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Trump prorroga cessar-fogo com Irã em meio a impasse diplomático
Presidente dos EUA anuncia extensão do cessar-fogo por tempo indeterminado, mas mantém bloqueio naval no Estreito de Ormuz, em meio a incertezas sobre a participação do Irã nas negociações de paz mediadas pelo Paquistão
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 22/04/2026

Poucas horas antes do término da trégua de duas semanas que expiraria na noite de quarta-feira (22), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) a prorrogação do cessar-fogo com o Irã por tempo indeterminado. A decisão atende a um pedido das autoridades do Paquistão, que atuam como mediadoras do conflito, e visa dar tempo para que o governo iraniano apresente uma proposta unificada para o fim definitivo das hostilidades.

"Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado — algo que não é inesperado —, e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes consigam apresentar uma proposta unificada", escreveu Trump em sua rede social, Truth Social. "Estenderei o cessar-fogo até que sua proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra."

Apesar da extensão do cessar-fogo, Trump foi enfático ao determinar a manutenção do bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz, uma medida que o governo iraniano considera um "ato de guerra" e uma violação da trégua. "Ordenei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e aptas", afirmou o presidente. A decisão de manter o cerco naval é um dos principais pontos de atrito com Teerã, que condiciona sua participação nas negociações ao fim do bloqueio.

O anúncio representa uma reviravolta na postura do presidente americano. Horas antes da publicação, Trump havia dito em uma entrevista à emissora CNBC que não pretendia estender o cessar-fogo e que esperava retomar os bombardeios contra o Irã. "Não quero fazer isso. Não temos tempo", afirmou o presidente pela manhã. "Espero continuar bombardeando porque acho que essa é a melhor postura a se adotar", declarou. A mudança de tom foi atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a pressão do Paquistão e as divisões internas no governo iraniano.

As reações ao anúncio foram imediatas e revelam a fragilidade do processo de paz.

  • Paquistão: O primeiro-ministro Shehbaz Sharif agradeceu a Trump por aceitar o pedido de extensão. "O Paquistão continuará seus esforços sinceros por uma solução negociada do conflito. Espero sinceramente que ambos os lados continuem a respeitar o cessar-fogo e consigam concluir um 'Acordo de Paz' abrangente", declarou Sharif.
  • Irã: A posição de Teerã permaneceu ambígua e repleta de ressalvas. A agência de notícias estatal Tasnim informou que o país não solicitou a extensão da trégua e rejeitou a participação nas conversas em Islamabad enquanto o bloqueio dos EUA persistir. "Portanto, o Irã não negociará com os americanos", divulgou a agência. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, classificou o bloqueio como um "ato de guerra". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã está recebendo "mensagens contraditórias e comportamentos inaceitáveis" de Washington.
  • Líderes iranianos: O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que lidera a delegação de negociação, descartou qualquer tipo de acordo "sob a sombra de ameaças" e afirmou que o país está preparado para revelar "novas cartas no campo de batalha". O chefe da força aeroespacial da Guarda Revolucionária, General Majid Mousavi, ameaçou destruir a indústria do petróleo na região do Golfo caso os países vizinhos permitam que os EUA usem seu território para atacar o Irã.
  • Comunidade internacional: O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou a extensão do cessar-fogo, classificando-a como um "passo importante para reduzir as tensões e criar um espaço vital para a diplomacia". O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, também elogiou a medida, afirmando que é importante permitir a "continuidade" do processo de paz.

Em meio a esse cenário de desconfiança, a viagem do vice-presidente americano, J.D. Vance, ao Paquistão, que estava prevista para esta terça-feira, foi cancelada. A Casa Branca informou que qualquer nova atualização sobre reuniões presenciais será comunicada oportunamente. O presidente Trump também se reuniu na Casa Branca com seu secretário de Estado, Marco Rubio, e seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, para discutir os próximos passos.

Desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o conflito já dura 52 dias. O bloqueio naval dos EUA, em vigor desde 13 de abril, forçou 25 navios comerciais a mudar de rota. No domingo (19), a Marinha dos EUA apreendeu um navio de carga iraniano, o Touska, no Golfo de Omã, depois de disparar contra sua casa de máquinas. O Irã classificou o ato como "pirataria" e prometeu retaliar.

A extensão do cessar-fogo, embora vista com cautela, trouxe um breve alívio aos mercados. O preço do petróleo Brent, que havia subido mais de 5% com o temor do colapso da trégua, recuou para cerca de US$ 98,97 o barril, após o anúncio de Trump. Apesar disso, o preço ainda é 35% superior ao valor registrado antes do início da guerra.

Com informações de G1, UOL, BBC News Brasil, CNN Brasil, BBC News, CNN International, Al Jazeera, The Guardian, The New York Times, NHK World-Japan, DW, The Hindu, China.org.cn, People's Daily, CCTV, Bernama, Al Quds, MercoPress, The New Zealand Herald, The Nation Thailand, LBC, Daily Mail, HuffPost, Yahoo! News Malaysia, Daily News Egypt, The Straits Times, Tabnak, Asr Iran, Etemad Online ■

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