Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Em um passo significativo para alterar as relações de trabalho no país, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou uma proposta que extingue a escala de trabalho 6×1 e reduz progressivamente a jornada máxima semanal de 44 para 36 horas. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), segue agora para votação em dois turnos no Plenário do Senado.
A aprovação na CCJ ocorreu em votação simbólica na última quarta-feira (10), com o texto sendo incluído como matéria "extra-pauta". O procedimento foi criticado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que afirmou ter sido "violentado" por não ter tido a chance de pedir mais tempo para análise. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), rebateu, lembrando que o tema já havia sido debatido em três audiências públicas.
A PEC aprovada estabelece mudanças profundas na legislação trabalhista brasileira. Os principais pontos são:
A mudança não será imediata. O relator da proposta, senador Rogério Carvalho (PT-SE), defendeu uma transição gradual para dar "segurança jurídica aos empregadores" e um período de planejamento. O cronograma estabelecido é:
Esta proposta é a que está em estágio mais avançado no Congresso, mas não é a única. Existem duas vias distintas de tramitação:
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio à causa e sinalizou que irá apoiar o caminho que tiver a aprovação mais rápida. O ministro Guilherme Boulos afirmou que a mudança é uma prioridade e questionou: "Como a produtividade vai aumentar se a trabalhadora e o trabalhador não têm tempo para estudar, descansar e melhorar suas condições de trabalho?". A pressão social também foi crucial: um movimento chamado "Vida Além do Trabalho", nascido de uma mobilização nas redes sociais, já reuniu mais de 1,5 milhão de assinaturas a favor do fim da escala 6×1.
Os defensores da PEC, incluindo seu autor e relator, baseiam-se em argumentos de bem-estar e economia. Eles citam que a escala 6×1 está associada a fadiga, maior risco de acidentes e danos à saúde do trabalhador. Uma pesquisa do DataSenado apontou que 84% dos trabalhadores acreditam que jornadas menores melhoram a qualidade de vida. Do ponto de vista econômico, argumentam que a medida pode aumentar a produtividade e gerar empregos, citando experiências positivas em países como Espanha e Portugal.
Por outro lado, representantes do setor produtivo manifestam preocupação com os custos. O especialista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pablo Rolim, destacou que 99% das empresas brasileiras são de micro, pequeno e médio porte, respondendo por 52% dos empregos formais e com mais dificuldade para se adaptar. O presidente em exercício da Fecomércio São Paulo, Ivo Dall'Acqua, alertou que "empregar custa muito" no Brasil e que o país não registra ganhos consistentes de produtividade desde os anos 1980.
Caso seja aprovada, a mudança exigirá uma grande adaptação por parte das empresas, especialmente em setores como comércio, saúde, restaurantes e serviços, onde a escala 6×1 é mais comum. Especialistas apontam que as empresas precisarão reorganizar turnos, possivelmente contratar mais funcionários e renegociar acordos de banco de horas. Para os trabalhadores, a principal mudança será a garantia de mais tempo para descanso e vida pessoal, sem perda salarial.
O caminho legislativo, no entanto, ainda é longo. Após o Plenário do Senado, a PEC precisará ser analisada e aprovada pela Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção ou veto do Presidente da República.
Com informações de: Agência Senado, BBC, Agência Brasil, Câmara dos Deputados, G1, Veja■