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Protestos contra a guerra mobilizam população no Irã
Manifestações pró-governo eclodem enquanto aumenta a pressão externa e o temor de um conflito com os EUA e Israel
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 18/03/2026

Diante da escalada da retórica de guerra e das ameaças de ataques por parte dos Estados Unidos e de Israel, o governo do Irã convocou a população para ir às ruas em protestos contra a guerra e em apoio à República Islâmica. Desde o início do atual conflito, em 28 de fevereiro, as autoridades iranianas têm organizado comícios pró-regime para demonstrar unidade nacional e contrapor qualquer movimento de desestabilização interna.

Diferentemente das manifestações de janeiro, que pediam a queda do regime, os atos convocados recentemente pelo governo têm um caráter patriótico e de enfrentamento à pressão estrangeira. A convocação acontece em um momento de alto isolamento e com o país sob um rígido controle de segurança. As medidas tomadas pelas forças de segurança incluem:

  • Instalação de novos pontos de verificação e barreiras de segurança em Teerã e outras grandes cidades, com revistas a veículos e pedestres.
  • Restrição severa ao acesso à internet, repetindo o padrão utilizado durante a repressão em janeiro, para dificultar a coordenação de possíveis protestos da oposição.
  • Envio de mensagens de texto em massa pela Unidade de Inteligência da Guarda Revolucionária (IRGC) advertindo a população contra qualquer tentativa de participar de manifestações anti-establishment, classificando os manifestantes como "inimigos".

As manifestações pró-governo ocorrem num contexto de medo crescente entre a população. Uma pesquisa de sentimento conduzida por veículos internacionais na capital mostra que cidadãos comuns estão apreensivos com a possibilidade de um conflito armado. As principais razões apontadas para o temor são:

  1. A iminência de um ataque liderado pelos EUA, que prometeu uma resposta dura caso o regime não chegue a um acordo nuclear.
  2. A incerteza econômica e o impacto que uma guerra teria no já fragilizado poder de compra da população, com a inflação corroendo os salários.
  3. A possibilidade de novos recortes no acesso à internet e o agravamento do isolamento internacional.

Enquanto a Guarda Revolucionária aperta o cerco e promete retaliar qualquer ataque externo, mirando bases americanas e israelenses na região, o governo tenta equilibrar a retórica de guerra com a manutenção da ordem interna, usando as manifestações convocadas como uma vitrine de apoio popular.

Com informações de BBC, DW, L'Orient Today, Luxembourg Times, ETV Bharat ■

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