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Na contramão de Macron, Lula articula acordo Mercosul-UE com Croácia e mira em terras raras na Índia
Encontro com presidente francês expõe impasse comercial, enquanto petista costura apoio de outros europeus e negocia parcerias estratégicas em inteligência artificial e minerais críticos em Nova Déli
Politica
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■   Bernardo Cahue, 19/02/2026

Em meio à 4ª Cúpula de Impacto em Inteligência Artificial em Nova Déli, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou uma série de encontros bilaterais de alto impacto, colocando o acordo Mercosul-União Europeia no centro da agenda. O petista se reuniu com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovi?, em conversas que revelaram os diferentes humores do continente europeu em relação ao tratado comercial.

A reunião com Macron ocorre em um momento delicado. Embora os dois líderes mantenham uma relação pessoal próxima, a França continua sendo o principal foco de resistência dentro da UE. Na visão do presidente francês, o acordo traz um bom "sinal geopolítico", mas está "desatualizado" e é considerado um "mau negócio", especialmente devido ao temor do setor agropecuário francês com a entrada de produtos sul-americanos. Apesar das divergências, a pauta do encontro foi ampla e incluiu, segundo o Planalto, temas bilaterais e globais, como a proposta de um Conselho de Paz para Gaza apresentada pelos EUA — iniciativa que Macron já recusou e Lula condicionou a mudanças.

Em contraste com a frieza francesa, a conversa com o primeiro-ministro croata Andrej Plenkovi? foi alinhada aos interesses brasileiros. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, os dois líderes destacaram a importância da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia e sua relevância no atual contexto de aumento do protecionismo comercial. Na reunião, Lula também lamentou os elevados gastos mundiais com armamentos e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.

O acordo, assinado em janeiro em Assunção após mais de duas décadas de negociação, ainda enfrenta um longo e tortuoso caminho até a implementação. Os principais obstáculos atuais são:

  • Resistência setorial na Europa: Setores agrícolas europeus, especialmente na França, temem o impacto da competição com produtos sul-americanos como carne, açúcar e etanol.
  • Análise nos parlamentos: O texto precisa ser aprovado pelos legislativos de todos os países dos dois blocos. No Brasil, a análise na representação nacional no Parlasul foi recentemente adiada.
  • Ofensiva judicial: O Parlamento Europeu decidiu levar o acordo à Justiça para avaliar sua conformidade com as normas do bloco europeu.

Paralelamente às tratativas sobre o acordo comercial, a viagem à Índia tem uma agenda própria de peso. Nesta quinta-feira (19), Lula discursou na plenária de alto nível da cúpula de IA e recebeu o CEO da Google, Sundar Pichai. O presidente apresentou a visão brasileira para a inteligência artificial, destacando o plano de atração de investimentos em datacenters e a preocupação com os riscos da tecnologia, especialmente para meninas e mulheres, além do marco regulatório em discussão no Congresso.

Outro ponto central da visita é a negociação de um memorando de entendimento sobre minerais críticos e terras raras com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, com quem Lula se encontrará nos próximos dias. O objetivo é diminuir a dependência da China, que domina cerca de 90% da capacidade de processamento global desses elementos, essenciais para a transição energética e indústrias de alta tecnologia. A estratégia brasileira, no entanto, é manter a "universalidade" de parcerias, evitando oferecer exclusividade a qualquer nação, mesmo diante de convites dos EUA.

A agenda indiana de Lula inclui ainda:

  1. Inauguração do escritório da ApexBrasil em Nova Déli, para impulsionar os cerca de R$ 220 milhões já investidos por empresas indianas no setor de minério no Brasil.
  2. Extensão de vistos de turista de cinco para dez anos entre Brasil e Índia.
  3. Participação em um fórum empresarial que já atraiu mais de 300 empresas brasileiras de setores como agropecuária, saúde e tecnologia.

Após a passagem pela Índia, onde cumpre agenda até o dia 21, Lula segue para a Coreia do Sul no dia 22 para discutir, entre outros temas, a exportação de carne bovina brasileira e novos acordos de cooperação tecnológica.

Com informações de: Valor Econômico, Agência Brasil, Metrópoles, Jornal de Brasília, Associação Brasileira dos Jornalistas ■

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