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A Jovem Pan publicou um pedido de desculpas formal nesta segunda-feira (29/12) após veicular informações falsas sobre uma suposta taxação de transações financeiras, como o Pix, acima de R$ 5 mil. A fake news foi originalmente propagada pelo programa de entretenimento Pânico e, após se espalhar nas redes sociais, foi desmentida oficialmente pela Receita Federal e pelo Ministério da Fazenda. Na retratação, a emissora afirma: "A Jovem Pan pede desculpas pelo erro e reafirma o compromisso com a correção e a veracidade das informações veiculadas em sua programação".
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de grandes veículos de comunicação no combate à desinformação e ocorre em um contexto em que a credibilidade editorial do grupo já era questionada por setores da sociedade.
A informação falsa, que circulou intensamente em grupos de redes sociais, alegava que a partir de 1º de janeiro de 2026, transações financeiras iguais ou superiores a R$ 5 mil seriam taxadas em 27,5% pela Receita Federal, com aplicação de uma multa de 150% para quem não declarasse o suposto tributo. Em nota oficial, a Receita Federal desmentiu ponto por ponto:
O Ministério da Fazenda reforçou o desmentido, classificando os boatos como uma "tentativa deliberada de enganar a população" e destacando que a única medida real relacionada ao valor de R$ 5 mil é positiva: a partir de janeiro, quem ganha até R$ 5 mil estará completamente isento do Imposto de Renda.
A fake news é antiga e ressurgiu periodicamente desde a implementação do Pix, mas ganhou força após ser tratada no programa Pânico, da Jovem Pan, no dia 2 de dezembro. Vídeos com a informação inverídica, muitas vezes utilizando trechos do programa, se espalharam online. A emissora reconheceu que o erro partiu de sua programação e emitiu a retratação, mas críticos apontam que o estrago provocado pelo alcance da notícia falsa já estava consolidado.
Vale destacar que, segundo a própria Jovem Pan, no mesmo quadro do Pânico onde a fake news foi inicialmente veiculada, o economista Samy Dana explicou posteriormente que a informação sobre a taxação estava errada. No entanto, a correção não impediu a disseminação da versão falsa.
Especialistas e o próprio governo explicam que o fato que deu margem à distorção foi uma atualização normativa da Receita Federal, revogada em 15 de janeiro, que nada tinha a ver com criar impostos. A regra, que já não está mais em vigor, simplesmente elevava os valores mínimos de movimentações que bancos, fintechs e instituições de pagamento devem informar ao Fisco, igualando as obrigações de todos.
O objetivo declarado da medida, segundo a Receita, era combater crimes financeiros e a lavagem de dinheiro, fechando uma brecha pela qual fintechs e bancos digitais não estavam sujeitos às mesmas obrigações de informação que os bancos tradicionais. Em nenhum momento tratava-se de taxar o cidadão comum.
Este não é um incidente isolado na relação da Jovem Pan com a desinformação. Em março de 2022, a comunidade de editores da Wikipédia em português incluiu o site da Jovem Pan em uma lista de fontes consideradas não confiáveis. A decisão, tomada de forma colaborativa pelos voluntários da enciclopédia online, foi fundamentada em "posicionamentos completamente parciais, negacionismo de todos os tipos, desinformação e campanhas antivacina" observados na programação da emissora.
Na ocasião, a Jovem Pan defendeu-se afirmando que se pauta pelos "princípios éticos do bom jornalismo" e que as opiniões emitidas por comentaristas em programas de debate não representam necessariamente a posição do Grupo. A inclusão na lista da Wikipédia significa que os editores podem remover informações dos verbetes da enciclopédia que tenham como única fonte o portal da Jovem Pan.
Com informações de: Jovem Pan, Gazeta do Paraná, Santos Bancários, Revista Piauí ■