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O pacote azul do STF, edição Shopee
Quatro celulares, dois ministros, um frete ultrarrápido e a polícia batendo na porta antes do entregador apitar
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■   Bernardo Cahue, 27/05/2026

Era uma terça-feira qualquer quando Cláudio Castro, ex-governador do Rio, fez o que todo brasileiro ansioso faz: abriu o app da Shopee para rastrear uma encomenda. Mas não era um fone Bluetooth ou uma capinha de silicone. Era a própria sorte que vinha pelos Correios — e o Supremo, aparentemente, assinou o plano “Frete Grátis para Operações da PF”.

Porque, meus caros, o STF só esperou o tempo de entrega da Shopee para devassar a vida do ex-mandatário. Quinze dias, dois ministros, dois mandados, quatro celulares apreendidos. Se fosse uma compra online, o status mudaria assim: “Pedido confirmado” (Alexandre de Moraes aperta F5), “Em separação” (André Mendonça assina o paper), “Saiu para entrega” (PF na portaria).

Vamos aos detalhes, que são mais cômicos que um vídeo de gato caindo da estante:

  • 15 de maio: Alexandre de Moraes pede a primeira busca. Apreendem dois celulares. Castro pensa: “Ufa, agora posso comprar um novo tranquilo”. E compra. Pelo app da Shopee, claro. Prazo de entrega: 11 dias.
  • 26 de maio: O novo celular chega. Castro mal desembala, tira o plástico protetor, coloca o chip. No mesmo dia, André Mendonça autoriza a segunda operação. A PF chega, educada: “Boa tarde, governador. Veio a segunda leva? Esse aí é novo? Obrigado.” Levam dois aparelhos de uma vez — o velho e o novinho em folha.

Ou seja: o prazo de entrega da Shopee — aqueles 10 a 15 dias corridos que a gente sofre olhando o mapa do rastreamento — foi exatamente o intervalo que o Judiciário respeitou entre um ministro e outro. Como se houvesse uma planilha secreta no gabinete: “Primeiro pacote: Moraes. Aguardar confirmação de recebimento. Segundo pacote: Mendonça. Acionar assim que o rastreamento atualizar para ‘entregue’.”

O advogado de Castro, Carlo Luchione, disse que foi uma “surpresa” a segunda busca. Surpresa nada, amigo. Era só ter olhado o aplicativo: “Seu pedido saiu para entrega – assinado: André Mendonça, STF.” O entregador nem tocou a campainha. Bateu com a carteira na porta.

E o ex-governador, coitado, virou influenciador involuntário do varejo jurídico. Agora toda vez que alguém fala “Shopee” ele tem um flashback: dois ministros, duas operações, quatro celulares, zero estrelas no Reclame Aqui.

No fim das contas, a lição é clara: se você é político sob investigação, não compre nada com entrega expressa. O STF está com o aplicativo aberto, o filtro “mais rápidos” ativado e o sininho das notificações ligado. E a PF, essa sim, tem o melhor código de rastreamento do Brasil: nunca dá “extraviado”.

Com informações de O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Metrópoles, UOL, CNN Brasil, G1, CBN ■

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