Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido pela Band neste domingo (23), registrou menos da metade da audiência da entrevista exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibida pela Record no mesmo horário. O confronto entre os candidatos, marcado pelas ausências de Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), amargou a quarta colocação no ranking das emissoras, com apenas 2,06 pontos, enquanto a entrevista do petista à jornalista Mariana Godoy no Domingo Espetacular alcançou 4,28 pontos — mais que o dobro do índice registrado pela Band.
Os números, referentes à medição em tempo real na Grande São Paulo às 20h57, evidenciaram a preferência do público na noite de domingo. Naquele minuto específico, a Globo liderava com 16,13 pontos (Fantástico), seguida pelo SBT com 7,84 pontos (Programa Silvio Santos). A Record aparecia em terceiro lugar, com 4,28 pontos, enquanto a Band ocupava a quarta posição, com 2,06 pontos. RedeTV! (0,75), XSports (0,26), TV Aparecida (0,25) e TV Cultura (0,12) completavam a lista.
O debate da Band, que seria o primeiro grande encontro entre os presidenciáveis da campanha de 2026, acabou esvaziado pela decisão dos três candidatos que lideram as intenções de voto de não comparecerem. De acordo com pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21), Lula aparecia na liderança com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 33%. Ronaldo Caiado (PSD) tinha 5% e Renan Santos (Missão), 4% — justamente os dois candidatos que, ao lado de Augusto Cury (Avante), participaram do debate promovido pela Band.
A ausência dos favoritos acabou dominando boa parte da programação. A Band, seguindo sua tradição, preservou os púlpitos vazios dos candidatos faltosos para expor de forma transparente ao eleitorado a escolha de cada concorrente em não participar do debate. A ordem original do estúdio contava com Renan Santos na primeira bancada, Lula na segunda, Flávio Bolsonaro na terceira, Ronaldo Caiado na quarta, Augusto Cury na quinta e Romeu Zema fechando a lateral direita. Com os desfalques, restaram apenas três candidatos, cujas posições ficaram intercaladas pelo vazio das bancadas dos ausentes.
O diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre, criticou duramente a decisão dos candidatos. “O grande prejudicado, além dos candidatos que não ganham com essa ausência, é o público, o eleitor, o brasileiro diante de problemas cada vez mais graves. Nunca se necessitou tanto de um debate aprofundado sobre os problemas do país como agora”, afirmou. O cientista político Fernando Schüler, por sua vez, avaliou que há uma mutação na democracia em função da era digital. “É uma democracia onde todo mundo fala, mas pouca gente escuta. Todo mundo tem milhões de pessoas que têm rede social, que são influenciadores, tribos, mas ninguém quer ouvir um argumento. Então, a lógica do debate perde espaço na democracia. Nós estamos vivendo um experimento, um sinal sobre a nossa democracia. Um sinal ruim. É um sinal preocupante”, afirmou.
Enquanto isso, Lula, que é candidato à reeleição, não deixou de aparecer na TV aberta apesar de não comparecer ao debate. A Record confirmou na tarde de domingo a exibição da entrevista exclusiva com o presidente, gravada previamente, e a colocou no ar a partir das 20h30 — mesmo horário do debate da Band. Durante a conversa com Mariana Godoy, Lula defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública, apresentou indicadores de redução da inflação de alimentos e geração de empregos, e falou sobre o diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre comércio bilateral e minerais críticos.
O desempenho da audiência evidenciou o baixo interesse despertado pelo primeiro debate presidencial da campanha de 2026, transformado em um confronto de baixa repercussão diante da ausência dos candidatos que concentram a maior parte das intenções de voto. Como avaliou a Revista Fórum, o encontro ficou entregue àquilo que poderia ser chamado de “segunda divisão” da disputa presidencial.
O resultado acende um alerta para o futuro dos debates eleitorais na TV aberta. De acordo com o Notícias da TV, as eleições têm sido um pesadelo para as emissoras, especialmente com o peso que as redes sociais ganharam nos últimos anos. Hoje, os debates tornaram-se arriscados demais, especialmente por causa dos cortes — trechos, muitas vezes tirados de contexto, que chegam a ter mais visualizações do que a atração em si.
Com informações de Brasil 247, Revista Fórum, Band.com.br, Notícias da TV UOL, BBC News Brasil, Diário do Centro do Mundo, O Povo, R7.com, Poder360 e Terra ■