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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (4) a retirada imediata de 700 agentes da Imigração e Alfândega (ICE) do estado de Minnesota. A decisão representa um recuo parcial na operação de segurança que havia mobilizado mais de 3.000 agentes federais na região de Minneapolis e St. Paul, disparando uma onda de protestos nacionais após a morte de dois cidadãos americanos, Renée Good e Alex Pretti, em janeiro. O anúncio foi feito por Tom Homan, o "czar da fronteira" de Trump, enviado ao estado para gerenciar a crise.
Paralelamente à redução de efetivo, o Departamento de Segurança Interna (DHS) iniciou a distribuição de câmeras corporais para todos os agentes do ICE em Minneapolis. A secretária do DHS, Kristi Noem, afirmou que o programa será expandido para todo o país conforme a disponibilidade de recursos. A medida é uma resposta direta aos protestos, embora alguns agentes já utilizassem o equipamento anteriormente sem que isso fosse uma exigência uniforme.
Os protestos que pressionaram por essa mudança foram desencadeados por duas mortes específicas:
A "Operação Metro Surge" representou um aumento massivo na presença federal em Minnesota. Antes dela, o estado contava com entre 100 e 150 agentes do ICE. Nos últimos dois meses, mais de 3.000 agentes foram enviados, um contingente que superava em cinco vezes o efetivo total da polícia local de Minneapolis. Com a retirada anunciada, cerca de 2.000 agentes permanecerão no estado.
Tom Homan justificou a redução citando uma cooperação "sem precedentes" com os xerifes dos condados, que administram as cadeias locais. Ele afirmou que, se os oficiais notificarem o ICE sobre a libertação de imigrantes indocumentados das cadeias, haverá menos necessidade de operações nas ruas. No entanto, ele não especificou quais condados teriam firmado esses acordos, e muitos, como o Condado de Hennepin (onde fica Minneapolis), têm leis estaduais que proíbem essa cooperação.
O anúncio reflete uma tentativa de administrar uma crise política. A administração Trump deu sinais conflitantes nas últimas semanas:
Líderes locais de Minnesota, como o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador Tim Walz, celebraram a retirada parcial, mas continuam pedindo o fim completo da presença massiva do ICE, que consideram desestabilizadora.
As mortes continuam sob escrutínio. O Departamento de Justiça abriu uma investigação sobre a violação de direitos civis no caso de Alex Pretti. O caso de Renée Good levou mais de uma dúzia de promotores federais a renunciarem em protesto após a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça se recusar a abrir uma investigação constitucional. O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, junto com as cidades de Minneapolis e St. Paul, também moveu uma ação judicial contra o DHS para interromper as operações do ICE no estado.
Enquanto isso, Homan deixou claro que a política de imigração dura de Trump permanece: "O presidente Trump tem toda a intenção de realizar deportações em massa durante este governo". A retirada de 700 agentes de Minnesota é, portanto, mais um ajuste tático em uma estratégia de imigração que continua a gerar confrontos e divisões profundas no país.
Com informações de: G1, Wikipedia, College of Liberal Arts - University of Minnesota, NBC News, PBS NewsHour, CNN Brasil, Labor Notes, The Guardian, The New York Times, Folha de S.Paulo ■