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Ataques de Israel "atordoam" a Síria e colocam normalização em risco, declara Damasco
Governo de Al-Sharaa afirma que agressões constituem violação flagrante da Carta da ONU e ameaçam a paz regional, enquanto tênues negociações de paz esfriam
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 28/09/2025

Em um comunicado contundente, o Ministério das Relações Exteriores da Síria condenou nos termos mais fortes os recentes ataques israelenses em seu território, descrevendo-os como ações que "atordoam" o país e tornam qualquer perspectiva de normalização das relações extremamente difícil. A declaração oficial, divulgada em meio a uma escalada militar sem precedentes, apela à comunidade internacional por medidas urgentes para conter as violações israelenses.

O governo sírio responsabiliza Israel integralmente pelos ataques e reafirmou seu direito legítimo de defender seu território "por todos os meios" garantidos pelo direito internacional. A postura de Damasco reflete a gravidade de uma crise que ameaça reconfigurar os frágeis equilíbrios de poder no Oriente Médio.

Ofensiva Militar e Ocupação no Sul

As declarações sírias ocorrem em um contexto de operações militares israelenses intensificadas. Segundo relatos, as Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram uma invasão ao sul da Síria em dezembro de 2024, marcando a primeira incursão terrestre em 50 anos. Desde então, os ataques evoluíram para:

  • Avanços terrestres: Unidades blindadas israelenses adentraram províncias como Quneitra, com tropas impondo toque de recolher e invadindo residências civis.
  • Bombardeios aéreos intensivos: Ataques aéreos atingiram alvos em Damasco, incluindo as proximidades do Ministério da Defesa e do quartel-general das Forças Armadas sírias.
  • Expansão de controle: Autoridades israelenses anunciaram a intenção de manter uma "zona de controle" de longo prazo no sul da Síria, com o ministro da Segurança, Israel Katz, afirmando que os militares permanecerão em áreas ocupadas como o Monte Hermon.

O Apoio aos drusos e os interesses estratégicos de Israel

O objetivo declarado por Israel para a intervenção é a proteção da minoria drusa no sul da Síria, que se viu envolvida em conflitos com tribos beduínas e com as próprias forças do governo sírio. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram publicamente seu compromisso de proteger os drusos sírios.

No entanto, analistas apontam que os interesses de Israel vão além da proteção humanitária. Duas preocupações estratégicas centrais impulsionam o envolvimento israelense:

  1. Proteger a fronteira norte: Israel visa impedir que milícias anti-israelenses se estabeleçam perto de sua fronteira e busca a desmilitarização da área adjacente às Colinas de Golã.
  2. Apoiar uma Síria fragmentada: Uma Síria federalizada e dividida ao longo de linhas étnicas e religiosas é vista por alguns formuladores de políticas israelenses como uma forma de manter a dominação regional, enfraquecendo um estado sírio centralizado e hostil.

A frágil perspectiva de normalização

Paradoxalmente, essa escalada ocorre enquanto ambos os lados exploravam a possibilidade de normalizar relações, em negociações mediadas pelos Estados Unidos e por atores regionais como os Emirados Árabes Unidos. Discussões secretas entre representantes de inteligência supostamente abordavam questões de segurança e combate ao terrorismo.

O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, chegou a sinalizar abertura para um acordo de paz, desde que incluísse a retirada israelense de territórios ocupados e o fim dos ataques aéreos . No entanto, os recentes ataques e a ocupação de territórios, especialmente a sensível questão das Colinas de Golã, criam um obstáculo quase intransponível para esse processo. Há temores em Damasco de que a normalização sob estas condições possa desestabilizar o governo de al-Sharaa devido à forte oposição pública.

Um conflito com repercussões globais

A crise síria-israelense não ocorre no vácuo. A Rússia, por meio de seu chanceler Sergei Lavrov, já havia alertado na ONU que as ações israelenses na região ameaçam "explodir todo o Oriente Médio". Enquanto isso, os Estados Unidos, aliado tradicional de Israel, demonstraram desconforto com a ofensiva e pediram privadamente ao governo de Netanyahu que reduzisse os ataques para evitar uma escalada maior e não prejudicar as frágeis negociações em andamento.

O cenário que se desenha é de um conflito multifacetado, onde disputas locais, estratégias geopolíticas de longo prazo e tensões religiosas se entrelaçam. As declarações sírias de que estão "atordoadas" e de que a normalização se torna difícil soam não apenas como uma denúncia, mas como um reconhecimento de que a janela para a paz, que parecia entreaberta, pode estar se fechando rapidamente.

Com informações de BBC, CNN Brasil, Opera Mundi, Monitor do Oriente, Facebook O Luminense, Portal Gov.br e Wikipédia. ■

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