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Em menos de 15 dias, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de duas operações da Polícia Federal que resultaram na apreensão de seus aparelhos celulares. O cerco judicial se intensifica sobre o político que já foi declarado inelegível, levantando questões sobre o momento e a motivação das diligências, que partiram de dois ministros distintos do Supremo Tribunal Federal (STF) e escancaram a dura queda do ex-mandatário.
O primeiro episódio ocorreu em 15 de maio, quando a PF deflagrou a Operação Sem Refino, mirando suspeitas de fraudes fiscais no setor de combustíveis. Na ocasião, os agentes cumpriram mandados na cobertura de Castro, na Barra da Tijuca, e apreenderam um tablet e dois celulares — sendo um deles um aparelho antigo, sem uso, e o outro um dispositivo recém-adquirido.
Essa ação foi realizada a pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso que investiga a Refit. Os equipamentos foram rapidamente desbloqueados e os investigadores já trabalham sobre um “conjunto robusto” de informações extraídas, gerando grande apreensão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Apenas 11 dias depois, na manhã de 26 de maio, o ex-governador foi surpreendido por uma nova investida. Nesta segunda operação, a 8ª fase da “Compliance Zero”, a PF cumpriu 10 mandados de busca e apreensão no Rio e em Brasília, mirando um novo rombo bilionário.
O pedido desta vez foi assinado pelo ministro André Mendonça, do STF. A decisão foi baseada em mensagens obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que indicaram “sincronismo” entre encontros de Vorcaro com Castro e a liberação de aportes bilionários do fundo de pensão dos servidores fluminenses. O rombo nas contas do Rioprevidência já soma R$ 3 bilhões transferidos de forma suspeita para fundos ligados ao banqueiro.
O advogado de Castro, Carlo Luchione, confirmou a apreensão de mais dois celulares do ex-governador nesta nova fase. Ele classificou a ação como uma "surpresa" e ressaltou que o novo aparelho havia sido adquirido após a primeira busca, ocorrida há cerca de dez dias. A defesa ainda não teve acesso integral às decisões judiciais.
O turbilhão jurídico praticamente sepulta os planos políticos do ex-governador. Além de ser alvo da PF, Castro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico em sua campanha de 2022, tornando-se inelegível até 2030. Integrantes do PL avaliam que as chances de ele concorrer ao Senado são agora “remotas”.
A cronologia dos fatos ilustra a velocidade das ações judiciais nas últimas semanas:
Segundo a defesa, o ex-governador colaborou com as buscas "sem qualquer intercorrência", e reside no imóvel com sua esposa e sogra. O conteúdo dos dispositivos apreendidos, especialmente na primeira operação, já está em análise e pode fornecer novas pistas para as investigações em andamento.
Com informações de O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Metrópoles, CartaCapital, Poder360, Brasil 247, CNN Brasil, G1, CBN ■