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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), deflagrou na manhã desta terça-feira, 4 de agosto de 2026, a Operação Rede Interrompida para desarticular um plano seriado de atentados a bomba em Brasília durante o período das eleições de 2026. A investigação aponta que o grupo, formado por oito jovens com idades entre 19 e 31 anos, planejava uma série de ataques coordenados contra prédios públicos na Esplanada dos Ministérios e no Supremo Tribunal Federal (STF), além de um atentado com explosivos no prédio que sediaria o debate presidencial do segundo turno.
Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, com o apoio das polícias civis dessas unidades da federação. Segundo a PCDF, os investigados se conheciam exclusivamente por meio da internet e utilizavam comunidades no aplicativo de mensagens Telegram para articular as ações.
O inquérito teve início a partir de um relatório técnico elaborado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, que monitorou conversas em grupos abertos da plataforma Telegram. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também contribuiu com informações iniciais que subsidiaram as investigações. As apurações tiveram início na primeira quinzena do mês de junho e foram conduzidas pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV) da PCDF.
De acordo com as investigações, o grupo discutia o planejamento de atos violentos em Brasília durante o período eleitoral, previsto para outubro de 2026. Entre os elementos identificados nas conversas estão:
As apurações também identificaram que os suspeitos utilizavam as comunidades no Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, além de recrutar novos integrantes e propagar discursos de ódio direcionados, entre outros grupos, a mulheres em posições de autoridade. Durante o cumprimento das medidas cautelares, os policiais apreenderam armas de fogo, facas, canivetes, um capuz em alusão à Ku Klux Klan e uma bandeira dos Estados Confederados.
Em entrevista coletiva na sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília, o diretor de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Anchieta Nery, explicou que o que se apurou na operação não diz respeito meramente a opiniões emitidas nas redes sociais. “Houve sim a própria intolerância e planejamento de atos severos de violência. Por isso, havia a necessidade de uma atuação rápida e integrada para que não tivesse a possibilidade de ocorrer qualquer sinistro”, afirmou.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou o papel essencial do Ciberlab na produção de inteligência para compartilhar informações com os órgãos competentes. “O Ministério da Justiça e Segurança Pública cumpriu seu papel de articulador nacional, promovendo a cooperação interfederativa, compartilhando informações estratégicas e coordenando esforços para que a União e os estados atuassem como um único sistema de proteção da sociedade”, declarou.
O delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, José Werick de Carvalho, detalhou a abrangência da operação: “As polícias desses estados participaram ativamente da operação monitorando os alvos, localizando os endereços”. Entre os materiais apreendidos estão manuais para fabricar explosivos, mapas da região central de Brasília e de ministérios.
Neste momento, o inquérito apura, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo (Lei nº 7.716/1989). A Polícia Civil ressaltou que, até o momento, os fatos não foram enquadrados na Lei de Terrorismo. A responsabilização individual de cada investigado dependerá da análise pericial do material apreendido e da conclusão do inquérito policial, que segue sob sigilo.
O coordenador de inteligência da PCDF, Maurílio Coelho, informou que a investigação vai apontar onde os suspeitos adquiriram o material utilizado no planejamento. “Em princípio, a gente detectou que muita coisa está aberta, é de acesso público. Alguns desses prédios passaram por reformas, e essas reformas foram publicadas, o que acabou gerando essa vulnerabilidade. É algo que já está no nosso radar para, eventualmente, detectado algum risco, a gente pede para que o site seja derrubado”, explicou.
A Operação Rede Interrompida contou com o apoio do Ciberlab do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do CyberGAECO do Ministério Público de Santa Catarina, da Abin e das Polícias Civis dos estados do Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Com informações de O Globo, Estadão, Metrópoles, CBN, CartaCapital, Jovem Pan, Agência Brasil, UOL, CNN Brasil, Estado de Minas, Congresso em Foco, Revista Fórum, O Tempo, BNews, ND Mais e A TARDE ■