Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Jornalista americana Shelly Kittleson é sequestrada em Bagdá
Vítima recebeu alertas do FBI sobre ameaças concretas nos dias que antecederam o crime; forças de segurança continuam buscas para localizar a repórter e outros envolvidos
Oriente-Medio
Foto: https://conteudo.imguol.com.br/c/noticias/b7/2026/03/31/especializada-em-coberturas-no-oriente-medio-shelly-kittleson-foi-levada-por-desconhecidos-em-bagda-1774979993518_v2_900x506.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 01/04/2026

A jornalista norte-americana Shelly Kittleson, freelancer que cobria o Oriente Médio e o Afeganistão para diversos veículos internacionais, foi sequestrada na terça-feira (31) em Bagdá, no Iraque, conforme confirmaram fontes oficiais do governo local e do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O crime ocorreu em meio a um aumento das tensões na região e a ameaças prévias de milícias apoiadas pelo Irã contra cidadãos americanos.

De acordo com o Ministério do Interior do Iraque, a jornalista foi levada por “indivíduos desconhecidos” na movimentada Rua Saadoun, no centro da capital iraquiana. Após o sequestro, as forças de segurança iniciaram uma operação imediata, que incluiu o rastreamento dos veículos utilizados pelos criminosos. Um dos carros envolvidos foi interceptado próximo à cidade de Al-Haswa, na província de Babil, a sudoeste de Bagdá, após capotar durante uma perseguição. No entanto, Kittleson não estava no veículo, tendo sido transferida para um segundo automóvel que conseguiu fugir do cerco policial.

As autoridades iraquianas conseguiram prender um dos suspeitos de participar do sequestro. O Departamento de Estado dos EUA, por meio do Secretário de Estado Assistente para Assuntos Públicos Globais, Dylan Johnson, afirmou que o detido tem ligações com a milícia Kataib Hezbollah (Brigadas do Hezbollah), grupo armado iraquiano alinhado ao Irã e que já foi responsável por ataques a forças americanas na região. A identidade do suspeito não foi revelada, mas fontes indicaram que ele portava um documento de identificação de uma empresa de segurança privada no momento da prisão.

Shelly Kittleson, que mora em Roma e trabalha como correspondente independente há anos, construiu uma carreira sólida relatando conflitos e questões de segurança no Oriente Médio. Seu trabalho já foi publicado em veículos de renome como Al-Monitor, BBC, Foreign Policy, Politico, New Lines Magazine e a agência italiana ANSA. Em 2017, ela foi reconhecida com o prêmio de jornalismo italiano Premio Caravella por suas reportagens em zonas de guerra.

Em comunicado oficial, o Departamento de Estado dos EUA confirmou que Kittleson havia sido alertada sobre ameaças específicas contra sua segurança nos dias que antecederam o sequestro. Segundo Johnson, “o Departamento de Estado cumpriu seu dever de alertar esta pessoa sobre as ameaças contra ela”. As autoridades revelaram que a jornalista foi contatada pelo menos quatro vezes nos últimos dias, incluindo na noite anterior ao crime, por agentes do FBI, que a informaram sobre os riscos iminentes. A pasta reiterou que está coordenando esforços com o FBI e as autoridades iraquianas para garantir a libertação segura e rápida da profissional.

Até o momento, nenhum grupo assumiu formalmente a responsabilidade pelo sequestro, e o governo iraniano não se pronunciou sobre o caso. As forças de segurança iraquianas afirmaram que as operações de busca continuam em andamento para localizar Kittleson e prender os demais envolvidos.

A comunidade internacional e organizações de defesa da liberdade de imprensa manifestaram profunda preocupação com o caso. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) pediu que as autoridades iraquianas façam todo o possível para localizar a repórter e garantir sua libertação imediata e em segurança, além de pedir a responsabilização dos culpados. A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) também se solidarizou, destacando que Kittleson é “muito familiarizada com o Iraque, onde passa longos períodos”, e que a organização está ao lado de seus entes queridos e colegas durante a “espera dolorosa”.

A publicação Al-Monitor, para a qual Kittleson contribuía regularmente, divulgou uma nota afirmando estar “profundamente alarmada” com o sequestro. “Pedimos sua libertação segura e imediata. Apoiamos suas reportagens vitais da região e pedimos seu rápido retorno para que continue seu importante trabalho”, declarou o veículo.

O sequestro ocorre em um momento de elevada tensão na região, em meio à guerra em curso entre forças apoiadas pelos EUA e o Irã. Milícias apoiadas por Teerã no Iraque têm realizado ataques regulares contra instalações norte-americanas no país desde o início do conflito. Antes mesmo do incidente, a embaixada dos EUA em Bagdá já havia alertado sobre o risco de sequestros e reiterado o apelo para que cidadãos americanos deixassem o território iraquiano.

O caso de Shelly Kittleson lembra outros sequestros de estrangeiros no Iraque nos últimos anos. Em 2023, a estudante de pós-graduação da Universidade de Princeton, Elizabeth Tsurkov, foi sequestrada em Bagdá e mantida em cativeiro por um grupo ligado ao Kataib Hezbollah, sendo libertada apenas em setembro de 2025.

Com informações de ABC15 Arizona, PBS, Associated Press, NPR, WFAE, TASS, Australian Broadcasting Corporation, Anadolu Ajans?, USA Today ■

Mais Notícias