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Em coletiva de imprensa na quarta-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigiu uma ameaça explícita ao seu homólogo da Colômbia, Gustavo Petro. Trump afirmou que a Colômbia produz "muita droga" e que Petro tem sido "bastante hostil" com os Estados Unidos.
"Ele vai ter sérios problemas se não se ligar. (...) Então é melhor ele se ligar ou será o próximo. E eu espero que ele esteja ouvindo, porque ele vai ser o próximo", declarou Trump. A fala foi feita quando jornalistas lhe perguntaram sobre a possibilidade de um contato com o líder colombiano.
Horas depois, Gustavo Petro respondeu publicamente, classificando Trump como um homem "muito mal informado" sobre a Colômbia. Ele atribuiu as declarações à má assessoria: "parece que seus interlocutores o estão enganando completamente".
Em sua defesa, Petro listou os esforços de seu governo no combate ao narcotráfico, destacando a apreensão de 2.700 toneladas de cocaína durante seu mandato — o que chamou de "a maior apreensão da história mundial". Ele também convidou Trump para ver a realidade no terreno:
"Não espero mais ser convidado a Washington, mas sim que Trump venha à Colômbia para ver o que é um laboratório de cocaína, como nove são destruídos todos os dias".
A tensão não é nova. O conflito diplomático vem escalando há meses, com eventos-chave que incluem:
A ameaça a Petro ocorre dentro de uma ofensiva regional mais ampla da administração Trump. O alvo principal tem sido a Venezuela e seu presidente, Nicolás Maduro, a quem os EUA também acusam de narcotráfico.
Desde setembro, os Estados Unidos mantêm uma significativa mobilização militar no Caribe e no Pacífico, com destróieres, caças F-35 e milhares de soldados. As ações já realizadas incluem:
Petro tem sido crítico veemente dessas operações, questionando sua legalidade e eficácia. Ele afirmou que disparar mísseis contra lanchas não combate o narcoterrorismo, pois os operários são pobres, enquanto os chefes do tráfico vivem em iates no exterior.
As justificativas e métodos de Trump enfrentam contestações internas e externas:
O desfecho desta crise é incerto, mas dois fatores serão decisivos:
1. A postura da Colômbia: Petro, cujo mandato termina em agosto de 2026, demonstrou não ceder à pressão. Ele defende uma mudança de paradigma na "guerra às drogas", que considera uma política falida responsável por um milhão de mortos na América Latina.
2. A vontade de escalada dos EUA: Trump já sinalizou que pode expandir as operações militares para a Colômbia. No entanto, a possibilidade de uma intervenção terrestre direta, que divide até mesmo assessores e apoiadores, permanece uma opção extrema e de alto risco.
Enquanto isso, a região aguarda tensa o próximo movimento, em um conflito que redefine as relações de poder e a soberania na América Latina.
Com informações de: CNN Brasil, Politico, G1, Democracy Now!, Newsweek, Gazeta do Povo, TRT World, Veja ■