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Lançamento de "Dark Horse" tem público de menos de 50 pessoas
Produção que tenta retratar Bolsonaro como messias fracassa em atração de público e vaza cenas classificadas como "grotescas" e "caricatas", sendo alvo de piadas nas redes
Politica
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRHFIbHK4RD1HhTT_gE4zuaF78WJ5Eo4OZBxPbCHBMi6qRJsIc4YKG3FD7c&s=10
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■   Bernardo Cahue, 19/05/2026

O tão aguardado evento de lançamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi marcado por uma plateia extremamente reduzida. De acordo com informações amplamente repercutidas nas redes sociais, o evento contou com a presença de menos de 50 pessoas, um público bastante aquém do esperado para uma produção que se auto intitula “hollywoodiana”. Relatos compartilhados nas plataformas de interação descrevem o ambiente do evento como esvaziado, contrastando com a grandiosidade prometida pela produção, que envolve cifras milionárias e nomes como Jim Caviezel e Mel Gibson.

O contraste entre a estrutura financeira robusta e a baixa adesão popular não passou despercebido pelos internautas. Enquanto a produção acumula polêmicas que vão desde denúncias de más condições de trabalho até notificações judiciais da cantora Beyoncé pelo uso indevido de sua música "Survivor", o interesse do público brasileiro pelo lançamento parece não ter correspondido às expectativas da equipe. As publicações nas redes sociais apontam que, além do público reduzido, o filme tem sido alvo de uma enxurrada de críticas que classificam o resultado final como "grotesco" e "paródia", com alguns chegando a comparar a qualidade técnica às produções do grupo de humor Hermes e Renato.

Roteiro Vazado e Cenas Messiânicas Reforçam Tom de "Paródia"

Para além do evento de lançamento, o projeto tem enfrentado uma crise de imagem ainda mais grave. Na última sexta-feira (15), trechos do roteiro de "Dark Horse" vazaram na internet, provocando forte repercussão e viralizando nas redes sociais. As cenas reveladas escancaram a tentativa do roteiro de colar uma imagem messiânica e quase sacra ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Entre as cenas mais criticadas estão:

  • A Representação da Facada: O roteiro transforma o atentado sofrido por Bolsonaro em 2018 em uma cena de "ressurreição". No texto vazado, o autor, inspirado no criminoso Adélio Bispo, aparece com o nome fictício de “Aurélio Barba” e é descrito como um radical de esquerda que afirma frases como "Aurélio Barba cuida disso. Pelo povo! Pela revolução!" e "marxistas usam drogas demais".
  • Diálogos Caricatos e "Grotescos": O roteiro aposta em frases de baixo calão em situações que tentam soar dramáticas. Em uma conversa com uma repórter fictícia, o personagem que representa Bolsonaro afirma: “Boatos são como peidos, vêm de babacas”. A frase rapidamente se espalhou pelas redes como um meme, sendo classificada como constrangedora e caricata.
  • Referências Místicas e Personagens Fantasmagóricos: A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é representada pela personagem “Dolores”, descrita como uma figura mística que aparece e desaparece “como um fantasma”. Em um dos trechos, Dolores entrega “pílulas mágicas” a Bolsonaro durante sua recuperação, reforçando o tom messiânico e fantasioso que permeia a produção.

Polêmicas Judiciais, Financeiras e Baixa Credibilidade

Diante das evidências do baixo público e do roteiro vazado, analistas apontam que "Dark Horse" enfrenta uma série de obstáculos intransponíveis para se consolidar como um produto cultural sério. A produção, que recebeu investimentos milionários da Prefeitura de São Paulo e movimentou cifras bilionárias em contratos investigados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), viu sua credibilidade ser questionada em diversas frentes. Apenas nos últimos dias, emergiram no noticiário:

  • Investigação da Polícia Federal (PF): O filme entrou na mira das autoridades após suspeitas de desvio de finalidade de recursos públicos e do esquema envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do "Caso Master". As investigações miram se os R$ 134 milhões prometidos por Vorcaro para o longa (dos quais R$ 62 milhões já foram repassados) possuem lastro lícito.
  • Viagens e "Cooperação Cultural" no Exterior: O deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, viajou ao Bahrein com Eduardo Bolsonaro (PL) para angariar mais fundos, utilizando o argumento de "cooperação cultural", enquanto a produção patina para ganhar tração no Brasil.
  • Ameaças e Condições de Trabalho: Além dos problemas financeiros e de roteiro, a produção já foi denunciada por oferecer comida estragada e agredir fisicamente figurantes, o que levou o Sindicato dos Artistas de São Paulo a fiscalizar o set.

Com o lançamento comercial previsto para 11 de setembro de 2026, a pouco mais de 23 dias do primeiro turno das eleições, o filme entra no calendário eleitoral em um momento de fragilidade. A tentativa de usar a obra como plataforma política parece ter esbarrado na rejeição popular, evidenciada pelo público tímido no evento de lançamento e pelo escárnio generalizado que toma conta das discussões on-line. Resta saber se a estratégia da produção de surfar na polarização conseguirá reverter a percepção de que "Dark Horse" é, como definem críticos, mais um "meme elevado à sétima arte" do que um filme biográfico digno de atenção.

Com informações de Brasil 247, Diário do Centro do Mundo, Revista Fórum, Meio News, O Globo, Intercept Brasil, UOL, Veja, RT Brasil, BBC Brasil, G1, Seu Dinheiro, Folha de S.Paulo, Revista Fórum, Brasil de Fato, CartaCapital, The Intercept, SBT News, Coaf ■

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