Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27) que seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, lhe "garantiu" que os dois países chegarão a um acordo comercial, prevendo que um pacto será fechado "mais rápido do que se imagina". A declaração foi feita em coletiva de imprensa durante a cúpula da ASEAN, na Malásia, um dia após a reunião bilateral dos dois líderes.
Lula demonstrou grande otimismo, dizendo estar "convencido de que em poucos dias teremos uma solução definitiva" entre as nações. Ele descreveu o encontro de domingo como "surpreendentemente bom" e baseado no respeito mútuo. No entanto, a confiança expressa por Lula contrasta com a declaração mais cautelosa de Trump. Ao deixar a Malásia, o presidente americano reconheceu ter tido uma "boa reunião" com Lula, a quem chamou de "um cara bastante enérgico", mas afirmou: "Não sei se algo vai acontecer, mas veremos".
O impasse comercial entre os dois países teve início em agosto, quando os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros. Trump justificou a medida como uma resposta ao que classificou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político seu que foi condenado e preso no Brasil. Lula, por sua vez, sempre tratou as tarifas como um "erro", argumentando que os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos.
Além do comércio, Lula abordou com Trump a situação do ex-presidente Bolsonaro. Ele relatou ao colega americano os detalhes da "gravidade" do que Bolsonaro e seu círculo tentaram fazer, incluindo um plano para matá-lo, e afirmou que o julgamento do ex-presidente seguiu o devido processo legal. Sobre o papel de Bolsonaro na política atual, Lula foi taxativo: "Rei morto, rei posto. Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira".
Como desdobramento imediato do encontro presidencial, os negociadores de Brasil e EUA já tiveram uma primeira reunião técnica na manhã desta segunda-feira (horário da Malásia) para discutir as tarifas. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, reuniu-se com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer As partes acertaram a elaboração de um cronograma de reuniões com o objetivo de alcançar um pacto "em poucas semanas".
Lula também tocou em outros temas de política internacional durante a conversa:
O presidente brasileiro, que completa 80 anos nesta segunda-feira, encerrou sua fala reafirmando suas habilidades diplomáticas. "Se tem uma coisa que eu aprendi a fazer é negociação. Sei a hora de ceder e de não ceder".
Com informações de: UOL, The Economic Times, CNN Brasil, InfoMoney, Al Jazeera, O Globo, BBC. ■