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O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da tentativa de golpe de Estado, deixou o país e foi localizado em um condomínio de luxo em North Miami, nos Estados Unidos. Sua fuga ocorre às vésperas do possível início do cumprimento de sua pena de 16 anos, um mês e 15 dias de prisão.
De acordo com apuração, Ramagem viajou com a esposa e as filhas há pouco mais de um mês. Para burlar a vigilância do sistema brasileiro, ele seguiu de carro até um país vizinho - cujo nome não foi divulgado - e de lá embarcou em um voo comercial com destino a Miami. A saída do território nacional foi realizada sem autorização do STF, que havia determinado a entrega de seus passaportes como uma das medidas cautelares no processo.
O parlamentar conseguiu passar pela imigração utilizando um passaporte diplomático cancelado. A estratégia funcionou porque, segundo as informações apuradas, o passaporte só geraria alerta nos sistemas de outros países se houvesse um mandado de prisão internacional (difusão vermelha da Interpol) ativo contra ele, o que ainda não era o caso.
O refúgio escolhido por Ramagem é o condomínio Solé Mia, em North Miami, descrito como um complexo de luxo que conta com uma lagoa artificial do tamanho de dois campos de futebol, cercada por areia branca e palmeiras, imitando uma praia caribenha. O local oferece:
O aluguel de um apartamento simples no condomínio custa, em média, R$ 2 mil por diária. A região é conhecida por abrigar majoritariamente famílias ricas da América Latina, incluindo muitos brasileiros.
Ramagem está afastado da Câmara dos Deputados por meio de uma licença médica desde setembro, que foi renovada em 13 de outubro e tem validade até 12 de dezembro. Nesta quarta-feira (19), ele foi flagrado pelo PlatôBR vestindo roupas esportivas ao lado da esposa, Rebeca Ramagem, a caminho da academia do complexo.
O deputado foi condenado em setembro pela Primeira Turma do STF pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A corte acolheu por 4 votos a 1 a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que Ramagem, enquanto chefiava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), municiou o ex-presidente Jair Bolsonaro com argumentos para questionar a legitimidade das urnas eletrônicas e das eleições.
As provas que embasaram a condenação incluíam três documentos apreendidos com ele pela Polícia Federal que listavam argumentos para atacar as urnas eletrônicas. A denúncia também o apontava como comandante da chamada "Abin paralela", uma estrutura que operava dentro da agência para subsidiar ataques virtuais e notícias falsas contra adversários políticos.
Apesar de as autoridades já considerarem a ação uma fuga, Ramagem ainda não é formalmente considerado foragido, pois a decisão final sobre sua condenação só deve ser publicada nas próximas semanas. Quando isso ocorrer, se a sentença for mantida, a ordem de prisão para cumprimento da pena deve ser imediata.
Com informações de Noticias R7, Estado de Minas, Valor International e O Globo ■