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FGC atinge 90% dos pagamentos a clientes do Master e mira conclusão dos ressarcimentos
Em uma das maiores operações de sua história, fundo já desembolsou R$ 35,1 bilhões; processo foi marcado por alta demanda e alertas contra golpes
Politica
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) está na fase final do maior ressarcimento de sua história. Dados de segunda-feira (2) mostram que 87% do valor total (R$ 35,1 bilhões) já foi pago a aproximadamente 612 mil investidores do Banco Master, liquidado em novembro de 2025. O CEO do FGC, Daniel Lima, afirmou que a ambição da instituição é concluir o pagamento de todos os pedidos já protocolados ainda nesta semana, embora ressalte que isso não é um prazo formal. O valor total provisionado para os credores do Master é de R$ 40,6 bilhões.

A escala do processo é histórica. Este desembolso supera o valor pago na liquidação do Bamerindus em 1997 e é o maior já realizado pelo FGC. Após um início com instabilidades no aplicativo, o sistema se normalizou, chegando a processar cerca de 9 mil pedidos por hora. O fundo orienta que os credores mantenham as notificações do aplicativo ativas para acompanhar seus processos.

Como funciona o ressarcimento

O pagamento da garantia segue regras específicas:

  • Limite por CPF/CNPJ: O FGC garante até R$ 250 mil por titular, por instituição financeira, incluindo o valor aplicado e rendimentos até a data da liquidação.
  • Produtos cobertos: A proteção abrange CDBs, RDBs, LCIs e LCAs emitidos pelo banco liquidado.
  • Quem deve solicitar: Pessoas físicas fazem o pedido pelo aplicativo do FGC, enquanto pessoas jurídicas usam o site da instituição. O reembolso é depositado em conta de mesma titularidade informada no sistema.

Uma regra importante envolve clientes que tinham investimentos tanto no Banco Master quanto no Will Bank (adquirido pelo Master). Quem era cliente de ambas as instituições antes de 31 de agosto de 2024 tem direito a dois limites de R$ 250 mil (um para cada banco). Quem se tornou cliente após essa data tem direito ao limite único, pois as instituições são consideradas uma só.

Atenção redobrada contra golpes

O FGC e entidades do setor financeiro emitiram alertas sobre uma onda de tentativas de golpe visando credores ansiosos pelo ressarcimento. As práticas fraudulentas mais comuns incluem:

  • Envios de e-mails, mensagens e links falsos que simulam contato oficial do FGC.
  • Solicitação de dados pessoais, bancários ou códigos de segurança.
  • Promessas de antecipação de pagamento mediante cobrança de taxas.

O FGC reforça que não cobra nenhuma taxa para efetuar o pagamento, não utiliza intermediários e não faz contato por WhatsApp ou SMS para tratar do assunto. A orientação é desconsiderar qualquer comunicação suspeita e buscar informações apenas pelos canais oficiais do fundo.

O colapso do Banco Master

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, após a instituição enfrentar uma grave crise de liquidez e ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. O banco havia adotado uma estratégia de crescimento agressiva, captando recursos por meio da emissão de CDBs com juros muito acima do mercado — em alguns casos, até 180% do CDI — para financiar operações de alto risco.

Em depoimento, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, admitiu que o modelo de negócios foi estruturado contando com a cobertura do FGC para atrair investidores. O banco também é investigado por supostas fraudes contábeis e venda de carteiras de crédito fictícias, incluindo operações bilionárias com o Banco de Brasília (BRB).

Próximos passos e impacto no FGC

Enquanto os pagamentos do Master se encaminham para a conclusão, o Will Bank — braço digital do grupo — aguarda o início de seu processo de ressarcimento. Estima-se que serão mobilizados R$ 6,3 bilhões em garantias para seus clientes, mas os pagamentos só começarão após a consolidação da lista de credores pelo liquidante.

O desembolso total dos casos Master e Will Bank, que pode chegar a R$ 55 bilhões, consumirá uma parte significativa da liquidez do FGC. Para recompor seus recursos, as instituições financeiras associadas ao fundo discutem com o Banco Central a possibilidade de usar parte dos depósitos compulsórios (reservas mantidas no BC), evitando uma cobrança extraordinária pesada sobre os bancos.

Com informações de: G1, Broadcast/Estadão, UOL Economia, B3 Bora Investir, Correio Braziliense, Agência DC News ■

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