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Um enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou formalmente à Federação Internacional de Futebol (Fifa) a substituição da seleção do Irã pela Itália na Copa do Mundo de 2026. A informação foi divulgada primeiramente pelo jornal britânico Financial Times na última quarta-feira (22) e rapidamente repercutiu em veículos de imprensa ao redor do mundo.
Paolo Zampolli, enviado especial da Casa Branca para parcerias globais e aliado próximo de Trump, confirmou a proposta em entrevista ao jornal. "Confirmo que sugeri a Trump e ao (presidente da Fifa, Gianni) Infantino que a Itália substitua o Irã na Copa do Mundo. Sou italiano e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos EUA. Com quatro títulos, eles têm currículo para justificar a inclusão", declarou Zampolli. A justificativa apresentada pelo enviado baseia-se no histórico vitorioso da seleção italiana, tetracampeã mundial (1934, 1938, 1982 e 2006), que, no entanto, amarga a terceira ausência consecutiva em Copas após ser eliminada pela Bósnia e Herzegovina na repescagem europeia.
Enquanto a Itália não conseguiu vaga, o Irã garantiu sua participação no Mundial ainda em março de 2025, vencendo as Eliminatórias Asiáticas. Apesar da vaga garantida, a presença iraniana no torneio esteve ameaçada nos últimos meses devido ao agravamento do conflito militar com os Estados Unidos, que são uma das nações-sede da competição. O governo iraniano condicionou sua participação ao aceite de um pedido formal para transferir suas partidas da fase de grupos dos Estados Unidos para o México, solicitação que foi negada pela Fifa. A equipe iraniana está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, e tem estreia prevista para 15 de junho, em Los Angeles.
Contrariando a sugestão do enviado norte-americano, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem reiterado publicamente que o Irã disputará a Copa do Mundo. Em recente entrevista, Infantino afirmou: "A equipe iraniana virá, com certeza. O esporte deve ficar fora da política. Claro, não vivemos na Lua, vivemos no planeta Terra, mas, se não houver mais ninguém que acredite em construir pontes e mantê-las, nós fazemos isso". Até o momento, a Fifa não se manifestou oficialmente sobre a proposta de Zampolli, assim como a Casa Branca, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) e a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) também não comentaram o caso.
Nos bastidores, analistas e fontes ouvidas pelo Financial Times apontam que o movimento do enviado vai além do futebol e está inserido em uma estratégia geopolítica maior. A iniciativa teria como pano de fundo uma tentativa de reconstruir o relacionamento desgastado entre o presidente Donald Trump e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. O desentendimento ocorreu após Trump ter criticado duramente o Papa Leão XIV em relação à guerra com o Irã, o que gerou farpas públicas entre os dois líderes.
Zampolli é uma figura de confiança do círculo íntimo de Trump. Dono de uma agência de modelos, ele patrocinou o visto de Melania Trump para os Estados Unidos em 1996 e, dois anos depois, apresentou a ex-modelo ao então empresário Donald Trump. Sua nomeação como enviado especial reforça sua influência nas articulações diplomáticas e políticas da atual administração norte-americana.
Em contrapartida, o governo iraniano mantém uma posição firme quanto à sua participação. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou à imprensa estatal que o país está "totalmente preparado" para o torneio e que o Ministério dos Esportes tomou todas as providências necessárias. No entanto, a decisão final, conforme declarado pelo ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, caberá ao governo, que ainda aguarda uma resposta definitiva da Fifa sobre a realocação das partidas para fora do território norte-americano.
Enquanto o imbróglio diplomático e esportivo se desenrola, a pouco mais de 50 dias para o início do torneio, a Copa do Mundo de 2026 se vê envolvida em uma complexa teia de interesses que transcende as quatro linhas, mesclando futebol, geopolítica e relações internacionais em uma escala inédita na história do esporte.
Com informações de ge.globo.com, Correio Braziliense, UOL, Financial Times, Reuters, Anadolu Ajans?, Yahoo Sports, Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), Lianhe Zaobao, ???? (news.qq.com), ?????? (Nikkei), Argaam, Mosaïque FM, 9News e The Jerusalem Post ■