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INSS retoma atendimentos na segunda após paralisação para modernização
Instabilidade nos sistemas desde o dia 19 e fechamento total dos canais a partir do dia 27 deixaram segurados sem acesso a serviços essenciais; mutirões anteciparam 21 mil atendimentos
Politica
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■   Bernardo Cahue, 29/01/2026

Os mais de 35 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltarão a ter acesso integral aos serviços na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro. A paralisação, que começou de forma gradativa e instável a partir do dia 19 de janeiro e se tornou total na noite do dia 27, afetou todos os canais de atendimento: agências físicas, o aplicativo e site Meu INSS e a central telefônica 135. A interrupção foi necessária para a migração dos sistemas previdenciários para uma plataforma tecnológica mais moderna, operação conduzida pela Dataprev, empresa de tecnologia da Previdência.

Apesar de programada, a transição foi precedida por dias de instabilidade que pegaram segurados e o próprio INSS de surpresa. Relatos de filas em agências e a completa indisponibilidade dos sistemas digitais foram comuns. "Cheguei até aqui, uma filona, e não consegui nada, tudo fechado. Não tem nenhuma pessoa para dar um parecer para a pessoa. É desrespeito com a gente", desabafou a aposentada Maria Lira, em Porto Alegre. A Dataprev atribuiu a queda no sistema a um aumento excepcional de acessos, cerca de seis vezes acima do normal, impulsionado pela divulgação da própria manutenção.

Mais de 90 serviços digitais ficaram indisponíveis durante o período de paralisação total. Entre os principais impactados estão:

  • Solicitação de benefícios: como aposentadoria por idade ou tempo de contribuição, pensão por morte, auxílio-doença e salário-maternidade.
  • Serviços de agendamento e acompanhamento: como agendamento de perícias médicas e consulta ao andamento de processos.
  • Emissão de documentos e extratos: incluindo extrato do CNIS (Contribuições Previdenciárias) e extrato para declaração do Imposto de Renda.
  • Serviços cadastrais: como prova de vida digital e atualização de dados.

Para mitigar os impactos, o INSS realizou mutirões de atendimento presencial no fim de semana anterior ao fechamento, antecipando mais de 21 mil atendimentos entre perícias e avaliações sociais. Quem tinha atendimento marcado para os dias de paralisação e não pôde ser atendido nesses mutirões poderá consultar uma nova data a partir do dia 2 de fevereiro. Além disso, o instituto prorrogou prazos administrativos. O prazo para contestar descontos indevidos em benefícios, que terminaria em 14 de fevereiro, foi estendido até 20 de março.

Especialistas e entidades do setor veem a crise recente como sintoma de problemas estruturais. O Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindisprev-RS) alertou que a paralisação acontece no momento em que o INSS acumula a maior fila de sua história, com cerca de 3 milhões de pedidos pendentes. Paralelamente, o quadro de servidores encolheu drasticamente nas últimas décadas, passando de quase 80 mil para menos de 19 mil atualmente. "Como não tem servidores suficientes para atender... está tudo escorado no sistema. E aí talvez tenha sobrecarregado os sistemas com isso", analisou Jane Berwanger, diretora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

Um ponto de alívio para os segurados é que o calendário de pagamentos de janeiro e fevereiro não será afetado pela manutenção. Os depósitos seguem as datas pré-estabelecidas com base no dígito final do cartão de benefício e no valor recebido (até um salário mínimo ou acima).

Com informações de: G1, Agencia Brasil, meutudo, Primeira Página, Bocchi Advogados, GaúchaZH, Instituto de Longevidade MAG ■

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