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Em um discurso que reflete a deterioração das relações no Mar Báltico, Nikolai Patrushev, principal assessor de segurança do presidente Vladimir Putin, afirmou que a OTAN está tentando impor um "bloqueio naval" à Rússia. Patrushev, que também preside o Conselho Marítimo russo, declarou que as ações da aliança ocidental, particularmente no Golfo da Finlândia, representam tentativas de paralisar os portos russos na região de Leningrado e no enclave de Kaliningrado.
As acusações foram reiteradas por Patrushev em vários fóruns ao longo de 2025. Em maio, durante uma reunião sobre segurança naval em Ust-Luga, ele citou um incidente com o navio-tanque Jaguar como um exemplo de "provocação" por parte da Estônia, coordenada com aviões de guerra da OTAN. Ele afirmou que as propostas do Conselho Marítimo para combater essas restrições receberam o endosso direto do presidente Putin.
Do lado ocidental, a presença militar no Báltico é justificada como uma resposta necessária para proteger infraestruturas críticas, como cabos de dados e gasodutos submarinos, que sofreram danos suspeitos nos últimos anos. Em janeiro de 2025, a OTAN iniciou a operação "Sentinela Báltica" (Baltic Sentry), uma iniciativa de patrulha marítima e aérea para monitorar a região e dissuadir possíveis atos de sabotagem.
Um relato operacional descreve a atmosfera de tensão: durante uma missão de um avião de patrulha francês da OTAN, forças russas tentaram bloquear seu sinal de GPS e, em um momento, um navio de guerra russo travou seu radar na aeronave, um gesto considerado um aviso de que poderia abrir fogo.
Em resposta ao que percebe como ameaças, a Rússia adotou uma postura mais agressiva. Patrushev anunciou a criação de um sistema abrangente para proteger as águas portuárias da região de Leningrado. Entre as medidas concretas já implementadas, ele citou:
Essa "frota fantasma" é composta por petroleiros antigos com estruturas de propriedade opacas, utilizados pela Rússia para contornar sanções ocidentais às suas exportações de petróleo.
O conflito no Báltico não se limita ao campo militar. Analistas observam que a Rússia está travando uma guerra informacional paralela. Após a imposição de sanções europeias, fontes oficiais e mídias estatais russas aumentaram drasticamente suas menções à região do Báltico, propagando narrativas que enquadram a OTAN como a parte agressora.
Essas narrativas incluem acusações de que os países bálticos glorificam o nazismo e alegações de que o Ocidente prepara "provocações sangrentas" na região. Este padrão de combinar táticas cinéticas e informacionais é visto por especialistas como uma estratégia híbrida para dissuadir o Ocidente, testar suas respostas e justificar suas próprias ações como legítima defesa.
Especialistas em segurança, como Christian Bueger da Universidade de Copenhague, alertam que essa dinâmica cria uma espiral de provocação perigosa. "Em última análise, ambos os lados estão agora testando como o outro reagirá", disse Bueger, prevendo um aumento no uso de drones e outros incidentes que carregam o risco de uma escalada incontrolável.
Com informações de: Defense News, Deutsche Welle, Estadao, GMFUS, Iz.ru, Kyiv Independent, TASS. ■