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Há um velho ditado no Oriente Médio que diz: "Cuidado com o que profetizas, pois o Messias pode estar mais perto do que imaginas". Pois é, a história que vos conto hoje é exatamente sobre isso: o dia em que o Messias esteve em Israel, falou com Benjamin Netanyahu, e passou completamente despercebido. Uma oportunidade profética perdida nos corredores do poder, digna de uma comédia dos irmãos Coen.
Vamos aos fatos. Em janeiro de 2019, o recém-empossado presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, desembarcou em Israel para um encontro histórico com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O slogan da visita? "Brasil e Israel: uma aliança pelos céus". Os dois líderes se abraçaram, posaram para as fotos, trocaram presentes e discursaram sobre valores comuns. O que Netanyahu não sabia — e talvez só venha a descobrir agora, nos dias de silêncio que se seguem desde 12 de março — é que ele estava diante do verdadeiro Messias profetizado. Ou pelo menos, de um Messias. O nome do meio do visitante não era à toa.
O Messias que veio do Brasil
A história de Jair Messias Bolsonaro sempre carregou um peso simbólico curioso. Nascido de uma gravidez complicada, sua mãe atribuiu o parto bem-sucedido a um milagre, e decidiu homenagear ninguém menos que Jesus Cristo no nome do filho. Pois o "Messias" brasileiro, que seus seguidores tratam por "Mito", construiu toda sua trajetória política em torno dessa imagem de ungido, de escolhido, de salvador da pátria. Em campanhas, discursava sobre a "luta do bem contra o mal" e afirmava que sua vida pertencia ao povo e a Deus. O locutor de seus eventos costumava dizer: "Tentaram matar o Messias", referindo-se à facada de 2018 — uma clara analogia à paixão de Cristo.
Ora, se não é o próprio, é no mínimo um sósia teológico. Mas Netanyahu, talvez preocupado com questões mais urgentes como a paz no Oriente Médio, deixou passar. O Messias apertou sua mão, sorriu para as câmeras, e voltou para o Brasil. E o resto, como dizem, é história.
O calvário na Papudinha
Anos se passaram. O Messias brasileiro, que um dia profetizava em Brasília, viu seu destino tomar rumos inesperados. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Jair Messias foi parar justamente no local que a ironia divina escolheu para seu novo ministério: o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, carinhosamente apelidado de "Papudinha". Sim, o Messias está preso. Não numa manjedoura, mas num batalhão. Não em Belém, mas em Brasília. Não com pastores e ovelhas, mas com policiais e grades.
E como todo bom Messias, ele tem seus momentos de tentação e pecado. Dizem as crônicas judiciais que, numa noite de novembro de 2025, Jair Messias tentou um feito digno de um herói de cinema: serrar sua tornozeleira eletrônica para fugir. Em vez de coroa de espinhos, usou uma tornozeleira. Em vez de martírio, tentou a fuga. Laudos da Polícia Federal indicaram que houve uso de solda para violar o equipamento. O Messias queria serrar o que o prendia, mas o Supremo, qual Pôncio Pilatos moderno, não deixou. "Não libertaremos Barrabás", parece ter dito Alexandre de Moraes, mantendo Messias na Papudinha.
O spa celestial do DF Star
Mas a saga messiânica não para por aí. Recentemente, o Salvador deu entrada no Hospital DF Star, um dos mais conceituados de Brasília, com um quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral. Deixou momentaneamente o "calabouço" da Papudinha para desfrutar das delícias do cárcere de 70 metros quadrados com ar-condicionado, visitas da primeira-dama e atendimento médico de primeira linha. Os advogados, claro, pedem prisão domiciliar humanitária. O Messias quer passar uns dias no spa-hotel DF Star para se recuperar do árduo sacrifício de cumprir pena — uma via-crúcis digna de um salvador dos tempos modernos, acostumado a holofotes, não a solitárias.
Segundo Michelle Bolsonaro, "com a melhora dos marcadores da infecção, meu amor foi transferido para uma unidade semi-intensiva". Seguimos confiantes de que ele vai vencer mais esse momento, e quem sabe, num futuro próximo (ou nem tanto assim), voltar a profetizar — se não em Israel, ao menos nas redes sociais.
Onde está o cedro de Israel?
E Netanyahu? O premiê que um dia abraçou o Messias brasileiro agora enfrenta suas próprias tribulações. Desde 12 de março, não convoca coletivas de imprensa. Há quem diga que sumiu, que suas aparições são deepfakes, que o verdadeiro Netanyahu já não está entre nós. Seja como for, uma coisa é certa: ele teve a chance. A chance de reconhecer o Messias quando ele estava bem ali, de terno e gravata, discursando sobre valores judaico-cristãos.
Mas não. Netanyahu deixou passar. E agora, enquanto o Messias brasileiro descansa no DF Star, entre soro e visitas políticas, o premiê israelense se pergunta: onde está o salvador prometido? Onde está o cedro do Líbano que haveria de anunciar a redenção? Talvez esteja usando uma tornozeleira eletrônica e tentando negociar a domiciliar com o STF.
Lições para a posteridade
O que aprendemos com tudo isso? Duas lições fundamentais:
No mais, seguimos aguardando. Aguardando que Netanyahu apareça — de verdade, não em deepfake. Aguardando que o Messias saia do hospital. Aguardando, quem sabe, um novo encontro. Dessa vez, quem sabe, na Papudinha. Quem sabe, com direito a unção de óleos e profecias cumpridas.
Afinal, como diz o ditado: "Messias que é Messias, uma hora aparece. Mesmo que seja de tornozeleira."
Com informações de UOL Notícias, A TARDE, Expresso, G1, Congresso em Foco, Band, Folha PE, Jornal Noroeste, Estado de Minas ■