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Flávio Bolsonaro pede aos EUA pressão diplomática contra o Brasil para as eleições
Senador e pré-candidato à Presidência também acusou o governo Biden de interferência em 2022, associou Lula a cartéis de drogas e ofereceu reservas de terras raras como ativo de alinhamento
Politica
Foto: https://www.estadao.com.br/resizer/v2/A57MDOLM2FAUZDTZAKJXK5QKWU.jpg?quality=80&auth=953f89a73e8510d9dee779d406afb46bb28dca8a0c17ede151353f0ab492d3af&width=1200
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■   Bernardo Cahue, 29/03/2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou um discurso neste sábado (28) em um evento conservador nos Estados Unidos para pedir que o governo norte-americano e o "mundo livre" apliquem pressão diplomática sobre o Brasil para que as eleições de 2026 sigam "valores de origem americana". A fala ocorreu durante a CPAC (Conservative Political Action Conference), realizada no Texas, principal fórum da direita estadunidense.

Dirigindo-se diretamente à plateia americana, o pré-candidato à Presidência afirmou que, em vez de uma suposta interferência como a que atribuiu ao ex-presidente Joe Biden nas eleições de 2022, os EUA deveriam agora "aplicar pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente". "Em vez da administração Biden interferir em nossas eleições para instalar um socialista que odeia a América, aplicar pressão diplomática por eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana — essa é uma boa mudança de política externa para a região, não é?", declarou o senador.

Flávio Bolsonaro pediu que os americanos e demais países "monitorem a liberdade de expressão" no Brasil e observem o processo eleitoral com "enorme atenção". Embora tenha afirmado que não deseja interferência estrangeira como a que atribuiu à gestão Biden, o discurso endossou a narrativa — não comprovada — de que as eleições de 2022 teriam sido fraudadas. Especialistas e verificadores apontam que não há documentos públicos que comprovem o suposto financiamento da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) citado por ele, cujos projetos no Brasil são majoritariamente nas áreas de saúde e educação.

Durante a fala de cerca de 16 minutos, o senador buscou estabelecer paralelos entre a situação jurídica de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a do presidente norte-americano Donald Trump. Ele classificou a condenação do patriarca a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado como "lawfare" — termo que descreve o uso do sistema jurídico para perseguir adversários políticos — e afirmou que Jair Bolsonaro está preso "pelas mesmas crenças" que o público ali presente.

O senador também fez afirmações controversas ao revisitar o período da pandemia de Covid-19, dizendo que seu pai "lutou contra a tirania da Covid". A declaração ignora os dados oficiais que apontam que mais de 700 mil mortes pela doença ocorreram no Brasil, em sua grande maioria durante o mandato de Jair Bolsonaro.

Em outro trecho do discurso, Flávio Bolsonaro criticou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de proteger facções criminosas. Segundo o senador, o governo Lula teria feito "lobby pesado" junto a assessores americanos para evitar que duas das maiores organizações criminosas do Brasil — referindo-se ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV (Comando Vermelho) — fossem classificadas como organizações terroristas pelos EUA. A declaração foi feita em referência a uma matéria publicada pelo jornal The New York Times sobre a avaliação do governo Trump sobre o tema.

Além das críticas ao cenário político e de segurança pública, o pré-candidato à Presidência utilizou o palco internacional para fazer um apelo econômico e geopolítico. Flávio Bolsonaro destacou as reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, essenciais para a indústria de tecnologia e defesa, e sugeriu que o Brasil poderia ser a solução para reduzir a dependência dos EUA em relação à China. Ele citou dados sobre o controle chinês do setor e defendeu uma aliança comercial e estratégica entre os dois países, oferecendo o território brasileiro como uma alternativa segura de fornecimento.

A participação de Flávio no evento contou com a presença de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos há mais de um ano e foi apresentado no local como "deputado exilado". O senador encerrou sua fala com uma promessa de vitória nas eleições de outubro, afirmando que retornará ao evento no próximo ano já como presidente, prometendo uma versão "melhorada" do governo do pai, à semelhança do segundo mandato de Trump.

Confira os principais pontos do discurso de Flávio Bolsonaro na CPAC:

  • Pressão diplomática: Pedido para que os EUA e o "mundo livre" exerçam pressão para que as eleições brasileiras sigam "valores de origem americana".
  • Acusação sem provas: Reiterou a alegação não comprovada de que o governo Joe Biden interferiu nas eleições de 2022 por meio da USAID para eleger Lula.
  • Paralelo Bolsonaro-Trump: Comparou a condenação do pai por tentativa de golpe com os processos judiciais enfrentados por Donald Trump, classificando ambos como "lawfare".
  • Negacionismo: Referiu-se à gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro como uma luta contra a "tirania da Covid".
  • Críticas a Lula: Acusou o atual presidente de proteger os cartéis de drogas (PCC e CV) nos EUA e de ser "abertamente anti-norte-americano".
  • Oferta de terras raras: Defendeu uma aliança econômica com os EUA baseada na exploração de minerais críticos brasileiros para reduzir a dependência americana da China.

Com informações de G1, Terra, CNN Brasil, Jovem Pan, Metrópoles, Poder360 ■

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