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O organizador do evento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com diplomatas, na última terça-feira (21), em Brasília, é o jornalista e empresário Fábio Brandt, diretor e proprietário da Agência Novo Selo Comunicação. A empresa é responsável pelo projeto “Debatendo o Brasil”, que promove debates e palestras com candidatos de direita para membros do corpo diplomático de mais de 70 embaixadas estrangeiras acreditadas no país.
Além de Flávio Bolsonaro, prestigiaram o evento o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o empresário Renan Santos (Missão). Segundo Brandt, “cada um em um dia específico, os pré-candidatos Romeu Zema, Renan Santos e Flávio Bolsonaro apresentaram seus planos e sua visão sobre o país diretamente aos embaixadores e chefes de missão”. O atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não participou. Também esteve presente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que, segundo Brandt, “apresentou em detalhes as medidas adotadas para garantir a segurança do voto e da urna eletrônica neste ano”.
Durante o encontro, Flávio Bolsonaro voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas e defendeu o envio de mais observadores internacionais para as eleições de outubro. Ele citou documentos da CIA sobre possíveis vulnerabilidades em sistemas eletrônicos de votação na Venezuela e afirmou que urnas produzidas pela Smartmatic, empresa mencionada nos relatórios, também teriam sido utilizadas no Brasil. A afirmação, no entanto, já foi desmentida pelo TSE. Em nota, o tribunal esclarece que a Smartmatic “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras” e que “todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral”.
A fala do senador incomodou diplomatas presentes. Um embaixador ouvido pela Folha de S.Paulo sob condição de anonimato avaliou que a declaração foi “inadequada” e que não caberia ao pré-candidato fazer comparações entre a situação da Venezuela e do Brasil. Outro diplomata afirmou que, em um primeiro momento, pensou que Flávio tentava defender a posição de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, deslegitimando as eleições de 2022, mas depois ponderou se o pré-candidato estaria tentando deslegitimar as próximas eleições.
O histórico profissional de Fábio Brandt, no entanto, vai além da organização de eventos políticos. No dia 28 de junho de 2019, a revista Veja revelou que Brandt e sua empresa haviam sido contratados pela Associação Nacional dos Procuradores da República para fazer a gestão de crise da força-tarefa da Operação Lava Jato, no esteio do escândalo conhecido como “Vaza Jato” – a publicação das conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e a equipe de procuradores comandada por Deltan Dallagnol.
O ex-juiz e ex-ministro da Justiça, ao que parece, ficou satisfeito com o trabalho do empresário. Tanto que, em maio de 2020, logo após deixar o governo Jair Bolsonaro, Moro e seus advogados contrataram Brandt novamente, dessa vez para gerir a crise que se instaurava entre o ex-juiz e o ex-presidente.
Hoje, Sergio Moro, Deltan Dallagnol, Jair e Flávio Bolsonaro estão todos novamente no mesmo lado político, e é a crise na candidatura do senador do PL que recebe os cuidados do jornalista-empresário. Brandt, que tem passagem pelos jornais O Estado de S. Paulo e Valor Econômico, é especializado em comunicação estratégica e gestão de crises no meio político e jurídico de Brasília.
O evento com diplomatas foi promovido pelo The Brazilian Report e pela agência Novo Selo Comunicação. As fotos oficiais do encontro foram creditadas a Raul Spinassé, da Novo Selo Comunicação.
Com informações de Diário do Centro do Mundo, Poder360, G1, Folha de S.Paulo, Veja ■