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Agente da PF plantou provas contra Moraes e Toffoli no celular de Vorcaro
Investigação aberta por determinação do ministro André Mendonça identificou que perito criminal João Cláudio Nabas criou arquivos com referências aos ministros do STF e sugeriu a colegas da corporação que o conteúdo fosse divulgado
Politica
Foto: https://media.gazetadopovo.com.br/2026/07/03094440/alexandre-de-moraes-com-dias-toffoli-foto-rosinei-coutinho-stf-660x372.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 03/07/2026

A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que identificou indícios de que o perito criminal João Cláudio Nabas produziu dois arquivos contendo referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com base em dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, atualmente em processo de liquidação.

De acordo com a investigação, além de elaborar os documentos, o servidor também teria incentivado colegas da corporação a repassar o conteúdo à imprensa. As informações constam no inquérito instaurado por determinação de Mendonça para apurar o vazamento de dados sigilosos obtidos no aparelho de Vorcaro.

Os arquivos produzidos pelo perito receberam os títulos “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”. Os documentos compilaram diálogos e menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli presentes no celular do banqueiro. Um deles incluía trechos de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

Especializado em crimes financeiros, Nabas passou a integrar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro de 2025. Registros internos da corporação indicam que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu os arquivos sobre os ministros. A cronologia foi reconstituída pela Polícia Federal a partir dos registros de acesso do usuário de Nabas no sistema interno da corporação.

A investigação levou ao cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra João Cláudio Nabas em maio, durante a 7ª fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, o perito também foi afastado de suas funções por suspeita de violação de sigilo funcional.

Em manifestação encaminhada ao ministro André Mendonça, a Polícia Federal afirmou que a análise dos metadados reforça a suspeita de que Nabas tenha produzido os documentos e organizado o envio das informações à imprensa. A PF relatou na representação:

“De fato criou os documentos relacionados aos magistrados e a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçaram os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos referentes às informações sobre os ministros do STF encontrados no celular apreendido de Daniel Vorcaro.”

Os investigadores também registraram que Nabas procurou nos dados “supostos elementos desabonadores de Ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”. A corporação sustentou ainda que o perito “direcionou seus esforços em sentido contrário ao escopo precípuo das investigações, buscando, no material objeto de análise, supostos elementos desabonadores de ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”.

Policiais federais que integravam a Operação Compliance Zero prestaram depoimento e disseram que Nabas sugeriu o vazamento das informações à imprensa. Um dos agentes relatou que o perito realizou parte da análise remotamente, a partir de Vilhena, em Rondônia, e encaminhou um arquivo em PDF sem identificação em 5 de dezembro. Os investigadores afirmam que a proposta foi rejeitada, mas, dias depois, detalhes do contrato envolvendo a esposa de Moraes vieram a público.

A Polícia Federal ressaltou no inquérito que jornalistas e profissionais protegidos pelo sigilo constitucional da fonte não são alvo da apuração, concentrada exclusivamente na suposta conduta de servidores públicos.

O ministro Gilmar Mendes afirmou que a única frente ainda não esclarecida no caso Banco Master envolve relações entre ministros do STF e Daniel Vorcaro.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de crimes financeiros envolvendo Vorcaro e o Banco Master, enquanto o inquérito sobre o vazamento tramita separadamente.

O caso tem desdobramentos relevantes no STF. O ministro André Mendonça se tornou relator do caso Master após a saída de Dias Toffoli. Toffoli negou acesso a mensagens de Vorcaro durante sua relatoria, afirmando que os dados extraídos dos celulares chegaram ao Supremo somente após Mendonça assumir o caso.

O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, autorizou operação da PF contra servidores suspeitos de vazar dados fiscais de ministros do STF e familiares.

A investigação sobre o vazamento e a atuação do perito Nabas continua em andamento, sob supervisão do ministro André Mendonça, que determinou a abertura do inquérito para apurar as circunstâncias da divulgação das informações sigilosas obtidas do celular de Daniel Vorcaro.

Principais pontos da investigação:

  • Perito identificado: João Cláudio Nabas, perito criminal da Polícia Federal, especializado em crimes financeiros.
  • Arquivos produzidos: “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, contendo diálogos e menções aos ministros.
  • Conteúdo: Um dos arquivos incluía trechos de contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a esposa de Alexandre de Moraes.
  • Cronologia: Acesso aos dados em 1º de dezembro de 2025; produção dos arquivos em 4 de dezembro.
  • Conduta investigada: Violação de sigilo funcional e incentivo ao vazamento de informações sigilosas à imprensa.
  • Medidas adotadas: Busca e apreensão em maio de 2026 e afastamento cautelar do perito.

Com informações de Estadão, Gazeta do Povo, GP1, Diário do Centro do Mundo, Revista Fórum ■

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