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Lula e Trump conversam por 50 minutos por telefone
Segundo informações, foram abordados temas sensíveis como Conselho de Paz, Gaza, reforma da ONU e cooperações bilaterais
Politica
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■   Bernardo Cahue, 26/01/2026

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump realizaram uma extensa conversa telefônica de 50 minutos nesta segunda-feira (26), que resultou no acerto de um encontro presencial em Washington. A ligação, a primeira entre os dois desde a intervenção militar dos EUA na Venezuela, abordou temas sensíveis como uma proposta norte-americana de conselho de paz, a crise em Gaza, a reforma da ONU e a cooperação bilateral em economia e segurança.

Acordo para Encontro nos Estados Unidos

O ponto concreto da conversa foi o acordo para uma visita de Lula a Washington. A data exata ainda será definida, mas fontes indicam que o encontro deve ocorrer após fevereiro, possivelmente em março, seguindo viagens do presidente brasileiro à Índia e Coreia do Sul. Este será o primeiro encontro dos dois na Casa Branca e concretiza rumores de uma aproximação que vinha sendo discutida nos bastidores desde o final de 2025.

Os Temas Centrais da Ligação

A ligação de 50 minutos foi densa e tratou de uma agenda internacional complexa e de relações bilaterais. Os principais tópicos foram:

  • Conselho da Paz e Gaza: Lula respondeu a um convite de Trump para que o Brasil integre seu "Conselho da Paz", uma iniciativa global de resolução de conflitos lançada em Davos. O presidente brasileiro fez uma contraproposta clara: que o conselho "se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina". A ausência da Palestina em um órgão que inclui Israel é um dos pontos de resistência do Brasil.
  • Reforma da ONU vs. Nova Instituição: Lula reiterou a defesa de uma reforma abrangente das Nações Unidas, incluindo a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança, em oposição clara à criação de um novo fórum presidido por Trump. Para o Brasil, a proposta norte-americana concentra poder demais nas mãos dos EUA.
  • Venezuela: Em um tom de cautela, Lula ressaltou "a importância de preservar a paz e a estabilidade da região" ao tratar da Venezuela, país onde os EUA realizaram uma intervenção militar. Em conversas anteriores, Lula já havia expressado preocupação de que uma ação militar americana pudesse desencadear um conflito armado na América do Sul.
  • Indicadores Econômicos e Relacionamento Bilateral: Os dois líderes trocaram informações sobre a economia de seus países e celebraram o bom relacionamento construído nos últimos meses. Trump afirmou que o crescimento econômico dos EUA e do Brasil é positivo para toda a região.
  • Combate ao Crime Organizado: Lula reapresentou uma proposta enviada em dezembro para fortalecer a cooperação nesta área, com foco em lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos e intercâmbio de dados financeiros.

Contexto Geopolítico e Expectativas para o Encontro

A ligação ocorre em um momento de reposicionamento global. Um relatório de risco político de janeiro de 2026 destaca que, apesar de tensões pontuais (como os altos impostos de importação aplicados pelos EUA ao Brasil em 2025, posteriormente amenizados), há um interesse estratégico norte-americano em normalizar relações com o Brasil. Este interesse é impulsionado pela necessidade dos EUA de reduzir sua dependência de minerais críticos chineses, recurso no qual o Brasil é rico.

Antes mesmo desta conversa, analistas e fontes do governo brasileiro já consideravam provável um encontro de cúpula no primeiro trimestre de 2026. No entanto, autoridades brasileiras deixavam claro que a visita dependeria de progressos concretos em negociações em andamento, especialmente sobre tarifas comerciais e o acordo de combate ao crime organizado.

Implicações Estratégicas para a Relação Brasil-EUA

A convergência telefônica e o futuro encontro em Washington sinalizam uma relação pragmaticamente administrada, apesar das profundas diferenças ideológicas e de visão de mundo. Pontos estratégicos para o Brasil incluem:

  1. Buscar um acordo bilateral de comércio e investimentos que mitigue a aplicação de medidas protecionistas por parte dos EUA.
  2. Avancar na cooperação em segurança, uma área de interesse mútuo declarado.
  3. Manter sua posição autônoma em fóruns multilaterais, defendendo a reforma da ONU e uma solução para Gaza que inclua a Palestina, mesmo sob pressão de iniciativas unilaterais dos EUA.

A reunião presencial, quando ocorrer, será o teste definitivo para saber se o diálogo cordial pode se traduzir em resultados concretos para uma parceria que é historicamente turbulenta, mas sempre central para os dois países.

Com informações de: noticias.r7.com, english.alarabiya.net, noticias.uol.com.br, marketscreener.com, valorinternational.globo.com, congressoemfoco.com.br, eurasiagroup.net ■

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