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Irã e EUA disputam busca por piloto desaparecido após derrubada de aeronaves
Incidente inédito na guerra: dois aviões dos EUA são abatidos em 24 horas, com um militar ainda foragido em território iraniano enquanto Teerã oferece recompensa e Washington impõe silêncio
Oriente-Medio
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTawywV4qajpXfCk4zGeuhNkFWkXhuYAPds8w&s
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■   Bernardo Cahue, 04/04/2026

Em uma escalada sem precedentes desde o início do conflito no Oriente Médio, forças dos Estados Unidos e do Irã protagonizam uma corrida frenética contra o tempo, neste sábado (4), para localizar um piloto norte-americano desaparecido. O militar é um dos tripulantes de um caça F-15E "Strike Eagle" que foi abatido por fogo iraniano na sexta-feira (3) sobre a província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste do Irã, próximo à fronteira com o Iraque. Este é o primeiro caso conhecido de uma aeronave de guerra dos EUA abatida em território iraniano desde o início da guerra, desferindo um duro golpe nas alegações de superioridade aérea total feitas pelo governo Trump.

As perdas norte-americanas, no entanto, não se limitaram ao F-15E. O Exército iraniano também reivindicou o abate de um segundo avião, um A-10 "Warthog", na região do Estreito de Ormuz. Diferentemente do primeiro caso, o piloto do A-10 conseguiu ejetar com segurança sobre o Golfo Pérsico e foi rapidamente resgatado por forças dos EUA. Os dois abates ocorreram em um intervalo de poucas horas, marcando um "dia negro" para a aviação americana, como descrito pela mídia estatal iraniana.

A situação do F-15E é a mais crítica e dramática. A aeronave, que carregava dois militares, foi atingida por sistemas de defesa aérea avançados do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Um dos tripulantes foi resgatado por forças especiais dos EUA, que realizaram uma operação de alto risco em território hostil, utilizando helicópteros que, segundo relatos, foram alvejados por tiros de armas leves e conseguiram deixar o espaço aéreo iraniano. O paradeiro do segundo piloto, no entanto, continua sendo um mistério, e sua captura se tornou o prêmio mais cobiçado do conflito.

Enquanto Washington mantém um silêncio oficial estratégico, Teerã adotou uma postura agressiva e pública. A televisão estatal iraniana pediu aos moradores das regiões montanhosas do sudoeste que fiquem atentos e capturem "o piloto inimigo", prometendo uma "valiosa recompensa" em troca. A recompensa foi inicialmente divulgada como 10 bilhões de tomans (cerca de 66 mil dólares), e as autoridades locais afirmaram que qualquer um que capturar ou matar o piloto será "especialmente elogiado". O porta-voz do comando militar iraniano, Ibraim Zolfaghari, declarou que o F-15E foi "completamente obliterado" pela "nova avançada sistema de defesa aérea" do país, uma afirmação que visa diretamente contradizer as declarações de Washington de que as defesas aéreas iranianas estavam "dizimadas".

A situação gerou uma mistura de reações no cenário político e militar. O presidente Donald Trump, em breves declarações à imprensa, minimizou o impacto do incidente nas negociações para um cessar-fogo, afirmando: "Não, de modo algum. É guerra. Estamos em guerra". Apesar da aparente indiferença, o governo ordenou o envio de mais aeronaves para a região para reforçar as buscas, e Israel estaria fornecendo inteligência para auxiliar na localização do piloto desaparecido.

O episódio também gerou críticas e ironias por parte de líderes iranianos. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, escreveu em sua conta no X (antigo Twitter) que a guerra, que começou com o objetivo americano de "mudança de regime", foi "rebaixada" para uma simples "caçada a pilotos". A perda de duas aeronaves em um único dia representa um revés significativo para a imagem de invencibilidade da força aérea americana e aumenta a pressão sobre o presidente Trump, especialmente quando a opinião pública americana já demonstrava cansaço com o conflito.

As consequências do incidente vão além da busca pelo piloto. A escalada de tensões levantou o risco de o conflito se expandir ainda mais, com novos ataques sendo reportados neste sábado. Entre eles, um ataque de drone que danificou a sede da gigante de tecnologia Oracle em Dubai e novos bombardeios israelenses-americanos que atingiram áreas próximas à usina nuclear de Bushehr, no Irã. A comunidade internacional acompanha a situação com apreensão, temendo que a corrida para encontrar o piloto desaparecido possa se transformar em um incidente de captura que sirva de pretexto para uma escalada militar ainda maior e incontrolável.

  • O Abate do F-15E: A aeronave foi derrubada sobre a província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad. Um piloto foi resgatado, o outro está desaparecido e é procurado por ambos os lados.
  • O Abate do A-10: O segundo avião foi derrubado sobre o Golfo Pérsico/Estreito de Ormuz. O piloto foi resgatado com sucesso pelas forças dos EUA.
  • A Recompensa Iraniana: O Irã ofereceu uma recompensa de 10 bilhões de tomans (cerca de US$ 66 mil) por informações que levem à captura do piloto desaparecido.
  • O Silêncio Americano: O governo Trump manteve uma postura de silêncio oficial, com breves declarações do presidente minimizando o impacto do incidente, enquanto as forças de resgate atuam no terreno.
  • A Escalada do Conflito: Novos ataques foram reportados, incluindo um ataque de drone contra a sede da Oracle em Dubai e bombardeios próximos à usina nuclear de Bushehr, no Irã.

Com informações de Agence France-Presse (AFP), Associated Press (AP), BBC News Brasil, CBS News, G1, NBC News, Reuters, RFI, Sputnik Brasil, The New Arab, Times of Israel, UOL, Xinhua Net, ?????, ??, ???? ■

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