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Lula anuncia que Trump garantiu acordo comercial entre Brasil e EUA
Presidente brasileiro prevê uma solução "em poucos dias" após encontro surpreendentemente bom na Malásia; otimismo não é totalmente compartilhado pela declaração pública de Trump
Politica
Foto: https://www.reuters.com/resizer/v2/LGIGKZ5GWRJGBKADV4HKKRFQYQ.jpg?auth=556da8417836580d1c97103f9db3daea04e2da0b043a216bc5dbcce5689d797e&width=960&quality=80
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■   Bernardo Cahue, 27/10/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27) que seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, lhe "garantiu" que os dois países chegarão a um acordo comercial, prevendo que um pacto será fechado "mais rápido do que se imagina". A declaração foi feita em coletiva de imprensa durante a cúpula da ASEAN, na Malásia, um dia após a reunião bilateral dos dois líderes.

Lula demonstrou grande otimismo, dizendo estar "convencido de que em poucos dias teremos uma solução definitiva" entre as nações. Ele descreveu o encontro de domingo como "surpreendentemente bom" e baseado no respeito mútuo. No entanto, a confiança expressa por Lula contrasta com a declaração mais cautelosa de Trump. Ao deixar a Malásia, o presidente americano reconheceu ter tido uma "boa reunião" com Lula, a quem chamou de "um cara bastante enérgico", mas afirmou: "Não sei se algo vai acontecer, mas veremos".

O impasse comercial entre os dois países teve início em agosto, quando os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros. Trump justificou a medida como uma resposta ao que classificou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político seu que foi condenado e preso no Brasil. Lula, por sua vez, sempre tratou as tarifas como um "erro", argumentando que os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos.

Além do comércio, Lula abordou com Trump a situação do ex-presidente Bolsonaro. Ele relatou ao colega americano os detalhes da "gravidade" do que Bolsonaro e seu círculo tentaram fazer, incluindo um plano para matá-lo, e afirmou que o julgamento do ex-presidente seguiu o devido processo legal. Sobre o papel de Bolsonaro na política atual, Lula foi taxativo: "Rei morto, rei posto. Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira".

Como desdobramento imediato do encontro presidencial, os negociadores de Brasil e EUA já tiveram uma primeira reunião técnica na manhã desta segunda-feira (horário da Malásia) para discutir as tarifas. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, reuniu-se com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer As partes acertaram a elaboração de um cronograma de reuniões com o objetivo de alcançar um pacto "em poucas semanas".

Lula também tocou em outros temas de política internacional durante a conversa:

  • Venezuela: Ofereceu-se como um possível mediador no conflito dos EUA com o regime de Nicolás Maduro, propondo a criação de uma mesa de negociação.
  • China: Afirmou que a negociação com os EUA não altera a relação diplomática e comercial do Brasil com a China, rejeitando a ideia de uma nova Guerra Fria.

O presidente brasileiro, que completa 80 anos nesta segunda-feira, encerrou sua fala reafirmando suas habilidades diplomáticas. "Se tem uma coisa que eu aprendi a fazer é negociação. Sei a hora de ceder e de não ceder".

Com informações de: UOL, The Economic Times, CNN Brasil, InfoMoney, Al Jazeera, O Globo, BBC. ■

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