. A decisão representa um recuo parcial na operação de segurança que havia mobilizado mais de 3.000 agentes federais na região de Minneapolis e St. Paul, disparando uma onda de protestos nacionais após a morte de dois cidadãos americanos, Renée Good e Alex Pretti, em janeiro. O anúncio foi feito por Tom Homan, o "czar da fronteira" de Trump, enviado ao estado para gerenciar a crise.

Paralelamente à redução de efetivo, o Departamento de Segurança Interna (DHS) iniciou a distribuição de câmeras corporais para todos os agentes do ICE em Minneapolis. A secretária do DHS, Kristi Noem, afirmou que o programa será expandido para todo o país conforme a disponibilidade de recursos. A medida é uma resposta direta aos protestos, embora alguns agentes já utilizassem o equipamento anteriormente sem que isso fosse uma exigência uniforme.

Os Incidentes que Inflamaram os Protestos

Os protestos que pressionaram por essa mudança foram desencadeados por duas mortes específicas:

  • Renée Good (37 anos): A poeta e mãe de três foi baleada dentro de seu carro por um agente do ICE em 7 de janeiro. O agente, identificado como Jonathan Ross, atirou três vezes contra o veículo que se movia para longe dele. O governo Trump defendeu a ação alegando que Good atropelou o agente, mas análises de vídeo do The New York Times contestam essa versão, mostrando que Ross não foi atropelado e se posicionou à frente do carro. Good era uma observadora treinada de atividades do ICE, atuando em um grupo que alertava a comunidade sobre operações de imigração.
  • Alex Pretti (37 anos): O enfermeiro de terapia intensiva do sistema de saúde para veteranos foi morto a tiros por agentes em 24 de janeiro, enquanto observava e filmava uma operação. O DHS inicialmente o chamou de "terrorista doméstico", alegação baseada em um vídeo de um confronto ocorrido 11 dias antes, no qual Pretti quebrou a lanterna traseira de um veículo do ICE. Entretanto, vídeos do tiroteio fatal mostram Pretti imobilizado no chão e atingido por dez tiros, sem que tenha sacado a arma que portava legalmente. A Universidade de Minnesota, onde Pretti se formou, o homenageou destacando seu compromisso com o cuidado humano e a observação crítica do poder.

Escala da Operação e Detalhes da Retirada

A "Operação Metro Surge" representou um aumento massivo na presença federal em Minnesota. Antes dela, o estado contava com entre 100 e 150 agentes do ICE. Nos últimos dois meses, mais de 3.000 agentes foram enviados, um contingente que superava em cinco vezes o efetivo total da polícia local de Minneapolis. Com a retirada anunciada, cerca de 2.000 agentes permanecerão no estado.

Tom Homan justificou a redução citando uma cooperação "sem precedentes" com os xerifes dos condados, que administram as cadeias locais. Ele afirmou que, se os oficiais notificarem o ICE sobre a libertação de imigrantes indocumentados das cadeias, haverá menos necessidade de operações nas ruas. No entanto, ele não especificou quais condados teriam firmado esses acordos, e muitos, como o Condado de Hennepin (onde fica Minneapolis), têm leis estaduais que proíbem essa cooperação.

Contexto Político e Reações Contraditórias

O anúncio reflete uma tentativa de administrar uma crise política. A administração Trump deu sinais conflitantes nas últimas semanas:

  1. Retórica Inflamada: Imediatamente após as mortes, altos funcionários, como a secretária Noem e o conselheiro Stephen Miller, rotularam as vítimas como "terroristas domésticos".
  2. Mudança de Comando: Após a morte de Pretti, Trump removeu o comandante da operação em Minneapolis, Gregory Bovino, e enviou Tom Homan para o estado.
  3. Sinais de Desescalada: O presidente chegou a dizer que queria "desescalar" a situação e chamou a morte de Pretti de "muito infeliz".
  4. Recuo na Retórica: Dias depois, no entanto, Trump voltou a chamar Pretti de "agitador e, talvez, insurgente" em suas redes sociais, atendendo a pressões de sua base mais conservadora.

Líderes locais de Minnesota, como o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador Tim Walz, celebraram a retirada parcial, mas continuam pedindo o fim completo da presença massiva do ICE, que consideram desestabilizadora.

Investigações em Andamento

As mortes continuam sob escrutínio. O Departamento de Justiça abriu uma investigação sobre a violação de direitos civis no caso de Alex Pretti. O caso de Renée Good levou mais de uma dúzia de promotores federais a renunciarem em protesto após a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça se recusar a abrir uma investigação constitucional. O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, junto com as cidades de Minneapolis e St. Paul, também moveu uma ação judicial contra o DHS para interromper as operações do ICE no estado.

Enquanto isso, Homan deixou claro que a política de imigração dura de Trump permanece: "O presidente Trump tem toda a intenção de realizar deportações em massa durante este governo". A retirada de 700 agentes de Minnesota é, portanto, mais um ajuste tático em uma estratégia de imigração que continua a gerar confrontos e divisões profundas no país.

Com informações de: G1, Wikipedia, College of Liberal Arts - University of Minnesota, NBC News, PBS NewsHour, CNN Brasil, Labor Notes, The Guardian, The New York Times, Folha de S.Paulo ■

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