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O Irã intensificou as tensões no Oriente Médio nesta terça-feira (31) ao divulgar uma lista com 18 empresas americanas, incluindo gigantes da tecnologia como Apple, Google, Meta (Facebook), Microsoft, Tesla e a fabricante aeroespacial Boeing, que serão consideradas "alvos legítimos" para ataques em toda a região. A ameaça, formalizada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), exige a evacuação imediata de funcionários e de civis que residem num raio de até um quilômetro das instalações dessas corporações no Oriente Médio, sob risco de serem atingidos por operações de retaliação.
De acordo com comunicado publicado pela agência de notícias Sepah News, vinculada ao IRGC, o ultimato entra em vigor a partir das 20h (horário de Teerã) do dia 1º de abril. A declaração afirma que "empresas envolvidas em espionagem terrorista" que contribuem para operações de inteligência, tecnologia de comunicação e inteligência artificial utilizadas em ataques contra o Irã se tornaram alvos. O aviso é direto: "cada vez que um ato terrorista ocorrer no Irã, as instalações relacionadas a essas empresas na região serão destruídas".
Lista completa das empresas ameaçadas
A Guarda Revolucionária nomeou explicitamente as 18 corporações que integram a lista de alvos. O comunicado inclui:
O IRGC justificou a escolha dessas empresas alegando que suas plataformas de inteligência artificial (IA) e infraestrutura de nuvem são utilizadas pelos Estados Unidos e Israel para realizar "operações de assassinato seletivo" e monitoramento de alvos dentro do território iraniano.
Ataques simultâneos e a escalada militar
Enquanto o aviso era publicado, o exército iraniano confirmou que já havia iniciado uma série de ataques com drones kamikaze contra centros estratégicos em território israelense. As forças armadas afirmam ter atingido o Centro de Software Siemens, localizado próximo ao Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, e centros de comunicação da Telecom e AT&T na cidade de Haifa. Segundo a declaração militar, esses locais foram alvos porque suas tecnologias são utilizadas para "otimizar linhas de produção de armas e projetar sistemas militares" para as forças israelenses, integrando automação industrial e computação em nuvem.
Contexto: a crise após a morte de Khamenei
A crise atual é o mais recente capítulo de uma escalada que se arrasta desde fevereiro. Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel realizaram ataques conjuntos em Teerã e outras cidades iranianas, resultando na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, além de altos comandantes militares e civis. Em resposta, o Irã já havia lançado ondas de mísseis e drones contra bases americanas e israelenses. A nova ameaça do IRGC, no entanto, amplia o escopo do conflito para além de alvos militares tradicionais, mirando infraestruturas civis e comerciais ligadas à tecnologia, o que analistas chamam de "guerra de infraestrutura".
A decisão do Irã de atingir ativos comerciais americanos no Golfo Pérsico e em Israel já havia sido testada no início de março, quando drones atacaram centros de dados da Amazon Web Services (AWS) nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional alertaram que os data centers, antes vistos como ativos puramente comerciais, agora se tornaram alvos legítimos em conflitos assimétricos, sendo considerados "infraestrutura de segurança nacional".
Reações e ordens de evacuação
O governo dos Estados Unidos já se manifestou sobre as ameaças. Um porta-voz da Casa Branca afirmou ao Politico que as forças armadas americanas estão preparadas para "impedir quaisquer ataques do Irã", destacando uma suposta redução de 90% nos ataques com mísseis e drones pelo "regime terrorista" devido à pressão militar. Enquanto isso, o Pentágono descreveu os próximos dias como "decisivos" para o conflito.
Em meio às ameaças, o IRGC emitiu instruções severas para a população civil na região:
A escalada ocorre em um momento de alta volatilidade na região, com implicações diretas para a economia global. Relatórios da ONU indicam que o conflito já ameaça causar perdas de até US$ 194 bilhões no PIB dos países árabes, além de elevar os preços da energia. As empresas listadas pelo Irã, muitas das quais possuem escritórios regionais nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein, ainda não emitiram comunicados oficiais detalhando planos de evacuação ou segurança, embora tenham sido procuradas pela imprensa.
Com informações de Xinhua, People's Daily, Politico, Tasnim News Agency, HK01, Times Now, Chosun Ilbo, PTS News■