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O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, cancelou na manhã desta segunda-feira (17) a motociata e o discurso de campanha que estavam programados para ocorrer em Juiz de Fora (MG), cidade onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sofreu um atentado a faca durante ato de campanha em 2018. A justificativa oficial da equipe do presidenciável foi “questões meteorológicas e falta de teto para decolagem” – mas a explicação esbarrou em uma contradição: enquanto a campanha falava em mau tempo, apoiadores e internautas apontaram que o dia amanheceu com sol entre nuvens na cidade mineira.
De acordo com informações da assessoria de Flávio Bolsonaro, o cancelamento ocorreu porque as condições climáticas na região impediram o pouso da aeronave que transportaria o candidato. O desembarque estava previsto para ocorrer por volta das 9h no Aeroporto Francisco Álvares de Assis, conhecido como Aeroporto da Serrinha. A cidade, no entanto, amanheceu sob neblina intensa e com registro de garoa, segundo o portal O Tempo – o que, na prática, reduziu a visibilidade e dificultou as operações aéreas. A equipe do candidato chegou a cogitar uma alternativa: pousar em Goianá (MG) e seguir de carro até Juiz de Fora, em um trajeto de cerca de uma hora. Mas o clima também não estava favorável na cidade vizinha.
O planejamento inicial previa que Flávio liderasse uma motociata do aeroporto até a Praça Doutor João Penido (Praça da Estação), no Centro de Juiz de Fora, onde faria um pronunciamento em cima de um carro de som. O trajeto de 7,8 quilômetros teria forte simbolismo: o local é o mesmo onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo em 6 de setembro de 2018, durante a campanha daquele ano.
Com o cancelamento, Flávio viajou diretamente para Belo Horizonte, onde participará, à noite, do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe (PL) ao governo de Minas Gerais. A agenda na capital mineira foi mantida e confirmada pela campanha. O senador, que usa colete à prova de balas durante toda a campanha por determinação de sua equipe de segurança, lamentou o imprevisto em vídeo publicado nas redes sociais: “Infelizmente, por causa do mau tempo, a gente não vai conseguir pousar em Juiz de Fora. Não autorizaram nem a nossa decolagem (do Rio de Janeiro)”.
O cancelamento ocorre um dia após Flávio abrir oficialmente sua campanha na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde discursou para aproximadamente 3 mil pessoas, de acordo com contagem feita pela PMERJ. O evento na orla carioca já havia sido alvo de críticas pelo público modesto – e a nova frustração em Juiz de Fora acirrou ainda mais as piadas e críticas nas redes sociais.
O que chamou a atenção, porém, foi a especulação que tomou conta das plataformas digitais ao longo da manhã. Internautas associaram o cancelamento à falta do cartão corporativo – uma referência direta ao uso do cartão de pagamento da Presidência da República pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para custear, entre outras despesas, abastecimentos de veículos em motociatas realizadas entre 2021 e 2022. Conforme revelou a Folha de S.Paulo em janeiro de 2023, o cartão corporativo foi usado para ao menos 137 abastecimentos em postos de combustível em datas e cidades coincidentes com a realização das motociatas do então presidente, com valores pulverizados que somaram cerca de R$ 36 mil. A piada que circulou com mais força foi: “Motociata sem cartão corporativo não é motociata” – numa alusão de que, sem o recurso público que bancava os eventos do pai, o filho teria dificuldade para repetir a fórmula.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre as especulações em torno do cartão corporativo. A assessoria manteve a versão oficial de que o cancelamento se deu exclusivamente por razões meteorológicas. Não há, até o momento, previsão de nova data para a motociata em Juiz de Fora.
O episódio expõe os desafios logísticos da campanha do senador, que tenta se firmar como sucessor político do pai na corrida ao Planalto. Enquanto isso, a oposição e críticos nas redes seguem explorando a narrativa de que, sem os privilégios do cargo e os recursos do cartão corporativo, o bolsonarismo enfrentaria dificuldades para reproduzir o estilo de mobilização que marcou a era Bolsonaro.
Com informações de G1, Folha de S.Paulo, UOL, Estadão, O Tempo, Brasil 247, Estado de Minas, Metrópoles, Correio Braziliense, SBT News, Jornal de Brasília, AccuWeather e CNN Brasil ■