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O perito criminal federal João Cláudio Nabas, alvo da 7ª fase da Operação Compliance Zero, revelou a uma delegada da Polícia Federal que atuava diretamente nas investigações sobre o Banco Master que mantinha uma relação antiga com a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. Segundo apuração do ICL Notícias, a abordagem ocorreu inicialmente de forma presencial e, dias depois, foi retomada por mensagens enviadas à delegada.
Nos diálogos, Nabas afirmava ser fonte da colunista havia anos e dizia que costumava repassar informações à jornalista. Em uma das conversas, ele também sugeriu que a delegada poderia compartilhar dados relacionados ao inquérito do caso Master. A delegada comunicou imediatamente o episódio aos superiores e apresentou as mensagens recebidas. O relato passou a integrar os elementos analisados internamente e reforçou suspeitas que já começavam a surgir em torno da atuação do servidor, contribuindo para o aprofundamento da apuração que mais tarde resultaria na operação autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
O episódio ajuda a explicar um dos bastidores da investigação revelada quando o Estadão publicou que a Polícia Federal apura a atuação de Nabas no suposto vazamento de documentos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Entre os materiais analisados estão arquivos identificados como “Moraes” e “Toffoli”, produzidos a partir do conteúdo apreendido durante a investigação.
Segundo a investigação, o perito teria compartilhado detalhes de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, ligado a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A PF apura um possível vazamento de documentos sigilosos extraídos do celular de Vorcaro.
A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça que Nabas “de fato criou os documentos relacionados aos magistrados” e que “a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçou os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos referentes às informações sobre os ministros do STF encontrados no celular apreendido de Daniel Vorcaro”. A corporação também sustentou que o perito “direcionou seus esforços em sentido contrário ao escopo precípuo das investigações, buscando, no material objeto de análise, supostos elementos desabonadores de ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”.
Após a abordagem à delegada, investigadores passaram a analisar acessos de Nabas a sistemas internos da Polícia Federal, registros de consultas e equipamentos eletrônicos ligados ao perito. O conjunto desses elementos teria consolidado os indícios que embasaram a operação deflagrada.
Com cerca de duas décadas de carreira na Polícia Federal, Nabas construiu trajetória na área de perícia em crimes financeiros e previdência complementar. Ele atua como chefe do Núcleo Técnico-Científico (NUTEC) da PF em Vilhena, Rondônia, função que ocupa desde 2009, e é professor de cursos voltados à investigação de fraudes financeiras.
A operação foi autorizada por André Mendonça, colega de Moraes e relator do caso Master no STF. Em nota, o STF ressaltou que “as medidas não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte”.
Principais pontos da revelação:
Com informações de Estadão, ICL Notícias, Revista Fórum, Brasil 247, Diário do Centro do Mundo ■