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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o tom contra o Irã nesta segunda-feira (3) ao afirmar que o Estreito de Ormuz está “completamente” sob controle da Marinha norte-americana e que o regime iraniano deve escolher entre “um acordo” ou a “rendição total” para que o bloqueio naval seja suspenso. Em uma série de publicações na rede social Truth Social, o republicano classificou a liderança de Teerã como “inacreditavelmente dissimulada” e “duas caras”, criticando a postura do país persa em relação às negociações de paz.
“A liderança iraniana é inacreditavelmente dissimulada! Eles pedem uma reunião, alguns diriam ‘imploram’, as conversas começam, com outras agendadas para o futuro próximo, e eles dizem, aberta e orgulhosamente, que não estão tendo nenhuma discussão, que nada está sendo discutido e que estão tratando apenas com Omã”, escreveu Trump. O presidente americano afirmou ainda que a retórica iraniana de que o Estreito de Ormuz seria controlado com firmeza pelo regime islâmico é falsa, uma vez que a via estratégica “já está completamente sob controle da Marinha dos EUA e do nosso ‘bloqueio’ ou, como alguns dizem, da ‘Muralha de Aço dos EUA’”.
Bloqueio naval e ultimato
Trump foi enfático ao condicionar o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos à assinatura de um acordo ou à rendição incondicional do Irã. “Nada passa para o Irã, a menos que queiramos, e nada passará, a menos que um acordo ou uma rendição total seja alcançado”. O presidente norte-americano já havia anunciado no domingo (2) que os termos de um acordo de paz teriam sido definidos e que as negociações com Teerã seriam retomadas nesta segunda-feira, além de ter cancelado planos de ataques em larga escala contra a infraestrutura elétrica iraniana. Segundo Trump, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar pediram que Washington suspendesse os ataços na expectativa de um entendimento com Teerã.
O presidente reiterou ainda que o Irã “nunca terá uma arma nuclear”, retomando o discurso de pressão máxima sobre o programa nuclear iraniano. Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear firmado em 2015 entre o Irã e as potências mundiais, alegando que o pacto era insuficiente para impedir que Teerã desenvolvesse armas atômicas.
Reação do Irã
O governo iraniano, por sua vez, negou veementemente a existência de negociações em curso com Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, desmentiu as declarações de Trump e afirmou que a República Islâmica não está conversando com os Estados Unidos. Baghaei indicou que, atualmente, Teerã está apenas em conversações com Omã, focadas em um acordo sobre uma rota que garanta a passagem segura dos navios pelo Estreito de Ormuz. “Atualmente não estamos negociando com os EUA. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz”, disse o porta-voz durante entrevista coletiva.
Contexto e importância estratégica
O Estreito de Ormuz é uma das principais vias de escoamento de petróleo do mundo e, há décadas, concentra disputas por influência militar e política, com incidentes envolvendo navios comerciais e forças iranianas e americanas. O conflito entre Estados Unidos e Irã completou cinco meses no fim de semana, sem previsão de encerramento, mantendo sob ameaça a navegação comercial nos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb. Países árabes e europeus discutem a criação de uma coalizão internacional de segurança marítima diante das restrições ao tráfego de embarcações.
A escalada retórica de Trump ocorre em meio a um impasse diplomático que se agravou após os sinais de negociação dados no fim de semana. A negativa iraniana sobre a existência dessas tratativas expôs a profundidade da desconfiança entre os dois governos. Enquanto Trump insiste que há negociações secretas de paz em curso, a diplomacia de Teerã mantém a posição de que só conversa com Omã, aprofundando o clima de tensão na região.
Desdobramentos
As declarações do presidente americano indicam que a pressão sobre o Irã deve se intensificar nas próximas semanas. A manutenção do bloqueio naval e a exigência de “rendição total” como condição para qualquer alívio sugerem que Washington não pretende ceder em sua posição de força. Ao mesmo tempo, a recusa iraniana em reconhecer qualquer diálogo com os EUA aponta para um cenário de confronto prolongado, com repercussões diretas sobre a estabilidade do Oriente Médio e os preços da energia no mercado global.
O Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial, continua no centro das atenções. A afirmação de Trump de que “nada chega ao Irã” sem o aval dos EUA reforça a mensagem de que Washington está disposto a usar seu poderio naval para asfixiar economicamente o regime iraniano até que ele ceda às exigências americanas. Resta saber se a comunidade internacional, especialmente os aliados europeus e asiáticos, apoiará ou contestará essa estratégia unilateral.
Com informações de TASS, Band, Diário do Centro do Mundo, Sol, Estadão, O Povo ■