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Trump recua de ataque iminente ao Irã e abre janela para negociações
Presidente americano afirma ter suspendido ofensiva militar após apelo de líderes do Golfo; Irã mantém postura desafiadora, e Casa Branca deixa grandes bombardeios como alternativa caso diálogo fracasse
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 19/05/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de segunda-feira (18) que decidiu suspender um ataque militar de grande escala contra o Irã que estava planejado para esta terça-feira (19). A decisão, comunicada em sua rede social Truth Social, atende a pedidos de líderes do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que teriam intercedido para ganhar tempo e permitir que negociações diplomáticas em andamento pudessem avançar.

Na publicação, Trump afirmou ter sido procurado pelo emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani; pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman; e pelo presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Segundo o presidente americano, os líderes regionais estariam confiantes de que um acordo poderia ser alcançado e que isso justificaria adiar a ofensiva. “Com base no meu respeito pelos líderes mencionados, instruí o secretário de Guerra Pete Hegseth, o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Daniel Caine, e as forças armadas dos EUA de que NÃO faremos o ataque programado contra o Irã amanhã”, escreveu Trump.

Contudo, o presidente foi enfático ao condicionar a trégua ao sucesso das conversas. Ele determinou que os militares americanos mantenham “total prontidão para uma ofensiva em larga escala num curto espaço de tempo, caso um acordo aceitável não seja alcançado”. A ameaça de retomada imediata dos bombardeios se soma a uma série de ultimatos já dados por Trump nas últimas semanas, nos quais ele prometeu “destruição total” caso o Irã não cooperasse.

Contexto de tensão e bastidores da negociação

A decisão de Trump ocorre em meio a um cenário de alta volatilidade no Oriente Médio. Os EUA e Israel realizaram uma grande investida aérea contra o Irã no final de fevereiro, e os confrontos se arrastaram por cerca de seis semanas, com bombardeios e ataques com mísseis. Um frágil cessar-fogo de meados de abril vinha sendo mantido, mas vinha sendo sucessivamente ameaçado pelo impasse nas negociações e por declarações incendiárias de ambos os lados.

Um dos principais pontos de discórdia é o Estreito de Ormuz, via estratégica por onde escoa parte significativa do petróleo mundial, mantido efetivamente fechado pelo Irã. A reabertura do estreito é uma condição central apresentada por Trump para qualquer avanço no diálogo, com o objetivo de estabilizar os preços da energia e reduzir a pressão sobre a economia global.

Nos bastidores, o Paquistão tem atuado como mediador, transmitindo propostas entre as partes. Na segunda-feira (18), Teerã teria encaminhado uma proposta revisada de 14 pontos aos americanos por meio dos canais paquistaneses. No entanto, fontes paquistanesas demonstraram pessimismo, afirmando que os lados “continuam mudando seus objetivos” e que o tempo para um entendimento está se esgotando.

Reações do Irã e percepção de vitória

A reação do governo iraniano foi de desafio e de comemoração. A televisão estatal classificou a suspensão dos ataques como uma “retirada” motivada por “medo”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, confirmou que as visões de Teerã foram “transmitidas ao lado americano através do Paquistão”, mas não entrou em detalhes.

O comando militar conjunto iraniano, Khatam al-Anbiya, declarou que suas forças armadas estão “prontas para puxar o gatilho” na eventualidade de uma retomada dos ataques americanos. “Qualquer agressão ou invasão renovada será respondida de forma rápida, decisiva, poderosa e extensa”, afirmou o comandante Ali Abdollahi, citado pela agência de notícias Tasnim. Paralelamente, o governo iraniano teria indicado que os EUA concordaram em liberar um quarto dos recursos congelados do país como parte das negociações, embora Teerã exija a totalidade dos ativos.

Implicações e próximos passos

A decisão de Trump provocou uma queda imediata nos preços do petróleo. Pouco antes do anúncio, os futuros da commodity eram negociados a US$ 108,83 o barril, mas recuaram para cerca de US$ 106 assim que a suspensão dos ataques foi comunicada.

Nos próximos dias, a atenção se volta para Islamabad, onde novas rodadas de conversas indiretas devem ocorrer. Enquanto isso, os EUA mantêm sua frota e suas baterias de mísseis na região, prontos para retomar as hostilidades a qualquer momento, ao mesmo tempo em que a comunidade internacional acompanha com apreensão se o frágil hiato bélico poderá evoluir para uma paz duradoura ou se será apenas uma pausa antes de uma nova escalada.

Desdobramentos regionais e diplomacia de bastidores

Além das capitais do Golfo, outras lideranças globais também entraram em cena. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o chefe de Estado-Maior Asim Munir tiveram conversas diretas com Trump e pediram o adiamento dos ataques, ressaltando que estavam “muito perto de fechar um acordo”. Relatos da mídia americana indicam que Trump chegou a se reunir com seus conselheiros de segurança nacional antes de tomar a decisão final, em um sinal de que a opção militar esteve realmente sobre a mesa nas últimas 48 horas.

Israel, aliado próximo dos EUA, foi informado sobre a suspensão, mas manteve uma postura de cautela. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria dado aval à pausa, desde que as operações contra alvos do Hezbollah no Líbano não fossem afetadas. Autoridades israelenses continuam monitorando de perto qualquer movimento iraniano que possa representar ameaça.

O impasse persiste em torno do programa nuclear iraniano. Embora Trump tenha sinalizado disposição de aceitar uma suspensão verificável de 20 anos das atividades de enriquecimento, em vez de um desmantelamento permanente, o regime dos aiatolás insiste em seu direito de manter a tecnologia para fins civis. A proposta de paz apresentada por Teerã, rejeitada por Trump na semana anterior como “lixo”, foi reapresentada com pequenas modificações, focando no fim da guerra, na reabertura do Estreito de Ormuz e na suspensão das sanções marítimas.

Enquanto o mundo observa, a contagem regressiva para um possível acordo de paz definitivo ou para o recrudescimento do conflito já começou. A Casa Branca deixa claro que a paciência tem limite: “O relógio está correndo”.

Com informações de Agência Brasil, Al Jazeera, Associated Press (AP), CBS News, Reuters, The Guardian, The Times of Israel, The Indian Express, G1, UOL, Rudaw, Tasnim News Agency, Bernama, ThePrint e RTHK ■

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