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Os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, têm travado uma ofensiva militar, econômica e diplomática contra nações do chamado "eixo do mal" redefinido — Irã, Venezuela e Cuba — sob o pretexto de ameaças nucleares, narcotráfico e defesa dos direitos humanos. Por trás da cortina de fumaça dos discursos oficiais, no entanto, o que se desenha é um plano de neo-colonização que visa a tomada de recursos estratégicos, a perpetuação da dependência mundial ao petróleo e a destruição de qualquer alternativa ao domínio financeiro do dólar. Este artigo desmonta os mitos fabricados pela máquina de propaganda estadunidense e revela as verdades incômodas que a grande imprensa insiste em ocultar.
A farsa nuclear: "Trump está salvando o mundo"
O mito mais recorrente na cobertura da guerra contra o Irã é o de que Donald Trump estaria atuando como arauto da paz, impedindo que o regime dos aiatolás desenvolva uma bomba atômica e desencadeie uma guerra nuclear. A narrativa é simples, repetitiva e eficaz: o Irã enriquece urânio, Trump exige o fim do enriquecimento, os EUA "salvam" o mundo. A imprensa ocidental, em sua maioria, reproduz essa versão acriticamente. Em abril de 2026, Trump reafirmou que o Irã "não poderá enriquecer mais urânio", referindo-se aos 441 kg de urânio enriquecido a 60% contabilizados pela AIEA — material suficiente, segundo especialistas, para "talvez dez bombas de baixo rendimento". A ameaça iraniana de elevar o enriquecimento a 90% em caso de novos ataques serviu de combustível para a escalada belicista.
O que a narrativa oficial omite, porém, é que o próprio Trump, em seu primeiro mandato, retirou os EUA do acordo nuclear de 2015 — um pacto que funcionava e que impunha rigorosas inspeções ao programa iraniano. Ao destruir a via diplomática, Trump criou a crise que agora diz estar resolvendo. Além disso, a guerra de cinco semanas contra o Irã, desencadeada em fevereiro de 2026, não teve como único objetivo o programa nuclear: foi, acima de tudo, um teste de força e uma demonstração de poderio militar, com bombardeios que atingiram inclusive centrais nucleares pela primeira vez. O "perigo nuclear" é, assim, uma fabricação conveniente para justificar uma agressão que atende a interesses muito mais prosaicos — como o controle do petróleo e das rotas de energia no Oriente Médio.
A farsa do narcotráfico: Maduro e a "guerra às drogas"
O mesmo padrão de manipulação discursiva foi aplicado na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026. A operação militar dos EUA, realizada sem autorização do Congresso e sem respaldo do direito internacional, foi justificada com a acusação de que o casal chefiava uma "conspiração de narcoterrorismo". O Departamento de Estado classificou a Venezuela como um Estado "narcoterrorista". A versão, no entanto, foi rapidamente desmentida pelo próprio Trump, que horas depois declarou, sem rodeios, que os EUA "administrariam a Venezuela" e explorariam "suas vastas reservas de petróleo". "Vamos administrar o país até que possamos fazer uma transição segura", disse Trump em entrevista coletiva. Mais tarde, o presidente afirmou que empresas petrolíferas americanas investiriam "bilhões de dólares" para reconstruir a infraestrutura do setor.
A acusação de narcotráfico, portanto, não passou de um pretexto raso e imediatamente descartado — mas que já havia cumprido seu papel de desinformar a opinião pública e legitimar uma invasão. A verdadeira motivação era o petróleo: a Venezuela detém a maior reserva comprovada do mundo, com 303 bilhões de barris. Trump queria as jazidas, não o fim das drogas. E a imprensa, mais uma vez, serviu de caixa de ressonância para a mentira inicial, corrigindo-a apenas quando a Casa Branca já havia mudado o discurso.
A farsa da escravidão: Cuba e o embargo de 66 anos
O governo Trump também acusou o regime cubano de "escravidão" — um termo grave, carregado de significado histórico, que evoca o passado colonial da ilha. A acusação serviu para justificar o endurecimento do embargo comercial que os EUA impõem a Cuba há 66 anos. O bloqueio, que começou em 1960 com a proibição de importações de açúcar cubano e se consolidou em 1962 sob o governo Kennedy, impede a chegada de petroleiros à ilha, estrangula sua economia e causa sofrimento humano generalizado. O governo Trump ameaçou aplicar tarifas a qualquer nação que tente enviar combustível a Cuba, colocando líderes latino-americanos em uma posição insustentável.
A hipocrisia é escancarada: os EUA acusam Cuba de escravidão enquanto mantêm um cerco econômico que já dura mais de seis décadas — um dos mais longos da história moderna. A Assembleia Geral da ONU votou repetidamente pelo fim do embargo, mas os EUA ignoram a comunidade internacional. A verdade é que Cuba se tornou um alvo não por suas violações de direitos humanos — que, aliás, são amplamente exageradas pela propaganda americana —, mas por sua resistência ao domínio imperialista e por sua integração ao BRICS, bloco que desafia a hegemonia ocidental.
O Brasil no alvo: sanções com a mesma cartilha
O Brasil, por sua vez, também está sofrendo sanções comerciais dos EUA sob as mesmas prerrogativas alegadas contra Cuba. Em julho de 2026, Trump renovou o estado de emergência contra o país e aplicou tarifas de 25% com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, sob a acusação de práticas comerciais desleais. O governo Lula repudiou a decisão, classificando as acusações como "injustas e inverídicas". O tarifaço, que incluiu uma sobretaxa de 12,5% por suposto uso de trabalho forçado, escancara o padrão: os EUA utilizam acusações morais — trabalho escravo, narcotráfico, terrorismo, proliferação nuclear — como instrumentos de coerção econômica contra países que não se submetem à sua agenda.
O Brasil é alvo não por acaso. O país é membro-fundador do BRICS e sede do Novo Banco de Desenvolvimento. Além disso, o sistema de pagamentos instantâneos PIX, criado pelo Banco Central do Brasil, é uma das peças-chave da plataforma BRICS Pay, que ameaça diretamente o domínio do dólar e do sistema SWIFT. Ao punir o Brasil, Trump ataca indiretamente todo o bloco, enviando um recado claro: quem ousar desafiar a hegemonia financeira dos EUA pagará o preço.
As verdades por trás dos mitos
1. Trump é um representante do poder corporativo
A primeira verdade que a imprensa convencional se recusa a admitir é que Donald Trump não é um estadista independente, mas um representante político controlado pelo poder das grandes empresas norte-americanas — majoritariamente bancos, financeiras e petrolíferas. A agenda de Trump atende, com mais ênfase, aos interesses da Exxon Mobil, Chevron, Credicard e VISA. Na luta pela tomada ou retomada de campos e poços de petróleo, Trump age como um porta-voz das petrolíferas. Em janeiro de 2026, ele se reuniu com executivos da Exxon e da Chevron para discutir investimentos de US$ 100 bilhões na Venezuela. O CEO da Exxon, Darren Woods, chegou a classificar o país como "uninvestable" (não investível) devido ao histórico de expropriações. Mesmo assim, Trump insistiu: "Vocês estão lidando diretamente conosco. Não estão lidando com a Venezuela".
No caso das operadoras de cartão de crédito — VISA, Mastercard e Credicard —, a luta é contra o PIX e as alternativas ao SWIFT. O sistema BRICS Pay, baseado em blockchain, conecta sistemas nacionais de pagamento, incluindo o PIX, e permite transações em moedas locais sem a necessidade do dólar ou do SWIFT. Essa é uma ameaça direta ao oligopólio das bandeiras de cartão e ao controle financeiro exercido pelos EUA. Não por acaso, Trump intensificou os embargos financeiros contra Cuba, Venezuela e Rússia — países que aderiram ou simpatizam com o BRICS Pay.
2. A luta é contra a desdolarização e a neo-colonização
A verdadeira batalha travada por Trump não é contra o terrorismo, as drogas ou as armas nucleares. É contra a desdolarização proposta pelo BRICS e pelo BID, que apresentam um novo sistema internacional baseado no PIX e em moedas digitais de bancos centrais. O BRICS Pay é uma ferramenta real de autonomia financeira, que permite a empresas e governos fazerem pagamentos diretamente em moedas locais, sem passar pelo dólar ou pelo SWIFT. Sua implementação gradual, começando por operações de consumidor para empresas, representa um marco na diversificação do sistema financeiro internacional.
Segurando as terras raras — minerais essenciais para a transição energética e tecnológica — e retardando ao máximo o avanço da transição ecológica, Trump auxilia diretamente as petrolíferas e perpetua a dependência mundial sobre o petróleo. A Venezuela, o Irã e Cuba são países ricos em recursos estratégicos. Ao desestabilizá-los, os EUA garantem que essas riquezas não sejam usadas para fortalecer um mundo multipolar. A neo-colonização, desta vez, não se faz com exércitos coloniais, mas com sanções, golpes de mercado e intervenções militares "humanitárias".
3. Os alvos são os países do BRICS — ou seus candidatos
Para executar seu plano, Trump escolheu diretamente os países que estão ligados ao BRICS. O Irã e Cuba são membros do bloco. A Venezuela só não entrou por veto do presidente Lula, que, pressionado pelos EUA, barrou sua adesão. O Brasil, como membro-fundador, sofre sanções retaliatórias. A Rússia, outro membro, já está sob um regime de sanções sem precedentes. O padrão é inequívoco: os EUA atacam não países "desviantes", mas nações que ousam construir uma ordem mundial alternativa.
4. O arsenal iraniano é uma prevenção legítima
Por fim, o arsenal apresentado pelo Irã na guerra contra os EUA e Israel não é uma ameaça ofensiva, mas uma prevenção legítima de um país que sofreu décadas de massacre judaico-ocidental no Oriente Médio. Desde a deposição do governo Mossadegh em 1953, passando pelo apoio ao Iraque de Saddam Hussein na guerra dos anos 1980, até o assassinato de cientistas nucleares e a sabotagem de suas centrífugas, o Irã tem sido vítima de uma agressão contínua patrocinada por Israel e pelos EUA. O programa nuclear iraniano nasceu como resposta a essa hostilidade — e não o contrário. A guerra de 2026, que começou com um ataque conjunto de Israel e EUA contra alvos no Irã, é apenas o capítulo mais recente de uma longa história de violência imperialista.
A cumplicidade da imprensa e a fábrica de mitos
A grande imprensa ocidental — com raras exceções — tem atuado como braço propagandístico do Departamento de Estado. Repete acriticamente os comunicados da Casa Branca, trata acusações não verificadas como fatos consumados e reserva espaço mínimo para as vozes dos países atacados. O jornalismo, que deveria ser um contrapoder, transformou-se em um megafone do império. Os mitos do "perigo nuclear iraniano", do "narcotráfico venezuelano" e da "escravidão cubana" são fabricados em Washington, embalados em linguagem técnica e vendidos ao público como verdade absoluta.
Quando a mentira é descoberta — como no caso de Maduro —, a correção vem em letras miúdas, sem o estardalhaço da acusação original. O dano, porém, já está feito: a opinião pública já absorveu a narrativa, e a verdade, quando chega, não tem a mesma força. Esse ciclo vicioso de desinformação é a base do consenso belicista que permite a Trump e seus aliados corporativos saquear o mundo em nome da "liberdade" e da "segurança".
Conclusão
O plano de neo-colonização dos EUA sobre o Irã — e sobre Venezuela, Cuba e Brasil — não é uma teoria da conspiração, mas uma realidade documentada por fatos, declarações e interesses econômicos escancarados. Os mitos que o cercam são fabricados para ocultar a verdade mais simples e mais brutal: os EUA não querem paz, não querem democracia, não querem direitos humanos. Querem petróleo, terras raras e o monopólio do sistema financeiro global. Querem que o mundo continue refém do dólar, do SWIFT e das grandes corporações. E, para isso, estão dispostos a destruir países, matar civis e mentir repetidamente — sempre com a complacência de uma imprensa que prefere a ficção à investigação.
Cabe aos cidadãos do mundo — e especialmente aos brasileiros, que estão na linha de frente dessa nova guerra fria — romper o cerco da desinformação e enxergar por trás da cortina de fumaça. A luta contra a neo-colonização não é apenas dos iranianos, venezuelanos ou cubanos. É de todos que acreditam em um mundo multipolar, justo e soberano.
Com informações de Folha de S.Paulo, G1, BBC, CNN, The Conversation, FGV EBAPE, ABC7, CNBC, The New York Times, Al Jazeera, NBC News, DW, Poder360, Estadao, Veja, Brasil de Fato, CBN, Nexo Jornal, Forbes, Reuters, Associated Press ■