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Economistas projetam dólar até dezembro de 2026 em R$ 5,50
Análise aponta para cenário de relativa estabilidade cambial, mas forças globais e domésticas podem pressionar para cima
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■   Bernardo Cahue, 26/01/2026

A Projeção Oficial do Mercado

A expectativa unânime do mercado financeiro, consolidada pelo Boletim Focus do Banco Central, é que o dólar feche o ano de 2026 cotado a R$ 5,50. Essa projeção se mantém estável há pelo menos 15 semanas, indicando um consenso entre mais de 100 instituições financeiras pesquisadas. O cenário base é de relativa estabilidade, mesmo em um ano eleitoral, que tradicionalmente gera volatilidade nos mercados.

Fatores que Sustentam um Dólar Resiliente

Apesar de uma leve queda no início do ano, analistas apontam forças que devem sustentar a moeda americana. O Goldman Sachs destaca que, mesmo após desvalorizações recentes, o dólar ainda está cerca de 15% acima do seu "preço justo". Dois motivos centrais explicam essa resiliência:

  • Economia Americana Aquecida: A projeção de crescimento do PIB dos EUA para 2026 é de 2.8%, acima do consenso de mercado de 2.5%. Uma economia forte tende a valorizar sua moeda.
  • Produtividade Impulsionada por IA: Avanços em inteligência artificial estão aumentando a produtividade nos EUA, o que fortalece os fundamentos econômicos e atrai investimentos.

Otimismo com o Real e o Cenário Brasileiro

Paradoxalmente, mesmo com um dólar globalmente forte, há otimismo em relação ao real. O Goldman Sachs mantém uma visão favorável à moeda brasileira, que deve se beneficiar de:

  • Um maior apetite global por risco em 2026, com investidores buscando retornos em mercados emergentes.
  • O diferencial de juros elevado em relação aos EUA. A Selic está projetada em 12.25% no fim de 2026, contra expectativas de cortes mais agressivos pelo Federal Reserve.

Além disso, a América Latina como um todo tem se destacado nos retornos globais em 2026, com o Brasil registrando alta de 12.9% no mercado acionário. Este fluxo de investimentos estrangeiros para a região aumenta a oferta de dólares e alivia a pressão sobre o câmbio.

Riscos e Pressões de Curto Prazo

O caminho até o final do ano não deve ser linear, e a trajetória pode testar a resistência da projeção de R$ 5,50. Principais fatores de risco:

  1. Cenário Eleitoral: As eleições presidenciais no Brasil adicionam uma camada de incerteza, que historicamente pressiona o dólar para cima. No entanto, parte desse risco já pode estar precificado.
  2. Política Externa dos EUA: Ações e declarações do governo norte-americano, especialmente sobre tarifas comerciais, impactam a aversão ao risco global e afetam moedas emergentes.
  3. Força da Economia Interna: Dados positivos, como a taxa de desemprego em mínima histórica de 5.2%, fortalecem o real no curto prazo, mas também podem postergar cortes mais profundos na Selic.

Contexto Regional e Acordo Comercial

O desempenho do real não está isolado. Países vizinhos como Chile, Peru e Argentina têm apresentado valorizações cambiais e fortes desempenhos em suas bolsas, impulsionados por:

  • Preços altos de commodities, especialmente metais.
  • Expectativas com o acordo comercial entre UE e Mercosul, que promete maior integração e investimentos. Estudos indicam que o acordo pode elevar o PIB do Brasil em 0.5 ponto percentual.

Esse ambiente regional positivo cria um "colchão" para o real, aumentando o interesse dos investidores estrangeiros de longo prazo no país.

Com informações de: NeoFeed, G1, InfoMoney, MercoPress, B3, E-Investidor, Scotiabank, Yahoo Finance ■

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