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Irã afirma que não irá negociar com EUA após assalto a navio
Teerã denuncia 'pirataria armada' e suspende participação em rodada de conversas em Islamabad; cessar-fogo expira na quarta-feira
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 20/04/2026

O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (20) que não tem planos de participar de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos para estender o frágil cessar-fogo que expira na quarta-feira (22), depois que forças navais americanas atacaram e apreenderam um navio cargueiro de bandeira iraniana no Golfo de Omã. A decisão foi comunicada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, em entrevista coletiva, citando o que chamou de "violações claras" do acordo de trégua por parte de Washington.

"Enquanto falo, não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a respeito", declarou Baghaei. O porta-voz acrescentou que os EUA não têm sido sérios no processo diplomático, adotando "exigências excessivas, expectativas irrealistas, mudanças constantes de posição e contradições repetidas". A agência estatal Irna informou que a recusa iraniana também se deve ao bloqueio naval contínuo aos portos iranianos, considerado por Teerã como uma violação do cessar-fogo.

O incidente que precipitou a crise ocorreu no domingo (19), quando o destróier de mísseis guiados USS Spruance interceptou o cargueiro Touska, de quase 275 metros de comprimento, que tentava furar o bloqueio naval imposto pelos EUA. Após a tripulação iraniana ignorar ordens de parada por cerca de seis horas, os militares americanos dispararam contra a sala de máquinas, desativando os sistemas de propulsão, e fuzileiros navais desceram por cordas de helicópteros para assumir o controle da embarcação. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a ação em sua rede social Truth Social, afirmando que o navio "tentou ultrapassar nosso bloqueio naval, e não deu certo para eles".

O comando militar iraniano classificou a ação como "pirataria armada" e "violação do cessar-fogo", prometendo uma resposta rápida. A mídia estatal iraniana informou que Teerã lançou drones contra navios de guerra dos EUA após o incidente, embora não tenham sido relatados danos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em telefonema ao premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, que as ações de Trump aumentaram a suspeita de que os EUA repetirão padrões anteriores e "trairão a diplomacia".

As negociações mediadas pelo Paquistão, que seriam realizadas nesta segunda-feira (20) em Islamabad, estavam sendo vistas como a última chance de estender a trégua de duas semanas, iniciada em 8 de abril. A Casa Branca havia confirmado que uma delegação liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado do enviado especial Steve Witkoff e do genro de Trump, Jared Kushner, estava a caminho da capital paquistanesa. No entanto, com a recusa iraniana, a perspectiva de um acordo se torna cada vez mais remota.

O presidente Trump, por sua vez, manteve a retórica de pressão, ameaçando destruir "todas as usinas de energia e todas as pontes do Irã" caso Teerã não aceite os termos americanos. Em entrevista à Fox News, Trump classificou a proposta dos EUA como "um acordo muito justo e razoável". O presidente também afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado até que um acordo seja finalizado.

A comunidade internacional acompanha com preocupação a escalada. A China, por meio de seu porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, expressou preocupação com a "interceptação forçada" do navio Touska pelas forças dos EUA e pediu que as partes envolvidas honrem o acordo de cessar-fogo. O Paquistão, por sua vez, intensificou os contatos diplomáticos com ambas as partes e manteve o esquema de segurança em Islamabad, com o fechamento de ruas e a suspensão do transporte público, na expectativa de que as negociações possam ser retomadas.

Os preços do petróleo reagiram imediatamente às novas tensões. O barril do tipo Brent, referência global, subiu mais de 5%, ultrapassando os US$ 95, após o Irã ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O primeiro-vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, escreveu nas redes sociais: "A escolha é clara: ou um mercado de petróleo livre para todos, ou o risco de custos significativos para todos".

Analistas avaliam que a crise atual torna cada vez mais distante a possibilidade de uma solução diplomática para o conflito, que já matou mais de 3.375 pessoas no Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Com o cessar-fogo prestes a expirar e as hostilidades recomeçando, a região se prepara para uma nova fase de confrontos.

Com informações de G1, BBC News Brasil, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, UOL, InfoMoney, R7, Estadão, Poder360, Brasil de Fato, The Guardian, Al Jazeera, CNN International, BBC News, Geo TV, NDTV, The New Indian Express, Franceinfo, Le Monde, China Daily, Global Times, Alquds, Reuters (Japão), Nikkei, Asahi Shimbun, Jiji, Mainichi Shimbun, El País, Deutsche Welle, Antena 3, Le Soir, La Presse, Euronews, Journal de Montréal, TVBS News, CCTV, Bloomberg, Associated Press, CartaCapital, Exame, Veja, Correio Braziliense, Observador, Público, SIC Notícias, RTP, Diário360, Revista Fórum, Times Brasil, Movimento Econômico ■

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