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Ormuz permanece fechado pela marinha iraniana
Comunicado para navios após vigência do cessar-fogo informa que qualquer embarcação que tentar passar sem a devida autorização da Guarda Revolucionária será destruída
Oriente-Medio
Foto: https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2026-03-02T054213Z_727688294_RC29U4A8H31Z_RTRMADP_3_IRAN-CRISIS-SHIP-INSURANCE.jpg?fit=1280%2C853&quality=50&strip=all
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■   Bernardo Cahue, 10/04/2026

O Estreito de Ormuz, a artéria energética mais vital do planeta, continua sob o controle efetivo da Marinha do Irã, que emitiu ameaças diretas de destruição contra qualquer embarcação que tente atravessar a via sem autorização expressa de Teerã. A postura desafiadora persiste mesmo após a declaração de um cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos, anunciado na noite de terça-feira (7) sob mediação do Paquistão. A comunidade internacional assiste a um frágil impasse: enquanto navios começam a se mover timidamente, a mensagem iraniana é clara e inegociável.

Em um comunicado transmitido por rádio na quarta-feira (8) a dezenas de navios ancorados nas proximidades, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica declarou: “É necessária a permissão da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica para atravessar o estreito. Qualquer embarcação que tentar passar sem autorização será destruída”. A mensagem, compartilhada com o The Wall Street Journal por um dos tripulantes, reforça que o controle iraniano sobre o estreito, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, não foi suspenso, anulando de fato a reabertura ampla e irrestrita que Washington esperava.

Fontes do setor marítimo confirmaram à agência Reuters que a Marinha iraniana reiterou que o trânsito pela via marítima permanecia fechado. As ameaças surgiram horas depois de Israel supostamente violar o frágil cessar-fogo, conforme reportado pela agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária. Apesar do anúncio de trégua, o Irã deixou claro que a passagem só será possível mediante coordenação direta com suas forças armadas e o pagamento de taxas, indicando que o estreito pode nunca mais retornar ao seu status quo anterior à guerra.

Na prática, a situação no terreno é contraditória. Dados da plataforma de navegação marítima MarineTraffic mostravam que, na manhã de quarta-feira (8), os primeiros sinais de atividade começaram a surgir, com o graneleiro de bandeira liberiana Daytona Beach e o navio de bandeira grega NJ Earth conseguindo atravessar o estreito. A empresa de monitoramento Lloyd's List, no entanto, reportou que mais de 800 navios continuam retidos no Golfo Pérsico, aguardando permissão e avaliando os riscos. A passagem de alguns poucos navios parece ser uma exceção cuidadosamente orquestrada para demonstrar boa-fé, e não o fim do bloqueio.

O anúncio do cessar-fogo, que entrou em vigor 90 minutos antes do prazo final dado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foi recebido com cautela. Trump havia ameaçado “exterminar a civilização iraniana” se o estreito não fosse reaberto. Em troca da suspensão dos ataques americanos e israelenses, Teerã concordou verbalmente em reabrir a rota. Contudo, na prática, impôs novas condições. O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a passagem segura será possível “por um período de duas semanas, através da coordenação com as forças armadas do Irã e considerando as limitações técnicas”. O governo iraniano também apresentou uma proposta de 10 pontos a Washington, que inclui compensação integral pelos danos de guerra, suspensão de todas as sanções e manutenção do controle iraniano sobre o tráfego marítimo.

A diplomacia global está em movimento frenético. A China e a Rússia, aliadas do Irã, vetaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que buscava proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, classificando a medida como tendenciosa contra Teerã. Enquanto isso, o primeiro-ministro do Japão, Sanae Takaichi, realizou uma chamada telefônica de 25 minutos com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, instando Teerã a garantir a passagem segura para navios de todas as nações, destacando a dependência japonesa de mais de 90% do petróleo importado da região. Omã também tem atuado como intermediário, buscando um protocolo em tempos de paz para monitorar o tráfego no estreito.

A situação continua volátil. Um alto funcionário iraniano disse à Reuters que a reabertura limitada pode ocorrer já na quinta ou sexta-feira (9 ou 10), mas alertou que “o cessar-fogo continua frágil” e que o Irã “não tem medo de voltar à guerra” se os EUA insistirem no confronto. Representantes dos dois países devem se reunir na sexta-feira no Paquistão para negociar um plano de paz definitivo, mas, por enquanto, o Estreito de Ormuz continua sendo uma arma geopolítica nas mãos de Teerã, mantendo o mundo em suspense sobre o futuro do abastecimento energético global.

Com informações de The Jerusalem Post, Gulf News, Reuters, Associated Press, BBC, Al Jazeera, TASS, Xinhua, Kyodo News, WION, Arab News, Khaleej Times, Tempo.co, CBN Globo, Valor Econômico, MarineTraffic, Lloyd's List, Fars News, The Wall Street Journal ■

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