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Hamas reforça controle em Gaza enquanto Trump apresenta plano de paz com exigência de desarmamento
Proposta americana condiciona retirada militar israelense à entrega de armamentos do grupo, que segue consolidando poder no enclave
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 19/02/2026

O grupo fundamentalista Hamas intensificou nos últimos dias medidas para consolidar seu domínio sobre a Faixa de Gaza, em um movimento interpretado por analistas como uma resposta direta à mais recente investida diplomática da Casa Branca. O plano de paz liderado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê a retirada completa das forças israelenses do território palestino, mas impõe uma condição considerada inegociável para o grupo: a entrega de todo o seu arsenal militar.

De acordo com fontes diplomáticas, a proposta trumpista estabelece um cronograma de desescalada que começaria com um cessar-fogo de longo prazo, seguido pela gradual desmobilização das brigadas do Hamas. Em contrapartida, Israel retiraria suas tropas das áreas ocupadas e flexibilizaria o bloqueio econômico imposto à região. No entanto, lideranças do Hamas já sinalizaram, em conversas internas, que “a rendição das armas é uma linha vermelha”, o que coloca o plano em uma encruzilhada.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional apontam que o grupo vive seu momento de maior fortalecimento militar desde a guerra de 2021. Estima-se que o Hamas disponha de um arsenal que inclui foguetes de longo alcance, drones explosivos e uma rede de túneis que se estende por centenas de quilômetros. Esse poderio bélico é visto pela liderança do grupo como o principal trunfo para garantir qualquer negociação futura. “Sem as armas, o Hamas perde sua razão de existir como força de resistência e se tornaria um mero partido político dependente da Autoridade Palestina”, avaliou o analista político Khaled al-Hroub, em artigo publicado esta semana.

Paralelamente, a população civil de Gaza enfrenta uma crise humanitária agravada. Os principais pontos da proposta de paz incluem:

  • Reconstrução da infraestrutura: Criação de um fundo internacional para reconstruir moradias, hospitais e escolas destruídas nos últimos conflitos.
  • Corredor humanitário: Abertura de passagens de fronteira para entrada de alimentos, medicamentos e materiais de construção.
  • Governança: Supervisão de uma força multinacional durante o período de transição, até que eleições possam ser realizadas.
  • Desarmamento: Entrega de foguetes e armas pesadas do Hamas a uma comissão da ONU, em troca da saída total das tropas israelenses.

Reações no cenário internacional são divididas. Enquanto a União Europeia e a Liga Árabe emitiram notas cautelosas, apoiando a retomada das negociações, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que “Israel não aceitará a presença de um exército terrorista ao lado de suas cidades”. Em Gaza, porém, a percepção é de que o plano pode ser uma manobra para enfraquecer o grupo sem oferecer uma solução política definitiva. “Trump quer o desarmamento sem garantir um Estado palestino viável. Isso é inaceitável”, disse à imprensa local um porta-voz do Hamas sob condição de anonimato.

Enquanto isso, o grupo segue reforçando sua autoridade civil, com a atuação de seus tribunais e forças de segurança interna, suprimindo qualquer voz discordante que possa surgir em meio às tratativas. A tensão permanece alta, e observadores temem que o impasse em torno da exigência de desarmamento possa levar a uma nova escalada de violência antes mesmo de as negociações avançarem.

Próximos passos: Enviados especiais dos Estados Unidos devem se reunir nas próximas semanas com representantes do Catar e do Egito — países que historicamente atuam como intermediários com o Hamas — para tentar encontrar uma fórmula que permita iniciar a implementação do plano sem que o grupo perca totalmente sua capacidade de barganha.

Com informações de: Reuters, Associated Press, Al Jazeera, BBC News, The Guardian ■

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