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Colheita recorde de milho nos EUA não acaba com a incerteza no campo
Estimativa de produção para 2025/26 é 15% superior à média histórica, mas guerra comercial, dívidas e intervenção do governo criam um cenário de contradições para os agricultores
America do Norte
Foto: https://www.reuters.com/resizer/v2/M4527XVQ25C5HGFYWL2TY7NJSI.jpg?auth=1d2b4fecbf7fd1a09b714a63f5bd374ec4eef2c68792b919785b2562ab70718b&width=960&quality=80
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■   Bernardo Cahue, 25/10/2025

Os produtores rurais dos Estados Unidos estão colhendo uma safra de milho excepcional para 2025/26, com uma produção estimada em 427,11 milhões de toneladas, um crescimento de 13,1% em relação à safra anterior e 15,10% acima da média das últimas cinco temporadas. A área colhida também aumentou, projetada em 36,44 milhões de hectares.

No entanto, este volume recorde não tem sido sinônimo de otimismo generalizado. Uma combinação de fatores políticos e econômicos gera apreensão no campo norte-americano:

  • Guerra Comercial com a China: O conflito tarifário com os chineses fez com que o principal comprador de soja do mundo praticamente parasse de adquirir o produto dos EUA, preferindo fornecedores como o Brasil. Produtores de soja relatam a completa ausência de novos negócios com a China desde maio.
  • "Shutdown" do Governo: A paralisação parcial do governo federal interrompeu pagamentos e atrasou o acesso a empréstimos agrícolas federais, elementos cruciais para os produtores no auge da colheita de outono. O Departamento de Agricultura (USDA) teve cerca de metade de sua equipe dispensada temporariamente.
  • Descontentamento com Políticas: Medidas do governo Trump, como o plano de aumentar as importações de carne bovina da Argentina, geraram críticas de pecuaristas, parte importante de sua base eleitoral, que se sentem prejudicados pela concorrência estrangeira.

Apesar do bom desempenho das lavouras, com 67% das áreas de milho classificadas como boas ou excelentes, a combinação entre estoques elevados, exportações mais lentas e as tensões comerciais deve manter os preços internacionais sob controle, limitando potenciais valorizações. Analistas alertam os produtores, inclusive no Brasil, para ficarem atentos a essa pressão de oferta na hora de definir suas estratégias de comercialização.

Enquanto isso, o "shutdown" governamental suspendeu a publicação de relatórios essenciais para o mercado, como o World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), que fornece as estimativas oficiais de oferta e demanda. A falta desses dados oficialmente consolidados adiciona mais uma camada de incerteza a um cenário já complexo para quem produz alimentos nos Estados Unidos.

Com informações de: Agrolink, G1, CNN Brasil, USDA, Rural News, Epagri.sc.gov.br, IstoÉ Dinheiro, Veja. ■

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