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Seis promotores federais de Minnesota renunciaram coletivamente aos cargos nesta terça-feira (13) como um ato de protesto. A decisão foi tomada após pressão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para que abrissem uma investigação criminal contra a viúva de Renee Nicole Good, a mulher morta a tiros por um agente do ICE (Serviço de Imigração e Fronteiras) na semana passada, e devido à relutância do mesmo departamento em investigar o próprio atirador[reference:0].
As renúncias, reveladas pelo New York Times e confirmadas por fontes locais, representam uma rara rebelião interna no sistema de Justiça federal e aprofundam a crise política em torno do tiroteio que já provocou protestos em Minneapolis e acirrou a disputa entre o governo Trump e autoridades estaduais[reference:1].
Os seis profissionais que entregaram suas renúncias são todos promotores de carreira com atuação destacada em Minnesota. Entre eles estão:
Segundo pessoas familiarizadas com a decisão, Thompson e os outros promotores se opuseram veementemente à orientação do Departamento de Justiça de buscar uma investigação criminal contra a viúva de Good, considerando-a uma investigação politicamente motivada e sem base legal sólida[reference:4].
O centro do conflito está em duas ordens contraditórias do Departamento de Justiça. Por um lado, altos funcionários do departamento pressionaram os promotores para que abrissem um inquérito criminal contra a esposa de Renee Nicole Good, alegando que ela teria vínculos com grupos ativistas que se manifestam contra ações de imigração[reference:5].
Por outro lado, o mesmo departamento se recusou a incluir autoridades estaduais na investigação sobre a legalidade do tiroteio do agente do ICE, Jonathan E. Ross, e demonstrou relutância em investigar o uso de força letal pelo agente federal[reference:6][reference:7].
Para os promotores que renunciaram, essa postura representava uma inversão prioridades: criminalizar a vítima e sua família enquanto se protege o agente federal. “Eles não queriam investigar o atirador, mas queriam que nós investigássemos a viúva. Isso é errado”, disse uma fonte anônima ao New York Times.
A morte de Renee Nicole Good, 37 anos, mãe de três filhos, ocorreu na última quarta-feira (9) em Minneapolis. Durante uma operação de imigração, o agente do ICE Jonathan E. Ross se aproximou do SUV de Good e, após tentar abrir a porta do veículo, disparou três tiros a curta distância contra a motorista[reference:8].
Vídeos amplamente divulgados mostram Good tentando manobrar o carro para deixar o local no momento dos disparos. O veículo, então, acelerou e colidiu contra outro carro estacionado[reference:9]. Autoridades federais, como a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificaram as ações de Good como um “ato de terrorismo doméstico”, alegando que ela tentou atropelar um agente[reference:10]. No entanto, as imagens não mostram nenhuma ação ilegal da viúva que estava no carro, segundo a análise do Times e de outras fontes[reference:11].
O agente Ross é um veterano de dez anos da equipe de resposta especial do ICE. Em junho de 2025, ele foi arrastado por um carro durante uma ação, fato usado pela Casa Branca para justificar sua “sensibilidade” a situações com veículos[reference:12].
O caso ocorre em um cenário político altamente polarizado. O governo Trump e a cúpula do Departamento de Justiça defendem a versão de que o ICE agiu corretamente e que a investigação deve focar nos supostos vínculos da família de Good com ativistas. Do outro lado, o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, exigem uma investigação estadual independente e condenaram a ação federal[reference:13].
Milhares de pessoas protestaram em Minneapolis após o tiroteio, e democratas no Congresso ameaçaram cortar verbas do Departamento de Segurança Interna[reference:14]. A renúncia em massa dos promotores é vista como um novo e significativo capítulo nessa crise, evidenciando a profunda divisão mesmo dentro das instituições federais.
Com a saída dos seis promotores, a investigação federal de fraudes que abalava a política local ficará paralisada, e a investigação sobre o tiroteio permanece incerta. O Departamento de Justiça não se pronunciou imediatamente sobre as renúncias[reference:15].
Enquanto isso, autoridades estaduais prometem seguir com sua própria apuração. “Vamos garantir que a verdade venha à tona, com ou sem a cooperação federal”, declarou o governador Walz.
Com informações de: G1, New York Times, KSTP, The Guardian■