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Venezuela propõe suspender todos os acordos de gás com Trinidad e Tobago
Medida é resposta a exercícios militares conjuntos entre a ilha caribenha e os Estados Unidos, acusados por Caracas de uma "agressão"
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 27/10/2025

A vice-presidenta executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o Ministério de Hidrocubros e a estatal PDVSA propuseram formalmente ao presidente Nicolás Maduro a suspensão imediata de todos os acordos de cooperação energética com Trinidad e Tobago.

O acordo em risco é o Acordo Marco de Cooperação Energética, firmado em 2015 e renovado automaticamente por mais cinco anos em fevereiro deste ano. Este pacto contempla a cooperação para o tratamento de depósitos conjuntos de gás, desenvolvimento de infraestrutura e execução de projetos de hidrocarbonetos.

O anúncio da proposta ocorre em meio a uma crescente tensão na região do Caribe, após a chegada do destroyer norte-americano USS Gravely a Trinidad e Tobago para a realização de exercícios militares conjuntos. A ilha caribenha está localizada a apenas 11 quilômetros da costa venezuelana no ponto mais próximo.

Em sua declaração, a vice-presidenta Rodríguez acusou a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, de ter se aliado à "agenda de guerrilha dos Estados Unidos para agredir um povo irmão". Ela afirmou que a medida do governo venezuelano é uma resposta direta a essa postura, qualificando as ações como uma "guerra por petróleo e por gás".

O governo venezuelano também denunciou uma suposta "provocação militar" coordenada com a Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, alegando que há um plano de "ataque de falsa bandeira" em andamento para justificar um confronto militar.

Em resposta, o governo de Trinidad e Tobago emitiu um comunicado negando qualquer intenção hostil contra a Venezuela. O Ministério de Assuntos Exteriores do país insistiu que a presença militar estadounidense tem como único propósito apoiar a luta contra o crime transnacional e aprofundar a cooperação em segurança e ajuda humanitária na região.

Especialistas apontam que a suspensão dos acordos seria um duro golpe para a economia de Trinidad e Tobago, que depende do gás natural para sustentar sua indústria e exportações. Um analista do setor destacou que seria muito difícil para a ilha substituir o gás venezuelano pelo de outros países como Guiana ou Suriname, tanto por questões de viabilidade econômica quanto por obstáculos geopolíticos.

Este episódio coloca em risco projetos energéticos binacionais de grande escala, como o desenvolvimento do depósito de gás Dragón, na costa venezuelana, que conta com a participação da multinacional Shell e para o qual os Estados Unidos haviam concedido licenças especiais para negociação, apesar de suas próprias sanções contra o governo de Maduro.

Com informações de: Telesurtv, DW, Swissinfo, Infobae, Bitácora Económica, Rumbominero, France24, CNN Español. ■

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