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Trump ameaça presidente da Colômbia: "É melhor ficar esperto ou será o próximo"
Declaração ocorre em meio a escalada militar dos EUA na América Latina e tensões com a Venezuela; Petro rebate chamando Trump de "muito mal informado"
America do Norte
Foto: https://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2025/10/000_79PK2ZQ-e1761333984183.jpg
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■   Bernardo Cahue, 13/12/2025

Ameaça Direta na Casa Branca

Em coletiva de imprensa na quarta-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigiu uma ameaça explícita ao seu homólogo da Colômbia, Gustavo Petro. Trump afirmou que a Colômbia produz "muita droga" e que Petro tem sido "bastante hostil" com os Estados Unidos.

"Ele vai ter sérios problemas se não se ligar. (...) Então é melhor ele se ligar ou será o próximo. E eu espero que ele esteja ouvindo, porque ele vai ser o próximo", declarou Trump. A fala foi feita quando jornalistas lhe perguntaram sobre a possibilidade de um contato com o líder colombiano.

Resposta Firme de Petro: "Desinformação" e Convite

Horas depois, Gustavo Petro respondeu publicamente, classificando Trump como um homem "muito mal informado" sobre a Colômbia. Ele atribuiu as declarações à má assessoria: "parece que seus interlocutores o estão enganando completamente".

Em sua defesa, Petro listou os esforços de seu governo no combate ao narcotráfico, destacando a apreensão de 2.700 toneladas de cocaína durante seu mandato — o que chamou de "a maior apreensão da história mundial". Ele também convidou Trump para ver a realidade no terreno:

"Não espero mais ser convidado a Washington, mas sim que Trump venha à Colômbia para ver o que é um laboratório de cocaína, como nove são destruídos todos os dias".

Contexto de uma Relação Deteriorada

A tensão não é nova. O conflito diplomático vem escalando há meses, com eventos-chave que incluem:

  • Outubro de 2025: Trump acusou Petro de ser um "líder do tráfico de drogas" e um "bandido", anunciando o corte imediato de subsídios americanos à Colômbia. Petro revidou, chamando Trump de "grosseiro e ignorante" e convocou o embaixador colombiano em Washington para consultas.
  • Setembro de 2025: Os EUA descertificaram a Colômbia como parceira no controle de drogas e revogaram o visto de Gustavo Petro.
  • Novembro de 2025: Após os primeiros ataques navais dos EUA no Caribe, Petro ordenou que as forças de segurança colombianas interrompessem o compartilhamento de inteligência com os Estados Unidos até que as operações militares cessassem.

Cenário Regional: Pressão sobre a Venezuela e Ação Militar

A ameaça a Petro ocorre dentro de uma ofensiva regional mais ampla da administração Trump. O alvo principal tem sido a Venezuela e seu presidente, Nicolás Maduro, a quem os EUA também acusam de narcotráfico.

Desde setembro, os Estados Unidos mantêm uma significativa mobilização militar no Caribe e no Pacífico, com destróieres, caças F-35 e milhares de soldados. As ações já realizadas incluem:

  • A destruição de 23 embarcações suspeitas de transportar drogas, resultando em pelo menos 87 mortes.
  • A apreensão de um petroleiro próximo à costa venezuelana, ato que Maduro classificou como "pirataria internacional".
  • O anúncio de que a CIA foi autorizada a conduzir operações secretas dentro da Venezuela.

Petro tem sido crítico veemente dessas operações, questionando sua legalidade e eficácia. Ele afirmou que disparar mísseis contra lanchas não combate o narcoterrorismo, pois os operários são pobres, enquanto os chefes do tráfico vivem em iates no exterior.

Contestações e Preocupações Internacionais

As justificativas e métodos de Trump enfrentam contestações internas e externas:

  1. Legalidade: Petro, juristas e legisladores democratas nos EUA argumentam que os ataques navais são execuções extrajudiciais e violam o direito internacional.
  2. Eficácia e Foco: Dados da ONU indicam que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, não na Venezuela ou Colômbia. A cocaína consumida nos EUA vem majoritariamente da região andina.
  3. Apoio Público: Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem processo judicial.

O Que Esperar do Conflito

O desfecho desta crise é incerto, mas dois fatores serão decisivos:

1. A postura da Colômbia: Petro, cujo mandato termina em agosto de 2026, demonstrou não ceder à pressão. Ele defende uma mudança de paradigma na "guerra às drogas", que considera uma política falida responsável por um milhão de mortos na América Latina.

2. A vontade de escalada dos EUA: Trump já sinalizou que pode expandir as operações militares para a Colômbia. No entanto, a possibilidade de uma intervenção terrestre direta, que divide até mesmo assessores e apoiadores, permanece uma opção extrema e de alto risco.

Enquanto isso, a região aguarda tensa o próximo movimento, em um conflito que redefine as relações de poder e a soberania na América Latina.

Com informações de: CNN Brasil, Politico, G1, Democracy Now!, Newsweek, Gazeta do Povo, TRT World, Veja ■

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