Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a realizar buscas na 13ª Vara Federal de Curitiba, antigo posto de trabalho do senador Sérgio Moro (União-PR). A medida, determinada no dia 6 de outubro e revelada nesta sexta-feira, 17 de outubro de 2025, é parte de um inquérito que investiga suspeitas de que Moro e integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato coagiam investigados para obter provas ilegais.
As investigações têm como base principal os relatos do empresário e ex-delator Tony Garcia (Antônio Celso Garcia), que alega ter atuado como "agente infiltrado" para Moro por mais de uma década. O caso envolve acusações graves de chantagem, extorsão e a existência de um vídeo comprometedor de desembargadores, usado como moeda de troca.
As Acusações de Tony Garcia
Em seu depoimento, Garcia afirmou que o então juiz Sérgio Moro chegou a se apoderar de um vídeo que mostrava uma "festa das cuecas" com a participação de desembargadores do TRF-4 e prostitutas. O material, gravado clandestinamente por um advogado em uma suíte de hotel, teria sido obtido por Moro por meio de uma busca e, segundo Garcia, poderia ser usado para chantagear magistrados da segunda instância que julgaram seus processos.
Garcia detalha que, a partir de um acordo de colaboração premiada homologado por Moro em 2004, foi coagido a cumprir 30 tarefas. Apenas duas delas estavam relacionadas ao seu próprio caso (o Consórcio Garibaldi); as demais envolviam a investigação de autoridades com foro privilegiado, como ministros do STJ, desembargadores, deputados e juízes. Para cumprir essas metas, ele era orientado a realizar escutas ambientais e entregar gravações clandestinas, atuando como um "espião" do então juiz.
O Caso Tacla Duran e a Extorsão
Outra peça central das investigações é o advogado Rodrigo Tacla Duran, ex-funcionário da Odebrecht. Ele afirma que foi vítima de uma tentativa de extorsão no valor de US$ 5 milhões. O pagamento, segundo ele, garantiria que não fosse denunciado na Lava Jato. Tacla Duran alega ter efetuado o primeiro pagamento, de US$ 612 mil, ao advogado Marlus Arns, que era sócio de Rosângela Moro, esposa do então juiz.
Em junho de 2023, o ministro Toffoli concedeu um habeas corpus preventivo para que Tacla Duran, que mora na Espanha, pudesse entrar no Brasil e depor em uma audiência pública na Câmara dos Deputados sobre suas denúncias, sem risco de ser preso.
Inquérito no STF e a Busca por Provas
Diante da gravidade e do detalhamento dos relatos, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestaram favoravelmente à abertura de um inquérito no STF. Em dezembro de 2023, Toffoli acatou o pedido para investigar Moro, sua esposa Rosângela, o ex-coordenador da Lava Jato Deltan Dallagnol, procuradores da força-tarefa e outros envolvidos.
As buscas determinadas agora na 13ª Vara de Curitiba têm como objetivo localizar documentos, mídias e objetos que possam comprovar as acusações de Tony Garcia. O empresário sempre sustentou que provas de suas atividades como "agente infiltrado" estavam guardadas nessa unidade judicial.
A Defesa de Sérgio Moro
Procurado, o senador Sérgio Moro emitiu uma nota na qual classifica Tony Garcia como um "criminoso condenado" e descreve seu relato como "fantasioso". Moro nega qualquer irregularidade e afirma que a colaboração premiada de Garcia ocorreu com autorização judicial e acompanhamento da PF e do MPF, não incluindo qualquer gravação de autoridade com foro privilegiado.
As investigações conduzidas pelo ministro Toffoli representam um capítulo crucial no exame dos métodos utilizados na Operação Lava Jato e na apuração de supostos abusos cometidos por seus principais operadores.
Com informações de Agência Pública, CartaCapital, CNN Brasil, Consultor Jurídico, Estadão, Migalhas, Portal STF e Veja. ■