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Era uma terça-feira qualquer quando Cláudio Castro, ex-governador do Rio, fez o que todo brasileiro ansioso faz: abriu o app da Shopee para rastrear uma encomenda. Mas não era um fone Bluetooth ou uma capinha de silicone. Era a própria sorte que vinha pelos Correios — e o Supremo, aparentemente, assinou o plano “Frete Grátis para Operações da PF”.
Porque, meus caros, o STF só esperou o tempo de entrega da Shopee para devassar a vida do ex-mandatário. Quinze dias, dois ministros, dois mandados, quatro celulares apreendidos. Se fosse uma compra online, o status mudaria assim: “Pedido confirmado” (Alexandre de Moraes aperta F5), “Em separação” (André Mendonça assina o paper), “Saiu para entrega” (PF na portaria).
Vamos aos detalhes, que são mais cômicos que um vídeo de gato caindo da estante:
Ou seja: o prazo de entrega da Shopee — aqueles 10 a 15 dias corridos que a gente sofre olhando o mapa do rastreamento — foi exatamente o intervalo que o Judiciário respeitou entre um ministro e outro. Como se houvesse uma planilha secreta no gabinete: “Primeiro pacote: Moraes. Aguardar confirmação de recebimento. Segundo pacote: Mendonça. Acionar assim que o rastreamento atualizar para ‘entregue’.”
O advogado de Castro, Carlo Luchione, disse que foi uma “surpresa” a segunda busca. Surpresa nada, amigo. Era só ter olhado o aplicativo: “Seu pedido saiu para entrega – assinado: André Mendonça, STF.” O entregador nem tocou a campainha. Bateu com a carteira na porta.
E o ex-governador, coitado, virou influenciador involuntário do varejo jurídico. Agora toda vez que alguém fala “Shopee” ele tem um flashback: dois ministros, duas operações, quatro celulares, zero estrelas no Reclame Aqui.
No fim das contas, a lição é clara: se você é político sob investigação, não compre nada com entrega expressa. O STF está com o aplicativo aberto, o filtro “mais rápidos” ativado e o sininho das notificações ligado. E a PF, essa sim, tem o melhor código de rastreamento do Brasil: nunca dá “extraviado”.
Com informações de O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Metrópoles, UOL, CNN Brasil, G1, CBN ■