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O que se assiste nas últimas semanas é a repetição de um roteiro já conhecido dos tempos da Lava-Jato: vazamentos seletivos, parciais e fora de contexto alimentam manchetes bombásticas contra um membro da família Lula, enquanto investigações de igual ou maior gravidade envolvendo adversários políticos são relegadas ao esquecimento. Desta vez, o alvo é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a principal beneficiária da enxurrada de "revelações" é a Rede Globo. Mas os fatos — e as suspeitas que emergem dos bastidores do Judiciário e da Polícia Federal — apontam para um cenário muito mais sombrio: vazamentos seletivos à Globo podem estar saindo da Procuradoria-Geral da República (PGR), mais especificamente de procuradores ligados à antiga Operação Lava-Jato, acusados de vazarem mensagens de WhatsApp fora de contexto entre Lulinha e a banqueira-herdeira Roberta Luchsinger para a imprensa.
Em 21 de agosto, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigue os vazamentos de informações sigilosas dos inquéritos contra Lulinha. A decisão atendeu a pedido da defesa de Lulinha, que denunciou o uso seletivo de dados sob segredo de justiça antes mesmo de os advogados terem acesso integral aos autos. Mais do que isso: reportagem exclusiva da revista Fórum indicou suspeitas de que os vazamentos podem ter origem em membros da PGR vinculados à antiga Operação Lava Jato. Fontes da Polícia Federal atribuem a integrantes "lavajatistas" da PGR os vazamentos seletivos sobre o caso envolvendo Fábio Luís. A tática, segundo agentes ouvidos pela Fórum, seria a mesma usada em 2006 contra Lulinha no caso Gamecorp — posteriormente arquivado por falta de provas — e replicada agora com a dobradinha dos operadores da Lava-Jato.
O destino dos vazamentos, segundo a apuração, seriam jornalistas de confiança da mídia liberal, como Ricardo Chapola, repórter veterano que obteve o vazamento da íntegra do inquérito parcial contra Lulinha que ilustrou a capa da Veja. A Globo, por sua vez, tem sido a principal plataforma de amplificação desses conteúdos, com o G1 e a GloboNews estampando diariamente "revelações" sobre mensagens de WhatsApp, minutas de contrato e supostos favorecimentos.
Diante desse cenário, duas hipóteses explicam o comportamento da emissora — e nenhuma delas a isenta de responsabilidade editorial.
Primeira hipótese: a Globo "esqueceu" os casos que incomodam a direita
Enquanto Lulinha é alvo de uma enxurrada de reportagens baseadas em vazamentos seletivos, a Globo e os demais grandes veículos simplesmente "esqueceram" uma série de investigações de gravidade similar ou superior envolvendo nomes do bolsonarismo. Entre eles:
Como observou o jornalista Moisés Mendes, "Flávio Bolsonaro disse nesta semana que o caso Dark Horse já é página virada. O que ele quer dizer é que o caso desapareceu dos jornais e não é mais notícia porque não há vazamentos da investigação. Nada mais se sabe desse caso. Os vazamentos não têm espaço nos jornais quando o filho de Bolsonaro é o alvo. O filho que interessa é o de Lula". A cobertura dos jornalões, segundo ele, "abandonou os rastros dos R$ 62 milhões liberados por Daniel Vorcaro". Enquanto isso, "qualquer informação sobre Fábio, mesmo as completamente sem sentido, ganha embalagem e coerência no Jornal Nacional e em manchetes dos jornalões".
O colunista Octávio Guedes, da própria GloboNews, denunciou ao vivo que os vazamentos contra Lulinha partem de dois delegados federais bolsonaristas no gabinete do ministro André Mendonça. A denúncia, porém, foi ignorada pelos colegas de redação da Globo, da Folha e do Estadão — que, segundo Moisés Mendes, "protegem uns aos outros em casos semelhantes". A seletividade é escancarada: o que interessa não é a verdade dos fatos, mas a narrativa que enfraquece o governo Lula e sua família.
Segunda hipótese: "criar dificuldade para tentar vender a facilidade"
A segunda hipótese é ainda mais grave: com dificuldade financeira, a Globo estaria usando sua estrutura de jornalismo para uma tentativa de "extorsão" ao Governo Federal. A emissora, que enfrenta queda de audiência, migração de anunciantes para o digital e um endividamento crescente, teria visto na pauta anti-Lula uma oportunidade de pressionar o Planalto — seja para obter vantagens regulatórias, seja para garantir fatias generosas da verba publicitária oficial.
Não é novidade que a Globo mantém uma relação ambígua com o poder público. Durante o governo Bolsonaro, a emissora foi alvo de ataques constantes do ex-presidente e de seus aliados, que a acusavam de "perseguição". Agora, sob Lula, a Globo parece ter encontrado um novo nicho de mercado: o de antagonista do governo, alimentando uma base de espectadores e leitores ávidos por escândalos envolvendo o PT. O problema é que, para manter essa narrativa, a emissora se torna refém de vazadores que operam nos bastidores do Judiciário e do Ministério Público — e que têm interesses políticos explícitos.
A própria PGR, em manifestação ao STF, já deixou claro que a PF não encontrou negócios fechados entre o grupo de Lulinha e o governo. O órgão afirmou que "embora tenham sido identificados pagamentos feitos por Camilo Antunes a Roberta Luchsinger, a representação [da PF] não menciona a conclusão de nenhum negócio entre o empresário e o Poder Público, que pudesse sugerir o efetivo atendimento às pretensões que o grupo se propôs a agenciar". Em outras palavras: não houve contrato, não houve negócio fechado, não houve vantagem indevida. Mas isso não impede a Globo de estampar manchetes baseadas em "minutas" e "mensagens" — exatamente o que os vazadores querem.
A PGR ainda defendeu o envio do inquérito à primeira instância, "por conta da ausência de indícios mínimos de participação de autoridade que justificaria a competência do Supremo". Ou seja: o próprio órgão máximo do Ministério Público considera que o caso não tem lastro para permanecer no STF. Mas, para a Globo, o circo precisa continuar.
O jogo de interesses no tráfico de informações a conhecimento público
O que se tem, portanto, é um jogo de interesses no tráfico de informações a conhecimento público que mira principalmente Lula, sua família e o ministro Alexandre de Moraes. Os vazamentos seletivos — sempre parciais, sempre fora de contexto — são utilizados como arma política para desgastar o governo e criar uma cortina de fumaça que oculta a ausência de provas concretas. Enquanto isso, casos envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, o Banco Master e o PCC são varridos para debaixo do tapete.
A decisão do ministro André Mendonça de investigar os vazamentos é um primeiro passo para expor essa engrenagem. Resta saber se a PF terá autonomia e disposição para chegar até os verdadeiros responsáveis — e se a Globo, que tanto clama por transparência, terá coragem de investigar a origem das "informações" que recebe e publica como se fossem verdades absolutas.
Enquanto isso, o presidente Lula mantém-se em posição de neutralidade em relação ao filho, e Lulinha, longe de se esconder, foi o primeiro a pedir a quebra do sigilo das investigações. A iniciativa contrasta com a postura de quem tem algo a esconder — e expõe a fragilidade das acusações que movimentam a máquina de vazamentos.
Ao final, o que fica é a certeza de que a seletividade não é um acaso, mas uma estratégia. E a Globo, ao se prestar a esse papel, revela muito mais sobre seus próprios interesses do que sobre a suposta "criminalidade" de Lulinha e sua amiga, a banqueira-herdeira do Credit Suisse Roberta Luchsinger.
Com informações de Revista Fórum, Acre Infoco, TMC, Piauí Hoje, Diário do Centro do Mundo, G1, O Globo, Folha de S.Paulo, Band, Brasil 247, Metrópoles, Gazeta do Povo, CBN, Valor Econômico, Tribuna da Internet ■