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Fake news e deepfakes: como donos de plataformas alimentam a desinformação global
De vídeos bizarros de IA a alterações geopolíticas em emojis, a linha entre reality e ficção é apagada por quem controla os canais de disseminação
Analise
Foto: https://conteudo.imguol.com.br/c/noticias/bf/2025/10/21/imagens-de-video-feito-com-ia-publicado-por-donald-trump-em-que-ele-bombardeia-manifestantes-com-merda-1761048815687_v2_900x506.jpg
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■   Bernardo Cahue, 13/01/2026

O ano de 2025 marcou um ponto de virada na indústria da desinformação. Com o avanço da inteligência artificial, campanhas de falsificação ganharam novo impulso, borrando a linha entre realidade e ficção em uma escala sem precedentes. Neste cenário, figuras poderosas que são também donas de redes sociais surgem como atores centrais, usando suas plataformas para espalhar narrativas falsas, montagens e deepfakes com impacto direto na política global e doméstica.

Trump, dono da Truth Social, e Elon Musk, proprietário do X (antigo Twitter), personificam essa fusão perigosa entre poder midiático e disseminação de desinformação. Ambos utilizam seus canais não apenas para comunicação, mas como armas de guerra narrativa, onde conteúdos fabricados são lançados diretamente a milhões de seguidores, sem intermediários.

Casos Emblemáticos: Do Caça à Bandeira

Os exemplos recentes são tão surreais quanto reveladores:

  • Trump e o "bombardeio de merda digital": Após protestos massivos nos EUA, Donald Trump publicou em sua rede Truth Social um vídeo gerado por IA onde aparecia como piloto de um caça, bombardeando manifestantes com excrementos. A montagem grotesca, uma mistura de "Top Gun com fossa entupida", ilustra o uso da tecnologia para ridicularizar opositores e inflamar seus apoiadores.
  • Trump se autoproclama presidente da Venezuela: Em janeiro de 2026, Trump publicou uma imagem manipulada de uma página da Wikipedia em sua conta no Truth Social, na qual se intitulava "presidente interino da Venezuela". A publicação, que recebeu milhares de interações, foi mais uma de uma série de afirmações de que ele e Washington estariam "no comando" do país sul-americano.
  • Musk altera a bandeira do Irã: Em meio a protestos no Irã, a plataforma X, de Elon Musk, substituiu o emoji da bandeira oficial do país pelo símbolo histórico do Leão e Sol, associado ao período pré-revolucionário. A mudança, uma clara tomada de posição política, ocorreu simultaneamente à ativação do serviço de internet Starlink no país por Musk, ligando-o diretamente aos acontecimentos.

O Cenário Brasileiro: Fake News como Estratégia Política

No Brasil, a tática de desinformação é ferramenta habitual da extrema direita, com alvos específicos:

  • Fake news contra o governo Lula: Em março de 2025, foram disseminadas notícias falsas sobre um suposto aumento da alíquota máxima do Imposto de Renda para 35,5%, o que foi prontamente desmentido pela Receita Federal. Outra narrativa falsa alegava a chegada de uma oficial de justiça dos EUA para anular condenações de Jair Bolsonaro.
  • O legado de Bolsonaro como "usuário-mestre": O ex-presidente Jair Bolsonaro consolidou o uso das redes sociais como principal veículo para disseminar declarações falsas. Um levantamento mostrou que, em 905 dias de governo, ele proferiu 3.326 declarações falsas ou distorcidas, uma média de mais de 3,6 fake news por dia. Seu governo também editou medidas para dificultar a remoção de conteúdo das plataformas.

Este ecossistema foi ainda mais fragilizado quando a Meta anunciou o fim da checagem independente de fatos no Facebook e Instagram, substituindo-a por "notas da comunidade" – modelo similar ao do X de Musk. Especialistas ligam a decisão à aproximação de Mark Zuckerberg com Donald Trump e outros líderes da extrema direita.

Conclusão: Um Futuro sob o Risco do Falso

As eleições de 2026 prometem ser "as mais artificiais da história". Com softwares gratuitos criando deepfakes convincentes em minutos, a Justiça Eleitoral e a sociedade enfrentam o desafio monumental de discernir a verdade em um fluxo incessante de mentiras patrocinadas por aqueles que controlam os meios de disseminação. A desinformação deixou de ser um subproduto das redes sociais para se tornar, nas mãos de seus donos, uma arma política de precisão.

Com informações de: Viana Blog, Anadolu Agency (AA.com.tr), Euronews (es.euronews.com), Deutsche Welle (DW), Brasil de Fato, Central Única dos Trabalhadores (CUT)■

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