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BRICS+ constrói caminho próprio para competir com o ocidente em inteligência artificial
Bloco, liderado pela China, busca criar ecossistema soberano de IA com cooperação, governança ética e financiamento próprio, desafiando a hegemonia tecnológica ocidental
Leste Asiatico
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■   Bernardo Cahue, 02/12/2025

O bloco BRICS+ está emergindo como um polo de inovação em Inteligência Artificial, com uma estratégia clara para desenvolver capacidades tecnológicas soberanas e reduzir a dependência de plataformas e modelos ocidentais. Liderados pela China, os países do grupo estão avançando em colaboração, criação de modelos de linguagem próprios e estabelecimento de uma estrutura de governança paralela, visando garantir que os benefícios econômicos da IA atendam às suas realidades e necessidades específicas.

Um estudo da Yakov and Partners aponta que a adoção de IA generativa pode gerar entre US$ 350 e US$ 600 bilhões para as economias do BRICS+ até 2030, com um potencial total que pode chegar a impressionantes US$ 1,4 trilhão. No entanto, este impacto é distribuído de forma muito desigual dentro do bloco. A China sozinha responde por 86% do impacto agregado estimado, refletindo o tamanho de sua economia e seu avanço tecnológico, enquanto Índia, Brasil e Rússia, juntos, representam 12%, e os demais países, 2%.

A Liderança Indiscutível da China e a Corrida pelas Patentes

A China consolidou sua posição como a principal potência de IA dentro do BRICS+. O Relatório de Índice de IA de 2024 da Universidade de Stanford confirma que o país é responsável por 47,2% dos artigos acadêmicos de IA mais citados no mundo e mantém a liderança global em pedidos de patentes relacionados à tecnologia. Dados da administração nacional de propriedade intelectual chinesa (CNIPA) reforçam este domínio, indicando que o país detém 60% do total mundial de patentes de IA. Este esforço é sustentado por um maciço investimento estatal, com o plano de desenvolvimento de IA da China superando a marca de US$ 150 bilhões em financiamento.

Colaboração e Soberania Digital: A Resposta aos Modelos Ocidentais

Para contrapor a hegemonia de modelos como o GPT-4 e Claude, treinados com visões de mundo e dados predominantemente ocidentais, os países do BRICS+ estão desenvolvendo seus próprios Grandes Modelos de Linguagem (LLMs):

  • China: Desenvolveu modelos como "WuDao" e "Ernie".
  • Rússia: Lançou o "GigaChat" como parte de sua estratégia nacional de IA, que tem a segurança nacional como foco central.
  • Índia: Promove a iniciativa "Bhashini", uma plataforma de IA multilíngue focada em idiomas locais.
  • Brasil e China: Anunciaram uma colaboração para criar um LLM em português e espanhol voltado para o contexto latino-americano.

Além dos softwares, a busca por autonomia se estende ao hardware. China e Índia, por meio de empresas como SMIC e CDAC, estão desenvolvendo produção de chips de 7nm para reduzir a dependência de gigantes como NVIDIA e Intel.

Governança Ética e Aplicações para o Desenvolvimento Social

Sob a presidência brasileira em 2025, a governança da IA tornou-se tema prioritário, com foco no uso da tecnologia para inclusão social e redução de desigualdades. O bloco adotou a "Carta do BRICS sobre IA Responsável", que promove desenvolvimento inclusivo, transparente e culturalmente sensível, em contraste com a abordagem regulatória da União Europeia, muitas vezes criticada por seus padrões eurocêntricos.

As aplicações práticas da IA no BRICS+ são voltadas para soluções de problemas locais:

  1. Saúde: China, Índia e Rússia utilizam plataformas de IA para diagnóstico médico remoto e análise de exames, ampliando o acesso a serviços de saúde.
  2. Agricultura e Segurança Alimentar: Brasil, Rússia e Índia empregam IA para agricultura de precisão, previsão climática e otimização de cadeias de suprimentos.
  3. Cidades Inteligentes e Meio Ambiente: Sistemas de gestão de tráfego em Moscou, integração de energias renováveis na África do Sul e monitoramento de biomas no Brasil são exemplos de aplicações.

Financiamento Coletivo: O Banco do BRICS como Alicerce

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), com sede em Xangai, desempenha papel fundamental na construção da infraestrutura de IA do bloco. Em 2025, o banco lançou um Fundo de Soberania Digital de US$ 5 bilhões para financiar parques de pesquisa, data centers e fabricação de semicondutores nos países membros. Este mecanismo de financiamento conjunto é um pilar central para a ambição de autonomia tecnológica do BRICS+.

O caminho do BRICS+ rumo a um ecossistema soberano de IA demonstra uma mudança significativa no panorama tecnológico global. Ao combinar a força industrial chinesa com as necessidades diversas de suas economias emergentes e uma visão de governança alternativa, o bloco não está apenas tentando alcançar o Ocidente, mas ativamente redefinindo as regras do jogo para garantir que o futuro da IA seja moldado por uma pluralidade de valores e interesses.

Com informações de: Yakov and Partners, China National Intellectual Property Administration (CNIPA), Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence (HAI), Fortune Business Insights, Portal oficial da Presidência brasileira do BRICS, InfoBRICS, Global Times, Statista Market Insights ■

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